Centro Histórico de Bridgetown e sua Guarnição Militar–PH n.º 203

Bridgetown é a capital de Barbados e é uma das maiores cidades das Pequenas Antilhas com algo em torno de 110 mil habitantes, o que é mais de 1/3 do total dos habitantes do país. É uma cidade bastante movimentada mesmo quando não há navios de cruzeiros ancorados em seu porto, há shopping centers e comércio de luxo, algo que não se encontra em outras capitais de países vizinhos como Granada e São Vicente e Granadinas.

Digo isto para apontar que o Patrimônio da Humanidade do “Centro Histórico” de Bridgetown, na verdade, corresponde a alguns imóveis e espaços públicos da capital barbadiana, que de forma alguma fazem contrastar uma “parte histórica” com uma “parte moderna” da cidade, como ocorre com tantos outros lugares. Bridgetown é uma moderna cidade caribenha, dentro da qual há alguns pontos que relembram sua história. Foi isto que a UNESCO inscreveu.

Lendo os relatórios que justificaram a inscrição de Bridgetown como PH, nota-se que pesou a favor desta cidade o fato de que ali tem-se um dos poucos exemplos, no Caribe, do estabelecimento de um núcleo urbano exclusivamente a cargo da Grã-Bretanha, desde quando o capitão Baden Powell reivindicou Barbados para a Coroa Inglesa em 1625. Os portugueses até chegaram a ir a Barbados, mas não se interessaram pelo lugar, inclusive por perceber que a ilha era, então, desabitada. Desde 1625 até a independência de Barbados em 1966 a ilha nunca esteve sujeita a influência de nenhuma outra nação europeia senão a Inglaterra.

Toda esta história é contada – de forma mais resumida do que eu gostaria – no Museu do Parlamento de Barbados, notável construção em pedra e em estilo gótico, no coração da cidade, datado de 1871. Esta construção em pedra combinaria perfeitamente com qualquer cidade inglesa e parece um pouco deslocada no calor dos trópicos e na brisa do Caribe, mas é um símbolo permanente das raízes britânicas de Barbados. Com exceção das terças-feiras, quando os parlamentares se reúnem, é possível visitar não só o Museu, mas também o interior do Parlamento – para isto, é necessário roupa social e sapatos (itens que eu jamais levarei a uma viagem ao Caribe).

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Outro ponto turístico óbvio da Capital é a Catedral Anglicana de São Miguel (1789), que batiza a Paróquia onde se situa Bridgetown (St. Michael). A catedral é notável por seu teto arqueado e em madeira e pelos túmulos que se espalham pelo pátio da igreja (e mesmo dentro da igreja), demonstrativos de gerações e gerações de barbadianos importantes que ali repousam. A herança britânica em Barbados faz com que mais de metade da população do país professe o anglicanismo.

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Houve em Barbados uma comunidade judaica bastante significativa no passado, reduzida hoje a alguns indivíduos. A sinagoga e o cemitério hebreu são pontos de interesse em Bridgetown e também integram o PH:

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A capital foi batizada em razão da Ponte sobre o Constitution River. Hoje há ali uma bonita ponte (Chamberlain Bridge) que tem a seus lados o Careenage com seus barcos e a Praça dos Heróis Nacionais, repleta de estátuas de figuras importantes da história do país, além de uma estátua ainda dedicada ao Almirante Nelson, herói da Batalha de Trafalgar – da mesma forma como na Trafalgar Square, em Londres.

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Eu fui algumas vezes a Bridgetown (estava hospedado na região das praias mais conhecidas da Paróquia de Christ Church, mais ao sul). Na primeira vez, fui num domingo e o lugar parecia uma cidade-fantasma – na maior parte dos países do Caribe, o descanso dominical é levado muito a sério. Nas outras vezes, a cidade estava fervilhando, em especial no sábado, dia das feiras.

A um quilômetro ao sul de Bridgetown está a área do Garrison, que também integra o PH. Ali é e foi a zona militarizada do país, local onde construído forte e instalações militares pelos ingleses. Hoje é conhecido pelo Garrison Savannah Area, uma imensa arena onde ocorrem corridas de cavalos e jogos de críquete e onde está o Museu Nacional – que eu acabei por não visitar.

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Pouca gente (eu inclusive) vai ao Caribe em busca dos vestígios de seu passado histórico. O que todos querem são as praias como a Carlisle Bay, muito próxima da capital e uma das melhores praias do país (foto abaixo). Ocorre que destinar um pouco do tempo em Barbados para entrar em contato com sua história e compreender a sua civilização, fazendo uma pausa entre um banho de mar e outro, também é uma ótima forma de aproveitar as férias.

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