O ambiente natural da Serra da Capivara: a caatinga

O PN da Serra da Capivara foi inscrito pela UNESCO na categoria “cultural”, em função de suas pinturas rupestres, uma riqueza incomparável que o Brasil possui. Mas a visita a este PH cultural é bem diferente do usual: para chegar às pinturas, há que se embrenhar na caatinga, um bioma tipicamente brasileiro.

Para mim foi uma grande experiência!

A carência de umidade, ou melhor, a irregularidade na existência dos recursos hídricos é a grande característica da caatinga e isto afeta todo o ecossistema, assim como a vida dos sertanejos que lá vivem.

Trata-se, assim, de um clima semi-árido, que pode ver volumes consideráveis de água durante alguns períodos do ano, de forma a viabilizar a atividade agropecuária, mas, também, pode ingressar em longos períodos de seca, que podem durar 2, 3, 4 anos. Por isto é que Euclides da Cunha disse que o sertanejo é antes de tudo um forte”, já que conviver com o drama da escassez de água não é para qualquer um.

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Este ano, pelo que me disseram, foi um ano bem seco, choveu muito pouco na estação das chuvas, em cujo final justamente eu visitei o sudeste do Piauí. Falou-se de uma “seca verde”, isto é, houve chuva suficiente apenas para que as árvores se cobrissem de folhagem, mas não para irrigar suficientemente o solo.

Caatinga é uma palavra cuja origem tupi-guarani remete a “mata branca”, em alusão ao cinza esbranquiçado da vegetação ressecada durante a temporada seca. Segundo o guia Rafael, este cinza da caatinga seca sob a luz da lua é que foi cantado por Luíz Gonzaga quando ele se referia ao “luar do sertão”.

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Ao andar horas a fio sob um sol inclemente (afinal estava no paralelo 8°S), às vezes sem uma nuvem sequer, fiquei pensando que em andanças similares na Mata Atlântica ou no cerrado, quase sempre a caminhada seria recompensada ao final com um banho de cachoeira ou de rio ou de mar. Na caatinga não há nada disso. Os córregos não são perenes e mesmo os que deveriam estar cheios em abril, neste ano, estavam completamente secos.

A despeito de tudo isto, o contato com a fauna aconteceu em várias ocasiões. Vi araras, periquitos e andorinhas voando, as pegadas de uma onça na areia, os onipresentes “mocós” (foto) – um roedor bem menor que uma capivara –, sem contar com as cabras, jegues e bois, que andam tranquilamente pelas rodovias.

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As árvores são adaptadas ao clima seco e poucas são frutíferas. Os cactos, claro, estão por todos os lados, mas fiquei feliz quando conheci um juazeiro, árvore cujo nome evoca muito a caatinga e o sertão. O juazeiro não se desfolha mesmo na seca. Segundo o meu guia, o sertanejo tem “respeito” por três árvores e não as corta, salvo em último caso: o juazeiro (foto), o umbuzeiro e o mandacaru.

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Aliás, a caatinga é uma enciclopédia sobre os cactos: ali se conhece e se aprende a diferença entre o xique-xique, o mandacaru, cabeça-de-frade (foto), dentre outros que esqueci.

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As formações rochosas na região da Serra da Capivara são também muito impressionantes e justificam, na minha opinião, plenamente, a inscrição também do Parque Nacional da Serra da Capivara como um Patrimônio Natural da Humanidade, de forma a se tornar um PH misto. Esta já é uma antiga tentativa do Brasil junto à UNESCO.

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