Patrimônios da Humanidade e Tentativas de PH no Rio de Janeiro/RJ

A Paisagem Cultural do Rio de Janeiro é Patrimônio da Humanidade desde 2012. O que foi inscrito na Lista da UNESCO na cidade do Rio de Janeiro, ao contrário do que se pode imaginar, não é a cidade inteira, mas os pontos mais significativos de sua “paisagem cultural”, em especial, a adaptação urbana ao espaço natural do Rio de Janeiro, sua costa atlântica, suas montanhas e matas. Tanto que o nome oficial do PH é “Rio de Janeiro: Paisagens Cariocas entre as Montanhas e o Mar” .

O que está incluído como Patrimônio da Humanidade no Rio de Janeiro (também há componentes na cidade de Niterói) é:

1) A Floresta da Tijuca, a Serra dos Pretos-Forros e o Morro da Covanca, situados no Parque Nacional da Tijuca;

2) A Pedra Bonita e a Pedra da Gávea (Parque Nacional da Tijuca);

3) A Serra da Carioca (P. N. da Tijuca) e o Jardim Botânico;

4) Na chamada “Entrada da Baía da Guanabara”: o Aterro (Parque) do Flamengo; a Praia de Copacabana; o Pão-de-Açúcar e os Fortes Históricos de Niterói.

Para turismo, fui ao Rio em três ocasiões: em 1993, numa viagem com a família, quando pela primeira vez voei de avião; em 2004 e neste verão. Fui mais de uma vez ao Jardim Botânico, à Praia de Copacabana e ao Pão-de-Açúcar. Quanto ao Parque Nacional da Tijuca, desta vez fui até a chamada Vista Chinesa, mas não está claro se este ponto está incluído no PH. De qualquer forma, é uma delícia de passeio, em especial num dia claro.

Ocorre que, a despeito disto, o Brasil indicou 4 outros pontos na cidade visando sua inscrição, em separado, na Lista da UNESCO: estes 4 outros locais não se encontram abrangidos nos limites já inscritos e representam aspectos diferentes dos que pesaram em favor da inscrição do PH já existente.

As Tentativas de Inscrição existentes no Rio são, por ordem de indicação:

a) Igreja e Mosteiro de São Bento;

b) Palácio da Cultura, antiga sede do Ministério da Educação e Saúde;

c) Sítio Arqueológico do Cais do Valongo;

d) Sítio Roberto Burle Marx.

Estive nos dois primeiros em janeiro/2016.

O Mosteiro de São Bento, pelo que apurar, não é aberto à visitação, mas é possível ver a Igreja anexa ao mosteiro (dedicada a Nossa Senhora de Montserrat), que, embora não seja a mais impressionante do Rio – este título provavelmente deve ficar com a igreja de São Francisco da Penitência –, situa-se em um local aparentemente tranquilo da cidade e a partir do qual há uma vista muito boa da mais nova atração da cidade – o Museu do Amanhã.

Na proposta de inscrição, informa-se que no final do séc. XVI aqui neste local (Morro de São Bento) foi fundado o primeiro mosteiro beneditino, referência desta ordem eclesiástica no Brasil, com destacado papel na educação nos tempos do Brasil Colônia. A igreja atual é do séc. XVII, mas sofreu reformas e acréscimos no decorrer dos séculos.

Eu acredito que, embora seja inegável a importância dos beneditinos na história do Brasil, simbolizada pelo Mosteiro e Igreja de São Bento, esta tentativa de inscrição na Lista dos Patrimônios da Humanidade tem pouca chance de êxito.Falta-lhe, na minha opinião, o outstanding universal value que é o requisito primeiro para ser Patrimônio da Humanidade.

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O Palácio da Cultura, antiga sede do Ministério da Educação e Saúde é mais conhecido como o Edifício Capanema, situado bem no centro do Rio e é considerado por muitos como o marco da arquitetura moderna brasileira, pois na sua construção intervieram, ainda na década de 1940, nomes chaves da arquitetura brasileira do séc. XX, que depois expandiriam os seus projetos de arquitetura moderna por todo o país, culminando-se na cidade de Brasília.

Sob a supervisão de um dos mais importantes arquitetos dos tempos contemporâneos – Le Corbusier –, a equipe de por Lucio Costa, Carlos Leão, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcellos e Jorge Machado Moreira ergueu este edifício entre 1936 e 1945 – o prédio foi inagurado em 1947 –, para servir de Ministério na então capital do país.

A fachada hoje está em reforma (a foto abaixo é da wikipedia) e o prédio pode seguramente passar despercebido por quem anda pelo centro do Rio, mas deve-se compreender que, quando de sua construção causou enorme impacto em uma cidade habituada a prédios construídos até então apenas em estilo clássico, art déco ou art nouveau. Se hoje ele parece irrelevante, isto se deve exatamente pelo fato de que a sua proposta funcionalista se alastrou pelo Brasil ao ponto de serem incontáveis os imóveis construídos com base nos princípios corbuseanos que o inspiraram.

Vista norte do Edifício Gustavo Capanema.

No primeiro andar do edifício – que funciona hoje como a sede do Ministério da Cultura no Rio de Janeiro – há diversos trabalhos que remetem imediatamente a Brasília e a Belo Horizonte (Pampulha), que foram projetados com base nos mesmos princípios arquitetônicos e com a marca de Oscar Niemeyer.

Achei muito interessante a visita ao Edifício Capanema – que, de certa forma, é o embrião de um Patrimônio da Humanidade (Brasília) e de outra Tentativa de Patrimônio da Humanidade (Pampulha, Belo Horizonte). As chances de inscrição, porém, da mesma forma, me parecem remotas.

Na minha próxima ida ao Rio de Janeiro, quero ir ao Sítio Burle Marx e ao Cais do Valongo.

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