O Desafio dos 193

Na minha última ida aos Estados Unidos comprei o livro Chasing 193: The Quest to Visit Every Country in the World (trad. Perseguindo 193: A questão de se visitar todos os países do Mundo).

A obra consiste em se formular perguntas a um seleto grupo de vinte e poucos viajantes que atingiram o objetivo (ou estão próximos) de visitar todos os 193 países integrantes das Nações Unidas.

São pessoas com os mais diversos perfis – há desde empresário do setor de alarmes até bibliotecário –, mas têm em comum algumas características que achei curiosas: a maioria é solteira, têm uma curiosidade insaciável, estão dispostos a correr riscos consideráveis e a montar roteiros de viagens bastante eficientes. A maioria também fez uso de programas de milhagens e sacrificou enormes somas de dinheiro e de tempo no projeto.

Além da óbvia motivação, estes dois fatores realmente são indispensáveis: dinheiro e tempo. E são inversamente proporcionais: isto é, quem tem muito tempo consegue fazer viagens mais econômicas do que quem tem menos tempo. E quem gasta mais consegue fazer viagens mais rápidas e eficientes pois consegue comprar passagens mais ajustadas e gasta menos tempo em trajetos terrestres.

As porções mais fáceis da Terra são, naturalmente, a Europa, a América e o Extremo Oriente. As regiões mais desafiadoras são, em geral, a África, o Oriente Médio e a Oceania, mas cada país deve ser individualmente considerado: vistos, turbulências políticas e religiosas, guerras, conflitos separatistas, dificuldade de acesso, tudo isto influencia o objetivo de se atingir todos os países do mundo.

Há até pouco tempo, a Síria e suas maravilhas históricas eram um destino relativamente fácil. Hoje é impensável ir à Síria para ver o que sobrou de seu patrimônio cultural. O Irã, ao contrário, é um país cada vez mais aberto ao turismo. Até mesmo à Coreia do Norte é possível ir, desde que com uma excursão contratada na China e estando sujeito à estrita vigilância do Governo de Kim Jong-Un durante toda a viagem.

Há o desafio logístico: alguns países da Oceania (Tuvalu, Nauru, Ilhas Marshall) são alcançados apenas via aérea e com vôos caros algumas vezes na semana e sempre sujeitos a cancelamentos e outros aborrecimentos.

Algumas das perguntas que tornem o livro interessante são: quais foram suas maiores dificuldades?; o que você acha que perdeu em sua vida por passar tanto tempo fora viajando?; qual é o pior e o melhor lugar onde você passou uma noite?; onde você se sentiu mais fora de sua zona de conforto?

Eu me sinto muito atraído por este projeto de vida, embora não o tenha como foco exclusivo, até porque costumo voltar a países já visitados e também não desprezo regiões do planeta que não contam para os fins do 193-ONU (como os vários territórios que visitei no Caribe). Além disto, eu teria que reunir um ânimo extra para topar ir a países muito “problemáticos” da África (como Nigéria, Chade, República Centroafricana e Guiné Equatorial)  e da Oceania, sem contar os lugares mais perigosos da Terra hoje em razão do terrorismo islâmico (Síria, Iraque e Afeganistão). Isto sem falar, claro, no tempo e no dinheiro… Falo mais sobre isto aqui.

Segundo estimativas de entusiastas do assunto, apenas umas 100 pessoas até hoje conseguiram visitar todos os 193 países da ONU.

3 respostas para “O Desafio dos 193”

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