Avança a proposta de um novo Patrimônio da Humanidade no Uruguai

Foi favorável o parecer do ICOMOS acerca do pedido do governo uruguaio de inscrição da Paisagem Cultural e Industrial de Fray Bentos na Lista da UNESCO. A decisão final será tomada pelo Comitê do Patrimônio Mundial, que se reunirá em Bonn, Alemanha, entre o fim de junho e o início de julho próximos.

Dando tudo certo, será a segunda inscrição do Uruguai na Lista dos Patrimônios da Humanidade.

Pelo que se lê da justificativa apresentada pelo país sulamericano, a importância universal da Paisagem Cultural e Industrial de Fray Bentos decorre de seu  pioneirismo na industrialização da carne bovina, desenvolvendo o processo de enlatamento da carne, que, assim, a partir do séc. XIX, passou a ser exportada ao mundo inteiro e foi um dos mais importantes alimentos fornecidos às tropas aliadas nas guerras mundiais.

O lugar onde se situa Fray Bentos era estratégico: entre dois rios (Rio Uruguai e Rio Negro), o que facilitava a exportação via marítima e próximo das planícies uruguaias onde se produziu (e se produz) carne bovina de qualidade quase que incomparável.

Para ler o material (em francês): http://whc.unesco.org/en/tentativelists/5496/

Eu não sou muito fã de sítios considerados Patrimônios da Humanidade ligados à evolução histórica da indústria (embora reconheça sua importância) e minhas visitas a lugares assim (notadamente na Grã-Bretanha) foram frustrantes. Dificilmente eu toparia ir à cidade de Fray Bentos (no Departamento de Río Negro, a oeste do país) apenas para visitar os vestígios das indústrias de carne enlatada do séc. XIX, mas, de qualquer forma, vejo com bons olhos os esforços de países como o Uruguai em aumentar a participação sulamericana na Lista da UNESCO. Possivelmente, esta será a única inscrição do subcontinente no ano de 2015.

Leia mais: http://www.inforio.com.uy/noticia.php?id=1030

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Terremoto danifica Patrimônios da Humanidade no Nepal

O Nepal é um grande destino turístico: ali está o ponto mais alto da Terra e também ali está Lumbini, lugar do nascimento do Buda e onde fatos importantes ligados à sua vida e ao budismo ocorreram (Lumbini é PH desde 1997).

O Vale de Katmandu é PH (1979) foi duramente atingido, justo ele que engloba uma série de monumentos históricos ligados à cultura nepalesa, inclusive a Torre de Dharahara, que ruiu. Diz-se que era dela que havia a melhor vista de Katmandu.

O Nepal, que é um dos países mais pobres da Ásia, depende fortemente do turismo para sua economia. Muitos viajantes consideram o Nepal um dos melhores destinos turísticos do mundo. Dá pena ver isto.

Novas tentativas de Patrimônios da Humanidade da Tailândia: Chiang Mai e Wat Suthat, Bangkok

A Tailândia fez inserir em sua lista de Tentativas para PH a cidade de Chiang Mai, com o título: Monumentos e Paisagem Cultural de Chiang Mai, a capital dos Lanna http://whc.unesco.org/en/tentativelists/6003/.

Comentei sobre Chiang Mai aqui: http://www.aender.com.br/?p=6863 

Também noticia-se que a Tailândia apresentará em breve a proposta de inclusão de Wat Suthat e o Pórtico Gigante (Sao Ching Cha) em Bangkok, o que seria o primeiro PH em Bangkok, a esplêndida capital da Tailândia. É curioso que Wat Suthat não está entre os mais famosos e visitados templos budistas de Bangkok, como Wat Phra Kaew, Wat Pho ou Wat Arun.

Não entrei em Wat Suthat embora tenha-o visto por fora no caminho de volta para o meu hotel e também lembro-me de ter passado os olhos no Sao Ching Cha, uma estrutura em madeira situada em uma praça em frente ao templo e antigamente dedicada a festividades hinduístas. A região onde estão Wat Suthat e o Sao Ching Cha, aliás, concentra a comunidade hindu de Bangkok e cheguei a entrar em um templo hindu ali.

http://thainews.prd.go.th/centerweb/newsen/NewsDetail?NT01_NewsID=WNSOC5802220010042

Eu gostaria de retornar um dia a Bangkok.

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Pico do Fogo, em Cabo Verde, entra em erupção

Quatro meses após eu ter visitado a Ilha do Fogo e escalado o Pico do Fogo, tendo passado três noites em Chã das Caldeiras (ver relato aqui e aqui), o vulcão entrou no último dia 23 de novembro, depois de 19 anos em silêncio. 

Mil e quinhentas pessoas (moradores de Chã das Caldeiras) tiveram de ser evacuadas, já que a erupção (que abriu uma nova “boca”, a par das já existentes) provocou muitas explosões, lançou novos rios de lava e expeliu gases. Os prejuízos àquela comunidade, na qual pude conversar com muita gente há tão pouco tempo, ainda não foram calculados.

Eu me recordo de ver fumaça sendo exalada pelo vulcão (bem como cheiro de gás enxofre), mas em julho último a impressão que se tinha no Chã das Caldeiras é que o vulcão não iria despertar tão cedo (a última erupção foi em 1995), inclusive porque há uma espécie de “mito” (agora desfeito) de que as erupções teriam intervalos de 45 a 50 anos.

Passei excelentes momentos no Chã das Caldeiras e me dá bastante pena de imaginar que aquele povoado, habitado por gente tão simpática que, a despeito das dificuldades com abastecimento de água e energia elétrica, se esmerava em propiciar ao turista boas condições de alojamento, passeios e alimentação. Isto sem falar na incipiente e promissora indústria vinícola, agora com suas atividades bruscamente interrompidas. 

Fonte: http://www.voaportugues.com/content/erupcao-do-vulcao-do-fogo-aumenta-de-intensidade/2537154.html

http://www.voaportugues.com/content/erupcao-pode-mudar-completamente-a-cha-das-caldeiras-diz-investigador-caboverdiano/2534214.html

http://www.ionline.pt/artigos/mundo/erupcao-vulcanica-no-fogo-agrava-se-mais-uma-boca-lava

Brasil apresenta à UNESCO três novas tentativas de Patrimônios da Humanidade

O Brasil apresentou à UNESCO mais três Tentativas inscrição de lugares na Lista do Patrimônio Mundial. São eles: o Mercado Ver-o-peso, em Belém/PA; a Paisagem Cultural de Paranapiacaba, em Santo André/SP e o Sítio Arqueológico do Porto de Valongo, no Rio de Janeiro/RJ.
De acordo com os dossiês, o Brasil defende que há interesse mundial no Mercado Ver-o-Peso porque ele sintetiza, de maneira única, a cultura da região amazônica em suas práticas culturais e sua relação com o Rio Amazonas, que é meio de transporte, fonte de alimentos e de lazer. O Brasil ressalta que o mercado remonta ao séc. XVII e que, desde então, vem abastecendo a capital paraense com alimentos, artesanatos, remédios tradicionais, superstições e mitos da Amazônia. Em nov/2013, embarquei para o Suriname em Belém e acabei passando uns dois dias na cidade e fui visitar a parte da cidade onde está o Mercado do Ver-o-Peso e suas conhecidas torres azuis. A região ali tem outras atrações como o Forte do Presépio e a Catedral da Sé, assim como a agradável Estação das Docas, revitalizada com restaurantes e bares. Acho justa a tentativa de inclusão do Mercado Ver-o-Peso e acho que também outros pontos do centro de Belém deveriam ter sido considerados.
A Paisagem Cultural de Paranapiacaba é outro lugar que, na minha opinião, merece seu lugar na Lista da UNESCO. Paranapiacaba é um pequeno distrito do Município de Santo André (uns 3 mil habitantes) e foi fundada em 1865 para abrigar funcionários da companhia inglesa contratada para a construção das estradas de ferro que cortaram todo o Estado de São Paulo e que viabilizaram a exportação de café a partir do Porto de Santos. Paranapiacaba tem muitos vestígios desta influência inglesa. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) tem um passeio turístico de trem que sai 3 vezes por mês da Estação da Luz e vai até Paranapiacaba. Pretendo fazer este passeio nos próximos meses e depois eu conto aqui a respeito de Paranapiacaba.
Por fim, o Sítio Arqueológico do Porto de Valongo rememora o local de chegada de escravos trazidos da África para o Rio de Janeiro. A Paisagem Cultural do Rio de Janeiro já é Patrimônio da Humanidade, mas o Brasil quer enfatizar este ponto em razão de sua importância histórica. Também estão inscritos na Lista da UNESCO outros lugares ligados ao comércio escravagista como a Ilha de Gorée no Senegal. Não conheço este local e pelo que li os trabalhos arqueológicos são recentes.
O fato de o lugar passar a ser uma Tentativa de Patrimônio da Humanidade não garante a inscrição e o Brasil tem outros lugares que há anos aguardam apreciação, como comento aqui.

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