Îles du Salut (Ilhas da Salvação), Guiana Francesa

O passeio que mais gostei de fazer na Guiana Francesa foi às Ilhas da Salvação (fr. Îles du Salut), famosas em razão de terem abrigado uma infame penitenciária por um século (entre 1852 e 1953).

O lugar tornou-se conhecido mundialmente em razão do filme Papillon (1973) que conta a história (um tanto quanto fantasiada) do personagem Papillon (esta palavra significa “borboleta” em francês e se deve a uma tatuagem que Henri Charrière tinha no peito), seu encarceramento na Guiana Francesa e suas fugas e recapturas. Outro personagem do filme é o ainda jovem Dustin Hoffman, que interpreta outro condenado, o estelionatário Louis Dega.

Ao ver o filme, é possível se ter uma noção das barbaridades que eram cometidas pelo Estado Francês com os seus prisioneiros, que eram banidos da França para cumprir pena nos trópicos. Todos os condenados a mais de 8 anos não poderiam mais retornar à França e os condenados a menos tempo deveriam, após soltos, permanecer pelo mesmo período na Guiana antes de retornar à Europa. A ideia francesa era povoar sua possessão sulamericana e, claro, se livrar dos marginais.

A maioria dos prisioneiros, porém, morria pela dureza da viagem, de malnutrição ou pelas doenças tropicais, sem falar na guilhotina.

As ilhas ficam a 14 km da costa de Kourou (é possível vê-las da costa) e são três: a Ilha Royale, a Ilha de São José (fr. Saint-Joseph) e a Ilha do Diabo (Île du Diable) – foto abaixo.  Diariamente saem barcos de passeio para as Ilhas da Salvação que têm este nome em razão de, justamente por estarem fora do continente, eram menos propícias às moléstias tropicais que assolavam a Guiana (malária, febre amarela, etc.).

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Desembarca-se na maior ilha, a Royale, onde há até um hotel com restaurante, um museu, igreja e diversos imóveis ligados à administração penitenciária (abaixo, fotos do hospital, da igreja e suas pinturas e as celas). As ilhas são vulcânicas e não há propriamente uma praia a se aproveitar, embora seja possível o banho de mar.

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No museu, que funciona na confortável casa utilizada pelos diretores, é possível ler o relato da vida dos infelizes que foram parar na Guiana Francesa. Nem era necessário cometer um crime muito sério, por vezes pequenos delitos já importavam no envio do condenado (fr. bagnard) ao inferno que então eram as Îles du Salut.

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Hoje elas são bem mais aprazíveis: gostei de sentar na varanda do bar do hotel para ter esta vista (da Ilha do Diabo) e tomar uma bebida antes de me aventurar a dar a volta na ilha, tomada por coqueirais e floresta tropical.

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A outra parada que se faz é na Ilha São José: ali moram algumas pessoas ligadas ao Exército Francês, o que faz lembrar o fato de que, quando há lançamento de foguetes no Centro Espacial de Kourou, as ilhas são evacuadas pois os foguetes cruzam-nas.

É um passeio muito tranquilo – os catamarãs vão lentamente –, e é recomendável reservar antes, o que pode ser feito inclusive online.

As Ilhas da Salvação me fizeram lembrar um pouco Fernando de Noronha, onde também funcionou uma penitenciária, claro se desconsideradas as praias. Falei sobre isto aqui.

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