Explorando Montevidéu – 1.ª parte

Pela primeira vez cheguei ao Uruguai por ar. Antes havia sido por terra e pelo Rio da Prata. O aeroporto que serve à capital – Aeroporto de Carrasco – impressiona pela modernidade. O que não muda é o tempo que me acolhe aqui: sempre nublado, alguma chuva, frio e muito vento.

Desta vez fiquei hospedado em Pocitos, região mais valorizada da capital e na orla do rio. O Rio da Prata, aqui em Montevidéu, parece um mar – não se vê a outra margem, na Argentina –, mas tem cor de rio mesmo, um marrom claro muito pouco atraente.

Gostei de Pocitos, onde há até uma prainha. Toda a orla do rio é acompanhada por um grande calçadão – de mais de 20 km – que os uruguaios chamam de ramblas, e que são perfeitas para uma caminhada no final da tarde.

Mas o dia começou mesmo retornando, 12 anos depois, ao Palácio Legislativo do Uruguai, um notável edifício todo revestido de mármore. Só abre nos dias úteis e eu me lembro bem que, quando aqui em 1999, pude fazer uma visita guiada a seu interior. O palácio é suntuoso se considerarmos que é a sede do Poder Legislativo de um país de 3,5 milhões de habitantes, mas é o reflexo da riqueza e autoconfiança dos uruguaios no início do século XX.

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De lá, para a famosa Praça da Independência, onde estão o moderno prédio sede do Poder Executivo e o Edifício Salvo, que era o mais alto da América do Sul quando de sua construção em 1927 e tem um inequívoco estilo art-déco.

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A praça abriga ainda o mausoléu do herói nacional – José Artigas – que fica embaixo de um monumento que domina a praça – a Porta da Cidadela, última reminiscência da Montevidéu antes da grande remodelação pela qual a cidade passou em 1833.

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Logo próximo da Praça da Independência está o belo Teatro Solís, que pude visitar com uma guia. Está totalmente reformado e merece muito ser visitado, talvez em um espetáculo. No meu caso, as duas apresentações que ocorrerão no fim-de-semana não me atraíram.

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A rua peatonal Sarandí passa por algumas de lojinhas e galerias de arte até que se alcança a Praça da Constituição – ou, extraoficialmente, praça da Matriz – onde está a Catedral de Montevidéu. A fachada é sóbria e o interior é bonito com destaque para um batistério todo em mármore logo na entrada do templo.

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A partir da Praça da Constituição até a “ponta” de Montevidéu, onde está o porto e o mercado, nota-se uma progressiva decadência dos imóveis e a zona quase chega a ser desagradável, mas há algumas coisas no caminho. Destaque para a Casa Rivera – onde há um interessante museu sobre a história do Uruguai, embora não aborde o período em que o Uruguai integrou o Império do Brasil –  e o Museu Indígena com um surpreendentemente variado acervo sobre arte indígena de toda a América Latina.

Dali, a cidade “termina” no Mercado do Porto e suas opções culinárias. Falo em seguida sobre isso.

República Oriental do Uruguai – 2011

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Estou embarcando agora para o Uruguai. Quase perdi esta viagem. Hoje o trânsito deu um nó em São Paulo, um dos piores dias de trânsito do ano – o que é estranho porque não choveu, não é feriado, mas enfim… coisas de São Paulo. Fato é que eu perdi o triplo do tempo do que normalmente gasto para chegar no Aeroporto de Guarulhos e tinha poucas esperanças de conseguir embarcar. Mas, dei sorte e o vôo atrasou um pouco e com isto consegui alcançá-lo.

Vamos a um resumo do destino:

O “Oriental” consta do nome oficial e é porque o país fica à margem direita do Rio Uruguai, que o separa da Argentina. O Uruguai tem 3,5 milhões de habitantes (aproximadamente a população do Espírito Santo) e sua área é de algo em torno de 175 mil km² (ou 2/3 do Estado de São Paulo).

É o segundo menor país independente da América do Sul, à frente apenas do Suriname. Mais da metade da população vive em Montevidéu e a esmagadora maioria dos habitantes é descendente de espanhóis e/ou italianos. 

O Uruguai é uma república unitária dividida em 19 departamentos. É culturalmente muito ligado à Argentina, embora haja diferenças. Seu ponto culminante tem apenas 514 metros de altitude, ou seja, o país é uma grande planície com 660 km de litoral, no qual está a famosa Punta del Este.

A língua espanhola falada no Uruguai tem duas caracterísiticas marcantes (também verificadas na Argentina): o voseo (pelo qual o pronome “tú” é substituído por “vos”, acompanhado de uma conjugação que na Espanha seria considerada incorreta) e o yeísmo (no qual o “ll” e o “y+vogal” são pronunciados aproximadamente como o “j” em português – na Espanha, o “ll” = lh em português e o “y” tem sempre uma pronúncia próxima da vogal “i”.  Os uruguaios falam “tá” (contração de “está” ou “está bem” do mesmo jeito que os brasileiros).

É a terceira vez no país. A primeira foi em 1999, quando fui de ônibus de Porto Alegre a Montevidéu e a segunda em nov/2005, quando visitei o único PH uruguaio: a cidade de Colônia do Sacramento, facilmente acessível a partir de Buenos Aires.

Desta vez, é só para passar o fim-de-semana mesmo, em uma escapada provocada por uma irresistível promoção aérea. Senti vontade de voltar a Montevidéu 12 anos depois. A idéia é perambular pelas ruas do centro, flanar pelas “ramblas”, comer umas carnes no Mercado do Porto, tomar vinho das potentes uvas Tannat – especialidade uruguaia – e alfajor de doce de leite de sobremesa, claro. 

Agora vou relaxar no avião… Ufa…