Áreas Protegidas do Cerrado – Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – PH n.º 89 – 1.ª parte

Cheguei ao meu 10.º PH visitado no Brasil que, como é sabido, tem 18 no total. As Áreas Protegidas do Cerrado (= PN da Chapada dos Veadeiros + PN das Emas) foram inscritas pela UNESCO em 2001. Interessa desta vez apenas o PN da Chapada dos Veadeiros (PNCV).

Esta é uma região alta do chamado Planalto Brasileiro, que ocupa uma parte importante do país. As altitudes variam de 600 a 1600 metros, por isto a temperatura média é mais baixa do que se esperaria na latitude 14º Sul.

Aqui estão algumas das mais antigas formações rochosas do mundo, com seus cânions e cachoeiras, atrativos turísticos típicos de terrenos com formação geológica antiga – como as Blue Mountains ou o Springbrook NP na Austrália, visitados há pouco.

É curioso o fato de que o Brasil mesmo ocupando a metade do continente sulamericano tenha ficado apenas com planícies (amazônica, costeira, do Pantanal, dos Pampas, etc.) e planaltos desgastados, tendo seu ponto culminante com modestos 3 mil metros aproximadamente. Os demais países da América do Sul (com exceção das Guianas, do Uruguai e do Paraguai) dividem a majestosa e extensa Cordilheira dos Andes, com vários picos acima dos 6 mil metros. Lembro-me de que falei a altura do ponto culminante do Brasil quando estava no Equador, no Peru ou na Argentina, as pessoas destes lugares se surpreenderam quando lhes disse que o imenso Brasil não tinha nenhuma montanha sequer com neves eternas.

Voltando ao PNCV, na fauna, destacam-se: cervo do pantanal, veado campeiro (cuja caça deu nome ao parque), lobo guará, ema, tatu canastra, seriema, capivara, anta, tucano e urubu-rei. Vamos ver se dou sorte de ver alguma coisa. Hoje vi só gralhas azuis. Na flora, são endêmicos: pau d’arco roxo, copaíba, aroeira, tamanqueira, jerivá, buriti e babaçu. Gostei de ver o pequizeiro, a árvore do pequi, uma fruta que acompanha o famoso arroz-de-pequi, prato típico goiano. 

Outra marca do PNCV são os cristais que, além de incrementarem a atividade econômica, motivaram a vinda para cá de esotéricos e pessoas ligadas em terapias alternativas. Estou hospedado em São Jorge, a alguns quilômetros de Alto Paraíso, e bem próximo do Parque Nacional.

O primeiro dia do feriado foi assim:  cheguei a Brasília no primeiro vôo saindo de Congonhas junto com o grupo de 7 amigos (comigo incluído) e, após alugarmos o carro seguimos direto para a CV. Visitamos o Vale da Lua, um lugar com formações rochosas que foram cavadas pelo córrego que passa ali e, depois, fomos para o “santuário” Raizama, com uma trilha, cachoeiras e uma impressionante cachoeira de 40 metros. Foi uma introdução à Chapada.

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Mas o mais legal mesmo foi hoje, já dentro do PNCV, com a trilha dos cânions. Após contratarmos o guia – exigência da administração do parque –, demos início à trilha entrando no coração do cerrado, totalmente preservado, com suas árvores retorcidas e sofridas, com suas folhas minguadas e flores. Não há sombras no cerrado, o que torna a caminhada mais dura pois, ao contrário do que eu imaginava, fez calor durante o dia, mesmo nesta época do ano – mas esfria bem à noite. Após uma hora mais ou menos, chegamos ao cânion 2, com bela foto do rio passando pelas duras paredes de rochas, formadas por sua força durante milênios.

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Abaixo uma delícia de poço para banho. A água é escura – o nome é Rio Preto –, mas muito limpa, fria o suficiente para afastar o calor. Uma delícia mesmo. É uma lavada no corpo e na alma.

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Depois, continuamos a trilha até um outro lugar com cachoeiras e outros dois poços para banho. Os banhos de cachoeira foram ótimos e o lugar é perfeito para ficar “lagarteando” e caindo na água sempre que se começa a sentir calor.

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