Centro Histórico de São Luís-MA–PH n.º 127

Mais uma promoção de milhas aéreas e mais um Patrimônio da Humanidade visitado no Brasil… Eu sempre planejei visitar São Luís (que fica a respeitáveis 3 horas e meia de vôo a partir de São Paulo) junto com os Lençóis Maranhenses. Mas com a promoção das milhas e com o pouco tempo que tinha topei visitar só a capital do Maranhão.

O Centro Histórico de São Luís do Maranhão foi inscrito como Patrimônio da Humanidade em 1997. Eu li todo o parecer do ICOMOS que recomendou a inscrição. Já na época havia preocupação quanto às medidas de preservação do local e houve efusivas recomendações para que o Poder Público planejasse e executasse ações neste sentido.

Eu noticiei neste blog que a UNESCO em mais de uma ocasião queixou-se do estado de conservação do PH e que paira sobre São Luís o risco de ser incluído na Lista de Patrimônios da Humanidade em perigo – um estágio anterior à exclusão da Lista dos PH.

Contrariando até mesmo as minhas expectativas, eu não achei ruim conhecer o Centro de São Luís. É notável que a região já de há muito deixou de ser a mais valorizada da cidade e isto se reflete no estado de conservação dos imóveis, no comércio e até na segurança. Nada muito diferente do que ocorre em São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, etc.

Há alguns pontos turísticos que merecem ser visitados.

Eu gostei do Palácio dos Leões – a sede do Governo Estadual – , que tem alguns ambientes ricamente decorados e uma deslumbrante vista a partir do pátio interno do Rio Anil. O passeio ao seu interior é feito com guias. O Palácio dos Leões situa-se no local onde os franceses fundaram o Fort de Saint-Louis em 1612 em homenagem ao Rei Luís IX (canonizado em 1297), na então chamada França Equinocial. São Luís, é bom lembrar, é a única cidade brasileira que foi fundada por franceses.

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São Luís foi retomada pelos portugueses logo depois, em 1615, mas não tardou até que o local fosse ocupado pelos holandeses, que lá ficaram entre 1641 a 1644. Após isto permaneceu em mãos portuguesas e a arquitetura do centro histórico reflete claramente esta influência.

Os prédios com fachadas azulejadas são, na minha opinião, o grande motivo para se visitar São Luís, embora, frise-se, o estado de conservação de alguns desaponte.

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Além da função decorativa, os azulejos ajudavam a amenizar a umidade e o calor, que, a pouco mais de 2 graus do Equador, é perene.

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À noite, o efeito da iluminação pública nestes imóveis os deixa mais bonitos.

Ainda merecem visita no Centro Histórico o Teatro Artur de Azevedo (foto abaixo, extraída da wikipedia), cujo início da construção é anterior à independência do Brasil e a Catedral, que é neoclássica.

Fui ao Museu Histórico e Artístico do Maranhão – mas o pomposo nome não faz jus ao seu acervo, que é pouco mais que um casarão com decoração típica do séc. XIX, sem singularidade.

Gostei mais da Casa do Nhozinho dedicada a um artista local que se dedicou a confeccionar artigos representativos da cultura maranhense, inclusive o bumba-meu-boi, que dá nome a uma das maiores festas do Maranhão – em julho se não me engano.

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Também lá há exemplares de artesato feito com palha das palmeiras desta região do Brasil – como o babaçu, a carnaúba e o buriti.

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Em um dia inteiro visita-se com sobra o Centro Histórico de São Luís, que encanta menos que Salvador ou Olinda, mas eu gostei de ver a adaptação da arquitetura tipicamente portuguesa – inclusive do azulejo – ao calor e umidade desta cidade que se situa pouco abaixo da Linha do Equador.

Aliás, esta “adaptação” foi um dos principais motivos para a inscrição de São Luís na Lista da UNESCO. Destaco um dos trechos do parecer do ICOMOS a respeito:

A “casa” maranhense é distinta do resto da arquitetura colonial no Brasil, tanto pela opulência dos materiais usados quanto por sua adaptação ao ambiente natural. A natureza única destas construções resultou em elegantes prédios azulejados, usados tanto para o isolamento térmico quanto para a decoração.

O Centro Histórico de São Luís foi o 16.º PH que visitei no Brasil.

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