Centro Histórico de Salvador – jul/10

Dando continuidade aos relatos de patrimônios da humanidade já visitados no Brasil, chegou a vez do Centro Histórico de Salvador. Demorei muito a conhecer a capital baiana, mas fui em julho do ano passado, também no feriado de 9 de julho – que neste ano cai tristemente no sábado.

Fala-se muito mal de Salvador. Boa parte dos meus amigos torceu o nariz quando disse que ia para lá. Eu adorei. Acho que as pessoas criam expectativas exageradas ou não estudam suficientemente o lugar antes de irem e com isto se frustram. Antes de ir eu já sabia que o centro da cidade – onde ficam muitas atrações – sofreu degradação (e pergunto: qual capital brasileira não tem seu centro degradado?), que os vendedores ambulantes iriam me importunar, etc. Então fui preparado. E a importunação dos vendedores depende do quanto se dá corda… 

Após passar pelo pelourinho, que é uma ladeira com casas coloridas e de onde se tem uma vista bonita.

DSCF2520

Após subir o Pelourinho, fui direto para a Igreja e Convento de São Francisco, considerada pelo Guia Quatro Rodas como uma atração 5 estrelas – isto é, que vale a viagem por si só. Realmente vale. Só tenho foto da fachada porque evidentemente não se fotografa dentro.

DSCF2458

O interior da igreja é inacreditalvemente decorado em ouro sobre madeira, e não apenas no altar central, mas em toda a nave do templo. Dizem que foi empregado algo em torno de 800 quilos de ouro para produzir esta maravilha. Não sei se é verdade, mas o resultado final é realmente arrebatador. Pode-se ficar horas lá dentro apreciando. No pátio interno, azulejos portugueses.

Há muitas outras igrejas que merecem ser visitadas em Salvador, como a Catedral Basílica, em estilo bem mais austero, a Ordem Terceira de São Francisco, a Nossa Senhora da Praia, etc,

DSCF2461

e a famosa Igreja do Bonfim, que fica bem afastada e onde há o museu de ex-votos. Nas escadarias desta igreja, em janeiro, há uma cerimônia de lavagem das escadarias com água-de-cheiro, dos praticantes do candomblé. A Igreja repele a manifestação e fecha a grade como se pode ver abaixo, mas os devotos dos orixás lavam a parte que fica de fora. 

DSCF2500

Uma marca do candomblé na cidade são as estátuas dos diferentes orixás instaladas no Dique do Tororó, um lago que fica no meio da cidade e onde se pode fazer caminhadas bem agradáveis. Deste dique é que veio a canção “Eu fui no tororó beber água, não achei…”. Eu não sei identificar a quem cada estátua se refere.

DSCF2513

Há, obviamente, o Elevador Lacerda, que liga a parte alta da cidade (onde estão o Pelourinho, a Igreja de São Francisco, a Catedral, etc) à parte baixa, onde fica o mercado modelo. O desnível entre a parte alta e a parte baixa é tão grande, que criou a necessidade deste elevador que, imaginem, foi construído em 1872. Paga-se alguns poucos centavos para utilizá-lo. A vista que se tem, de cima, é lindíssima:

DSCF2471

Um lugar que gostei muito de conhecer em Salvador foi o Forte de São Marcelo, construído sobre um banco de areia na Baía de Todos os Santos para proteger o porto, ainda no século XVII. Ele foi completamente restaurado e vale muito a pena visitar, pelo acervo de fotos da Salvador antiga e pela vista, ao contrário: isto é, de baixo para cima, ficando clara a divisão entre a cidade baixa e a cidade alta.

DSCF2502

Outro lugar interessante é o Solar do Unhão, ou o Museu de Arte Moderna de Salvador. Quando fui, boa parte do acervo estava fechado ao público, mas foi um passeio muito agradável porque é uma antiga fazenda praticamente no centro de Salvador, com prédios coloniais, árvores centenárias e onde se pode pedir um café e ficar apreciando o pôr-do-sol.

Claro que não poderia deixar de falar do Farol da Barra, que fica em outro ponto da cidade, com praia ao lado e dentro exposições sobre temas náuticos. A minha foto ficou muito pobre em informação, pois havia ângulos muito melhores, mas dá para ter uma idéia:

 DSCF2522

Há inúmeras outras coisas em Salvador, cidade que merece ser visitada bem mais de uma vez, inclusive pela culinária. Vou ficar por aqui. Quando voltar para lá, falo mais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *