Parque Nacional da Serra da Capivara – Piauí – PH n.º 112 – 1.ª parte

A foto abaixo é da Pedra Furada, o principal símbolo do Parque Nacional da Serra da Capivara e, possivelmente, o maior ícone do Estado do Piauí.

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Não foram, porém, os atributos físicos desta região que lhe conferiram a inscrição na Lista dos Patrimônios da Humanidade, mas sim, as pinturas e gravuras rupestres que se encontram neste parque. Por isto, o PN da Serra da Capivara é um Patrimônio Cultural da Humanidade, embora o Brasil tenha solicitado à UNESCO a ampliação do PH para abranger também o seu entorno natural, consistente em um bioma típico do Brasil: a caatinga. Tal pedido ainda não foi deferido.

Em outras palavras, o Brasil deseja que o PH cultural do PN da Serra da Capivara torne-se um PH misto, algo como o que a UNESCO admitiu na inscrição de Uluru-Kata Tjuta, na Austrália. E, de fato, o passeio pelas formações rochosas onde se encontram as figuras produzidas pelo homem pré-histórico brasileiro envolve o contato com este ambiente semi-árido peculiar, distinto dos demais biomas brasileiros, o que também é uma experiência notável. Sobre isto falarei mais depois.

Agora importa mergulhar no fascinante mundo pictográfico que foi deixado por pessoas que habitaram esta parte do nordeste brasileiro. Estamos nos referindo a populações humanas que aqui estiveram mesmo antes das construções das Pirâmides de Gizé (no Egito), em tempos remotíssimos.

Segundo os estudos que foram feitos (e que continuam sendo realizados), boa parte das pinturas foi produzida entre 12.000 e 6.000 anos antes da era presente, mas há pinturas ainda muito mais antigas. Naquela época, a atual caatinga era mais úmida e, portanto, mais propícia à vida humana e animal.

Há mais dúvidas que certezas quanto a estas pinturas, a começar pelo motivo pelo qual as pessoas se ocuparam em produzi-las. A mais provável das hipóteses é que as pinturas serviam para a preservação de informações sobre o cotidiano – e, neste sentido, precedem a escrita –, bem como para o ensino.

Mas a variedade e a quantidade de pinturas é impressionante: são mais de 30.000 dentro e fora do parque e não se descarta o descobrimento de novas. Elas estão situadas em mais de mil sítios arqueológicos, dos quais pouco mais de cem podem ser visitados.

Por isto, quando falamos de Parque Nacional da Serra da Capivara, estamos tratando da maior concentração de sítios arqueológicos de pinturas rupestres do mundo. E, além disto, elas não se encontram limitadas a cavernas como é o caso de Altamira, na Espanha; Lascaux, na França ou da Cueva de las Manos, na Argentina; mas, sim, de um vasto conjunto espalhado por dezenas e dezenas de “tocas”, facilmente avistáveis em uma grande área.

Poucas experiências no Brasil, de acordo com a minha avaliação, são tão surpreendentes e instigantes como passar três dias (ou mais) no Parque Nacional da Serra da Capivara. É verdadeiramente um lugar único e a inscrição na Lista de Patrimônios da Humanidade (1991) foi muito merecida e ocorreu logo depois de o Brasil apresentar a tentativa à UNESCO.

Quanto às pinturas, as mais frequentes são as avermelhadas, produzidas com óxido de ferro (ocre), abundante na região. Há algumas enegrecidas feitas com material orgânico (ossos queimados) e também há com tonalidades amarelas, cinzas e até azuis (estas últimas são produto de uma reação natural que o tempo provocou sobre a cor preta).

Os temas das pinturas (e nem todos são facilmente decifráveis) são múltiplos. Deixo abaixo uma amostra. No próximo post, continuo a tratar deles.

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Esta abaixo é chamada de “o beijo”, embora não haja certeza de que os seres humanos primitivos praticassem-no:

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