Tentativas de Patrimônio da Humanidade em Belém, Pará

Desde a atualização da Lista de Tentativas de Patrimônios da Humanidade do Brasil, o Pará passou a contar com duas tentativas de inscrição na Lista da UNESCO, ambas localizadas na capital e muito fáceis de serem visitadas.

A que eu acho que tem mais chances de dar certo é a chamada Teatros Amazônicos, que engloba o Teatro da Paz, na capital paraense junto com o Teatro Amazonas, em Manaus. Falei sobre ele aqui quando lá estive em fev/2013.

Da primeira vez que fui a Belém apenas vi de relance o Teatro da Paz e desta vez fiz muita questão de conhecê-lo bem. Fui o primeiro e único visitante para o passeio guiado que ocorre, de hora em hora, a partir das 9 da manhã. Há muitas semelhanças com o Teatro Amazônico – o que justifica a indicação conjunta à UNESCO – e achei o Teatro da Paz, no conjunto, mais bonito que o Teatro Amazônico, talvez pelo estilo neoclássico menos mesclado que o amazonense. Sua inspiração é o Teatro Scala, de Milão. 

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O Teatro da Paz foi inaugurado em 1878 e deve seu nome ao fim do conflito da Guerra do Paraguai, ocorrido em 1870. Boa parte de sua decoração veio da Europa: lustre e estátuas de bronze da França, piso português e mármore italiano. Oscilou períodos de glória e de abandono, mas está reformado e muito ativo: no dia em que fui havia uma fila enorme de pessoas aguardando para retirar ingressos para um espetáculo.

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Os Teatros Amazônicos são o testemunho de uma era, a da borracha, do esplendor e da decadência que se seguiu. Foram a tentativa de recriar, nos trópicos, o luxo e a cultura que só conheciam por parâmetro as capitais europeias, havendo uma concessão ou outra ao Novo Mundo, como araras e índigenas pintados no teto. 

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O outro lugar que se pretende Patrimônio da Humanidade é o Mercado Ver-o-Pes0, que, de acordo com o dossiê encaminhado pelo Brasil à UNESCO, sintetiza, de maneira única, a cultura da região amazônica em suas práticas culturais e sua relação com o Rio Amazonas, que é meio de transporte, fonte de alimentos e de lazer. O Brasil ressalta que o mercado remonta ao séc. XVII e que, desde então, vem abastecendo a capital paraense com alimentos, artesanatos, remédios tradicionais, superstições e mitos da Amazônia.

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O Mercado, que tem este azul inconfundível, se situa à beira-rio e ao lado da Estação das Docas. Dentro do mercado, o forte são as bancas de peixes e mariscos, mas há de tudo no entorno do mercado, como sucos e frutas amazônicas, temperos dos mais exóticos, etc. Dizem ser um local inseguro mas eu circulei tranquilamente com minha câmera e não fui incomodado por ninguém. Não sou um grande fã de mercados – a exceção é o Mercado Nishiki em Kyoto, Japão – e minha segunda ida ao Mercado Ver-o-Peso teve por objetivo maior ver a estrutura de ferro do séc. XIX, trazida da Europa – percebam que também ele é resultado da Era da Borracha.

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Moendo as folhas de mandioca, usadas para a preparação da maniçoba:

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Mas, como já disse aqui, o que eu gosto mesmo em Belém é da Estação das Docas, onde invariavelmente eu peço dois tacacás (eu gosto tanto que um só não me satisfaz) e também do extenso cardápio de pratos amazônicos, sorvetes de frutas amazônicas e até cervejas com um toque amazônico que servem ali. Já comentei sobre a culinária paraense no blog, aqui.

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