Passeando em Manaus/AM

Manaus tem atrações turísticas inusitadas e é uma cidade que vale a pena ser visitada, apesar de seu trânsito confuso e do seu calor intenso. 

A primeira delas é o Teatro Amazonas, no centro da cidade. É o símbolo mais conhecido e duradouro do período áureo da extração da borracha. Antes de seguir para Novo Airão dei uma passada lá e, na volta, com algum tempo livre em Manaus, tornei a visitá-lo, com mais calma.

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O Teatro Amazonas foi inaugurado em 1896, utilizando-se em sua decoração grande quantidade de materiais vindos da Europa. De fato, o estilo arquitetônico nada tem de autóctone e nem seria de se esperar outra coisa, dadas as circunstâncias históricas: ali tem-se um formidável exemplo de tentativa de traslado da arte e cultura europeias para o meio da maior floresta tropical do mundo. Apenas esta cúpula colorida remete ao fato de que se está na região equatorial brasileira. O Teatro Amazonas é muito bonito por dentro e eu destacaria como ponto alto da visita o Salão Nobre, com telas, piso de madeira machetada e teto com pintura.

salão nobre TA

Embora o ambiente seja clássico, há algumas alusões à cultura, digamos, brasileira, como esta tela Rapto de Ceci por Peri, personagens do romance O Guarani, de José de Alencar, que também é tema da ópera homônima de Carlos Gomes (O Guarani é uma bela composição, que, lamentavelmente, é mais conhecido pela horrenda adaptação que fizeram para anunciar o início daquele programa de rádio A voz do Brasil).

teatro amazonas

Uma parte do assoalho é composto de tábuas de madeira clara e escura, alternadas, simbolizando o encontro dos rios formadores do Rio Amazonas, fenômeno que ocorre em Manaus.

 piso amazonas

Por falar nisto, se houver tempo para fazer apenas uma coisa em Manaus, não tenham dúvida em escolher ir ao popular “Encontro das Águas”, local onde o Rio Negro depara-se com o poderoso Rio Solimões e depois seguem, lado a lado, sem “mistura” das águas, por vários quilômetros rio abaixo.

É um fenômeno natural tão impressionante que eu diria, até por desconfiar que nada parecido com isto exista no mundo inteiro, que se o Brasil indicasse o Encontro das Águas à UNESCO grandes seriam as chances de que fosse inscrito como Patrimônio Natural da Humanidade.

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As águas dos dois rios que se trombam em Manaus não se misturam dadas as suas notáveis diferenças: o Rio Solimões vem em velocidade muito mais alta que o Negro, suas águas têm mais sedimentos (são “barrentas”) que o Negro e a temperatura é diferente também. O Rio Solimões é pelo menos 4ºC mais frio que o Rio Negro. Colocando a mão bem ali onde as águas se encontram dá para sentir claramente a diferença de temperatura. Após quilômetros, as águas escuras do Rio Negro (que tem menor volume) cedem e o Rio Amazonas fica relativamente homogêneo até sua foz no Altântico.

No passeio que fiz ao “Encontro das Águas” – contratei diretamente com o barqueiro, sem intermediários, no porto da CEASA, por preço bem melhor que com agências de turismo –, também passei por uma vila de ribeirinhos que moram em casas flutuantes, além de um local com muitas vitória-régias, típicas da Amazônia (tanto que seu nome científico é Victoria amazonica):

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Por fim, não poderia deixar de falar da formidável experiência gastronômica que se pode ter no Amazonas. Para quem gosta de peixe de rio, não há destino melhor: tucunaré, pirarucu, tambaqui, surubim… eu almoçava e jantava peixe, só variava o tipo e pena que não tive tempo de provar mais.  De todos, o tambaqui, que experimentei no excelente restaurante Banzeiro, foi o que eu mais gostei.

E, ainda, uma grande novidade para mim: o tucumã, fruto de uma palmeira, do qual se consegue extrair um pouco de polpa amarela, com textura fibrosa mas amanteigada, boa para comer puro ou, como os amazonenses fazem, com pão, queijo-coalho e banana frita, no tal de “x-caboquinho”. Trouxe 1 quilo para São Paulo. O tucumã tem 3 vezes mais vitamina A que a cenoura. 

Fiquei com vontade de conhecer mais a região amazônica no futuro.

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