Berna, a capital suíça

Hoje fez o pior clima da viagem: choveu o dia todo, frio e muito vento – até quebrou meu guarda-chuva. Apesar disto, eu gostei bastante de Berna, cidade que não é uma unanimidade entre os viajantes.

DSC05639

O centro histórico praticamente se estende ao longo de uma rua, onde passam bondes, ônibus, carros, gente, etc. Não é o mais calmo dos lugares. Mas a cidade conseguiu se modernizar sem perder o caráter antigo, que se revela nas várias fontes, arcadas e vielas. As fontes, em especial, chamam a atenção, pois há muitas mesmo espalhadas pela cidade.

O passeio incluiu uma visita à catedral protestante Münster; uma parada no relógio astronômico Zytglogge; ao Centro Paul Klee – um pintor modernista suíço –; ao Museu Einstein – Albert Einstein viveu em Berna durante um bom período e aqui desenvolveu a Teoria da Relatividade; e ao Parlamento Suíço, este último, guiado.

Ainda fui a um lugar clássico da capital suíça: o Bärengraben, lugar onde vivem alguns ursos, ao lado do Rio Aar. Reza a lenda que o fundador de Berna disse que daria o nome à cidade em “homenagem” ao primeiro animal que abatesse no local. E a vítima foi exatamente um urso. Em alemão, Bär é “urso”, daí “Bern”, o nome da cidade.

Os ursos são criados em Berna para fins turístico desde pelo menos o séc. XIX, mas nos últimos anos cresceram as críticas contra o lugar onde eram mantidos. De fato, um poço de concreto, eu vi. Há uns dois ou três anos, a cidade de Berna separou um grande naco da margem do Rio Aar para que os ursos pudessem viver melhor.

Tinha esperança de ver os ursos, mas eles estão hibernando – afinal, é inverno. Eu não sabia, mas os ursos podem hibernar por meses a fio, época em que sua temperatura corporal chega a baixar a 4ºC e o consumo de energia fica mínimo, sendo suficiente para sua vida a gordura que acumularam durante os meses quentes.

DSC05671

Há estátuas de urso por todos os lados em Berna e no brasão do cantão, adivinhem!, está um urso. 

No cantão de Berna fala-se um dialeto local do alemão. Fiquei surpreso com o fato de que muita gente não fala inglês aqui, até a guia do Parlamento Suíço falava um inglês sofrível. O francês resolve bem mais, porque é uma das línguas oficiais da Suíça. Eu acho que o cidadão suíço tem que aprender tantas línguas em seu país (alemão, francês, italiano), que não sobra “espaço” para o inglês. Pode ser.

Pensei em jantar fondue, típico da Suíça, até fui a um restaurante típico e muito bem localizado. Mas, uma vez lá sentado, notei um pequeno “problema de higiene”, e, consegui levantar-me rapidamente da mesa. Ainda bem que eu não havia pedido ainda.

Voltei para o hotel onde estou – o National – e ali jantei salsichas à moda bernense com rösti feliz da vida. Eu já havia jantado ontem aqui e tinha gostado. Aliás, o National é uma excelente opção em Berna. Tem quartos a preços econômicos, mas impecalvemente limpos e funcionais, fica muito perto da estação de trens, além de ter este bom restaurante.

Foi um dia intenso e muito bom, gostei bastante de ter vindo a Berna. O Centro Histórico de Berna é Patrimônio da Humanidade desde 1983. Amanhã, bem cedo, sigo para Zurique, última etapa da viagem.

Suíça (Confederação Helvética)

 Bandeira da Suíça

Minha primeira vez na Suíça.

Tinha duas preocupações com a Suíça: o frio e os preços.

E, de fato, quando cheguei, senti muito mais frio (a temperatura aqui está oscilando em torno de 0ºC) – é bem mais frio do que nos outros lugares que passei. Quanto aos preços, de fato, tive que reduzir o padrão do alojamento aqui em Berna.

A Suíça – ou Confederação Helvética (nome oficial, daí a sigla CH) – é um país singular no contexto europeu. Primeiro, porque se recusa a aderir à União Européia, fiel à sua tradição de neutralidade. É cercada por todos os lados por países da UE (com exceção do mínusculo Liechtenstein), mas prefere ficar de fora. Ao menos, aderiu ao Tratado de Schengen, o que faz com que não haja controles imigratórios e alfandegários em quem vem da França, da Alemanha, da Áustria ou da Itália.

Como não integra a UE, também não integra a Zona do Euro. Mantém a sua fortíssima moeda – o franco suíço –, que está mais forte do que nunca, daí a Suíça ter se tornado ainda mais cara. Em Trier, encontrei uma suíça que estava passeando pela Alemanha e estava encantada com os “baixos” preços para ela. Fiquei apreensivo quando ouvi isto…

Mas será apenas uma breve visita. A idéia é visitar Berna (PH), a capital, onde fico hospedado duas noite e depois sigo para Zurique (alemão: Zürich) para tomar o vôo de volta para São Paulo. Se der tempo, e eu vou trabalhar para que dê, pretendo visitar a cidade de St. Gallen, a leste de Zurique, onde há uma abadia inscrita na Lista da UNESCO. Outros pedaços da Suíça (como Lucerna e Genebra) ficam para outras vindas à Europa.

Como se trata da primeira vez na Suíça, vão lá algumas informações sobre o país:

A Suíça, assim como a Bélgica, não se estruturou na base de um Estado-Nação: tem quatro línguas oficiais com preponderância do alemão (falado em Berna e em Zurique). O que mantém a coesão social da Suíça, antes que a unidade lingüística, é a história comum dos povos que habitam este pedaço dos Alpes.

O país é um modelo precoce de (con)federação de seus cantões, onde não raro pratica-se o que se convencionou chamar “democracia direta”, isto é, os cidadãos por plebiscito decidem uma série de questões de Estado.

A Suíça tem por volta de 8 milhões de habitantes e uma altíssima qualidade de vida e renda per capita. É um país competitivo tanto em produtos tradicionais (queijos, chocolates, relógios, etc.), quanto em tecnologia de ponta.

Cheguei agora há pouco a Berna vindo de Estrasburgo com conexão em Basiléia (Bâle em francês e Basel em alemão).