Matsuri de Saijō (Hiroshima)

Minha estadia em Hiroshima coincidiu com um dos principais festivais da região: o matsuri (festival) da pequena cidade de Saijō, cidade a meia hora de trem da estação de trens de Hiroshima. A Prefeitura de Hiroshima é uma grande produtora de saquê. O matsuri era, justamente, a festividade pela colheita do arroz (que ocorre no outono), ingrediente básico da produção da principal bebida alcoólica do Japão.

As barraquinhas de comida se espalhavam pela rua principal da cidade, havia inclusive uma de comida brasileira, na qual os japoneses podiam provar os misteriosos pastéis de carne e queijo e a exótica coxinha. O que valeu mesmo foi ter provado um takoyaki (bolinho de polvo) negro, com a tinta do próprio animal.

DSC01905

DSC01910

IMG_2384

Mas a animação estava no recinto onde ocorria a degustação de centenas de tipos de saquês, vindo de todas as partes do Japão, desde a setentrional Hokkaido até o meridional Kyushu. O participante, após pagar a quantia de ¥ 1.600 (R$ 50,00) recebia uma tacinha para ir degustando os saquês nas diferentes barracas, sempre dentro daquela organização afiada que caracteriza tudo no Japão. Além disto, recebia uma brochura com todos os saquês que estavam sendo oferecidos. Para mim, impossível ler a brochura e, então, minha tática era: eu chegava ao balcão escolhendo a região do saquê que gostaria de provar e pedia: おすすめ おねがいします! (Osusume, onegaishimasu! Sugestão, por favor!), ao que se seguia a pergunta: あまぇ? からえ? (Amae? Karae? Doce ou seco?) e estava tudo resolvido!

DSC01922

DSC01918

Um cartaz na entrada advertia que o saquê não mais seria servido acaso se notasse que o participante já estivesse embriagado, mas esta regra claramente não foi respeitada (ou a percepção de embriaguez no Japão seja distinta da que eu tenho)…. Eu mesmo saí bastante, digamos, abalado, do matsuri.  

O saquê é bebida fermentada (não destilada), com teor alcoólico similar ao vinho. Mas de tacinha em tacinha faz o seu estrago… Na volta, cheguei a dormir e deixar a passar o trem na parada em Hiroshima e quase fui parar em Yamaguchi, muitos quilômetros à frente.

DSC01917

O saquê é bebida que eu gosto, embora não a aprecie como os vinhos. Mas em Saijō pude perceber que, no Japão, o saquê atinge um grau de refinamento e sofisticação que possivelmente o iguale no trato a que é dado ao vinho na França ou na Itália.

Fui reconhecido por Yukari, que trabalha no hotel Reino Inn, onde eu estava hospedado e juntei-me à sua turma para dar prosseguimento à degustação de saquê. Foi muito divertido!

IMG_2387

Uma coisa que me chamou a atenção no matsuri foi a extrema preocupação dos japoneses com o lixo e o destinado que é dado a ele. Isto se percebe já no primeiro instante no Japão, mas num festival como este foi espantoso ver que a cidade continuava limpa e reciclando seu lixo, de acordo com suas diferentes modalidades. Abaixo, a foto da “Estação do Lixo”:

 DSC01906

DSC01907

O chão continuou, durante toda a festa, impoluto. Por que não conseguimos ser assim no Brasil? Não estou nem falando de reciclar o lixo produzido a qualquer momento (estágio do Japão), estou falando na extrema falta de educação e respeito de jogar lixo no chão!

DSC01909

Foi muito legal ter tido esta experiência no Japão!

2 respostas para “Matsuri de Saijō (Hiroshima)”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *