República de Cuba – 2017

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Minha viagem a Cuba contrariou tudo o que eu sempre havia planejado para visitar este que é o maior país do Caribe e um dos poucos regimes socialistas remanescentes no mundo.

Sempre pensei que iria a Cuba com o objetivo de conhecer, além da capital, várias cidades coloniais como Trinidad, Camagüey e Cienfuegos e tirar um tempo para praia (Varadero, Cayo Largo del Sur, Cayo Coco ou Guardalavaca). Mas não foi assim: acabei indo a Cuba para conhecer apenas Havana (La Habana) e o Vale de Viñales (no oeste da ilha). Considerei que a praia em Cuba é o que menos importa – há muitos países no Caribe em que, de interessante, só há praias – e que as cidades coloniais também não faltam na América Latina (só de cidades coloniais que são Patrimônio da Humanidade já devo ter visitado umas 20).

Portanto eu queria ver o que Cuba tem de único: um país caribenho governado (ainda) em um sistema econômico socialista e a sua cultura do tabaco – embora não seja a maior produtora mundial, Cuba tem enorme tradição no cultivo da planta com a qual são fabricados charutos.

Para isto, o tempo que eu dispunha foi suficiente. Fiquei enormemente feliz com minha ida a Cuba em janeiro de 2017 e não descarto voltar.

Apesar de sua pequena dimensão territorial (Cuba é pouco maior que Portugal) e de ser apenas o 12.º país mais populoso do continente americano (11 milhões de habitantes), Cuba nas últimas décadas sempre recebeu desproporcional atenção, inclusive no Brasil, justamente por suas peculiaridades política e econômica, sua força no esporte mundial (nas Olimpíadas de Barcelona, Cuba ficou em 5.º lugar em medalhas), sua música e seus drinks (mojito, daiquirí, ‘cuba libre’, etc.). Ninguém fica indiferente a Cuba, ainda que seja para reprová-la.

O degelo nas relações políticas Cuba-Estados Unidos fez com que, a partir do final de 2016, vôos comerciais regulares fossem estabelecidos entre os dois países. A excelente companhia americana JetBlue, que tem ampla atuação no Caribe, logo lançou voos diretos e com bom preço desde Nova York e foi num destes voos que eu cheguei a Havana, cidade que mistura os ingredientes de cultura latinoamericana, localização geográfica caribenha e as sequelas da ditadura instalada por Fidel Castro em 1959. O resultado é absolutamente fascinante.

O Centro Histórico de Havana (Habana Vieja) foi restaurado e hoje é um deleite para o visitantes que perambulam pelas ruas e vielas que ligam as quatro praças principais (Plaza de Armas, Plaza Vieja, Plaza San Francisco e a Praça da Catedral). Esta parte da capital e os fortes que a rodeiam são Patrimônio da Humanidade desde 1982. O Centro de Havana (que fica a oeste de Havana Vieja), conquanto seja tão interessante, revela muito mais as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia de Cuba: ali vêem-se os prédios decrépitos, os pequenos comércios autorizados, os supermercados com prateleiras quase vazias e os carros da década de 1950, pitorescos e extrememante poluentes. Há, depois, a parte mais moderna da cidade, o Vedado e seus edifícios e escritórios que, de qualquer forma, ainda não parecem estar vivendo na segunda década do séc. XXI.

Eu teria ficado feliz em ter permanecido em Havana durante toda a viagem. Não me encantava com uma capital latinoamericana assim desde Quito e a capital cubana hoje para mim é certamente uma das cidadas preferidas na América Latina, inclusive pela sensanção de segurança –  inusual para os padrões do subcontinente. Mas acabei fazendo um daytrip com a companhia de turismo estatal Cubatur para a Província de Pinar del Río, a mais ocidental do país, para visitar o Vale de Viñares, Patrimônio da Humanidade. Também fui a uma das Playas del Este, a poucos quilomêtros de Havana para curtir um banho de mar (sob os olhares perplexos dos cubanos, que consideravam uma loucura ir à praia com congelantes 25ºC do inverno boreal).

Estava em Havana no histórico dia 13 de janeiro de 2017, dia em que os Estados Unidos encerraram a política do “wet foot, dry foot” (que concedia acolhida automática aos cubanos que atingissem o solo americano), mais um capítulo no processo de normalização das relações diplomáticas entre os dois países, rompidas em 1959 e retomadas no governo Obama. Estar vivenciando a História, aliás, foi uma sensação recorrente durante minha estadia em Cuba.

mapa de cuba

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