Guiana Francesa – 2015

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Em 2015, esta é a terceira vez que vou à França sem ter ido à Europa: vou à Guiana Francesa, departamento de ultramar francês situado na América do Sul. Antes, em julho, estive nos territórios de ultramar São Martinho e São Bartolomeu.

A Guiana Francesa (fr. Guyane Française) é a única porção continental de todas as Américas ainda sujeita à soberania de um país europeu. Embora seja pequena no contexto da América do Sul, tem 83,5 mil km² (é de longe o maior departamento francês em área), isto é, é maior que a Bélgica, a Holanda e Luxemburgo somados, boa parte deles tomados pela Floresta Amazônica.

Tem apenas 250 mil habitantes, mas com enorme variedade étnica: há desde franceses metropolitanos (brancos), até imigrantes do Laos (hmong), passando por descendentes de africanos, índios e imigrantes do Suriname, do Haiti e do Brasil. Apenas metade da população nasceu na Guiana.

A forte pressão imigratória faz com que a França exija visto de entrada de brasileiros – já que basta atravessar o rio Oiapoque para se atingir, a partir do Amapá, o território francês da Guiana e há graves problemas para a França envolvendo atividade ilegal de garimpeiros brasileiros.

Nenhuma outra parte de toda a República Francesa (incluindo deparamentos de ultramar e coletividades de ultramar) exige visto de entrada de brasileiros, exceto a Guiana Francesa. Quem tem passaporte de algum país da União Europeia, porém, tem livre acesso à GF e mesmo direito de residência de acordo com as regras europeias, plenamente aplicáveis.

Há uma ponte já construída sobre o Rio Oiapoque, ainda não operacional (em razão do atraso brasileiro nas obras de acesso, imigração e alfândega). Esta ponte permitirá o acesso terrestre entre Macapá-AP e Caiena (e, para além, ao Suriname e à República Cooperativista da Guiana). Detalhe: a ponte está pronta desde 2011…

Sendo um departamento de ultramar, a Guiana Francesa goza das mesmas prerrogativas jurídicas de qualquer outra parte da França Metropolitana (trato da organização político-administrativa da República Francesa aqui). A Guiana Francesa usa, portanto, o euro e seu mapa consta de todas as cédulas da moeda europeia. Aliás, por causa disto, a parte norte do Estado do Amapá (e consequentemente o Brasil) também aparece em todas as cédulas de euro!

Which territories are depicted in the box next to the map of Europe on the euro banknotes?

A capital da Guiana Francesa é Caiena (fr. Cayenne) e a segunda maior cidade é Kourou, lugar onde estão duas das maiores atrações da Guiana Francesa: as Îles du Salut e a Estação Espacial Europeia. As primeiras são um paraíso tropical e famosas pelo fato de terem abrigado presídios franceses no passado (ali ocorreu a história do prisioneiro Papillon, eternizada em filme de 1973 que eu assisti em preparação para esta viagem). O Centro Especial é um dos principais locais de lançamentos de satélites de todo mundo, aproveitando-se da proximidade com o Equador (o que facilita a propulsão dos foguetes), a baixa densidade populacional (para caso de acidentes) e a ausência de risco de terremotos e furacões.

A viagem vai ser corrida (mas suficiente, penso, para ver o essencial) e envolve uma escala em Belém-PA, cidade que me agradou muito quando lá estive em nov/2013, também para tomar um voo, rumo ao Suriname. Em Belém, vou buscar avidamente tomar um tacacá na Estação das Docas – um dos melhores lugares que conheço para passar um fim de tarde e início de noite – e também passar os olhos no Teatro da Paz, que passou a integrar uma Tentativa de Patrimônio da Humanidade do Brasil chamada Teatros Amazônicos juntamente com o Teatro Amazonas, em Manaus. Também quero visitar, mais apropriadamente, outra Tentativa de PH existente em Belém: o Mercado Ver-o-Peso.

Vamos então ver como é este pedaço da França que faz fronteira terrestre com o Brasil!

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