The Travelers’ Century Club

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Descobri isto na internet há algum tempo e fiquei fascinado. O nome deste “clube” é de difícil tradução porque a palavra “century” significa em inglês tanto “século” quanto “cento”, relativo a 100. O adjetivo “centenário” em português normalmente indica a idade de alguém  ou algo que atingiu os cem anos e para dizer a respeito de outras contagens utilizamos “centena”. Enfim, seria algo como “Clube dos Viajantes Centenários”, mas não porque eles tenham mais de cem anos (acho que alguns até têm…), mas “centenário” no sentido de que atingiram uma “centena”…

E “centena” de quê?

Uma centena de países visitados.

Este pessoal é dos meus, como se diz lá em casa.

Só pode integrar o clube, que tem sede e várias filiais pela América do Norte, quem consegue demonstrar já ter visitado ao menos cem países. Eles têm um próprio critério para definir o que é um “país” e a contagem atual chega a 320, bem mais que os 192 integrantes da ONU ou os 208 integrantes da FIFA. Para eles, mesmo uma região não sendo soberana (no sentido técnico da palavra dada pelo Direito Internacional Público), mas que apresente algum grau de autonomia política, geográfica ou etnológica, conta separado. No caso de colônias e territórios, também contam separado. E ilhas ou porções de terras distantes mais de 200 milhas também, desde que atendam os critérios acima mencionados. Por exemplo, eles contam Fernando de Noronha separado do Brasil, assim como a Ilha de Páscoa separada do Chile, Galápagos do Equador e o Alaska dos EUA.

Muito bem, mas como se considera “visitado” um país? Para o TCC vale até mesmo uma escala de avião na qual sequer se saia da aeronave ou uma atracagem no porto, sem descer do navio. Isto já conta. O ideal, lógico, é visitar alguma atração turística e eles pedem que os integrantes façam relatos – assim como eu faço aqui no blog para aumentar o acervo do TCC. 

Atingindo – e comprovando – os cem países, pode-se tornar um membro e participar das reuniões e viagens especiais que eles programam, além de acesso a um acervo restrito. Com 100 países, ganha-se o título de “well traveled” – “bem viajado” -, seguido do ano em que se atingiu a marca. Atingindo os 150 países, ganha-se “status” de membro-prata; aos 200, membro-ouro; 250, platina; 300, diamante e finalmente, completando todos, atinge-se o Special Award, a categoria máxima do TCC. Em 2010 uma pessoa, Bart Hackley Jr., da Califórnia, completou esta hercúlea façanha. No total, já são mais de 2.000 membros.

Eles têm uniformes, broches, e há vários eventos espalhados pelas filiais – todos, claro, adoram viajar e ir a eles – onde há troca de experiências e informações. Vez ou outra fretam um avião para visitar algum destino difícil. Há pouco tempo fretaram um avião para irem a Ilha de Wake, no Pacífico, território americano, remotíssimo, onde não mora ninguém e, assim, somaram mais um “país”.

De vez em quando eu entro no site deles, www.travelerscenturyclub.org e desta última vi que o Presidente do TCC, já sabendo da criação, nos próximos meses, de um novo país, o Sudão do Sul (cuja população, em plebiscito votou pela separação do Sudão), zarpou para lá, em uma viagem louca, que incluiu uma conexão na capital da Etiópia, atingindo Juba, a capital do novo país, onde não há, digamos, nada para se ver, a não ser pobreza. Boa parte do relato dele foi sobre o hotel, que cobrou 250 dólares a diária, mas mesmo assim alguns insetos foram descobertos nos lençóis da cama… e uma banda que ficou tocando até as 2 da manhã e não o deixou dormir. Bom, quando o número subir para 321, o Sr. Ronald Endemann já não terá que se preocupar em manter seu Special Award.

Pelas fotos, vejo que a média de idade dos membros do TCC é bem alta – muitos só conseguem completar a contagem após a aposentadoria quando sobra tempo para visitar países difíceis.

Minha contagem ainda é modesta – algo em torno de 48 pelos critérios deles, mas eu chego lá – integrar o TCC é uma das metas da minha vida. 

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