Reservas de Mata Atlântica do Sudeste (mar/2012)

Dentro de algumas semanas eu vou passar a trabalhar no Litoral Sul de São Paulo. Fui para lá neste fim-de-semana para tratar de alguns assuntos e aproveitei para conhecer mais um pedacinho deste Patrimônio da Humanidade composto por nada menos de 25 áreas de proteção ambiental espalhadas entre São Paulo e o Paraná.

A UNESCO avalia que “as Reservas de Mata Atlântica do Sudeste, nos Estados do Paraná e São Paulo contêm alguns dos melhores e mais extensos exemplos de floresta atlântica do Brasil. As 25 áreas protegidas que compõem o Patrimônio da Humanidade (algo em torno de 470.000 hectares no total) in total) exibem riqueza biológica e contam sobre a evolução histórica das últimas florestas atlânticas. Das montanhas cobertas por estas florestas até os mangues, ilhas costeiras com montes isolados e até dunas, estas áreas compreendem um rico ambiente natural de grande beleza cênica”.

Eu já havia visitado este PH quando fui à Ilha do Mel, no litoral paranaense, em duas oportunidades. Agora, estando mais próximo do sudeste paulista (onde estão algumas destas reservas) poderei com mais freqüência e facilidade visitar as reservas florestais, algumas litorâneas, outras com cavernas e quase todas com belas cachoeiras, além da cobertura vegetal intocada.

Para ver o post relativo à Ilha do Mel, clique aqui.

É a primeira vez que visito a parte paulista deste PH (aliás, este é o único PH de São Paulo). Mas antes de descrever o passeio resolvi fazer uma tabela de todas as áreas de proteção da Mata Atlântica “do Sudeste” inscritas pela UNESCO em 1999. Algumas já contam com infra-estrutura turística e roteiros bastante consolidados, como o P.E.T.A.R. e a própria Ilha do Mel. Outras são quase desconhecidas.

  Área de proteção Est.   Município(s) Status legal
Juréia-Itatins SP Iguape, Peruíbe, Itariri, Miracatu, Pedro de Toledo Estação ecológica
Chauas SP Iguape Estação ecológica
Guaraqueçaba PR Guaraqueçaba Estação ecológica
Ilha do Mel PR Paranaguá Estação ecológica
Xitue SP Ribeirão Grande Estação ecológica
Guaraguaçu PR Paranaguá Estação ecológica
Superagüi PR Guaraqueçaba Parque Nacional
Jacupiranga SP Jacupiranga Parque Estadual
Ilha do Cardoso SP Cananéia Parque Estadual
Carlos Botelho SP Capão Bonito, São Miguel Arcanjo, Sete Barras, Tapiraí Parque Estadual
Pico do Marumbi PR Morretes, Piraquara e Quatro Barras Parque Estadual
Intervales SP Ribeirão Grande, Eldorado, Guapiara, Iporanga, Sete Barras Parque Estadual
Lauráceas PR Tunas do Paraná, Adrianópolis Parque Estadual
Alto Ribeira (PETAR) SP Iporanga Parque Estadual
Salto Morato PR Guaraqueçaba Reserva Privada
Serras do Cordeiro, Paratiu, Itapua, e
Itinga
SP Iguape Refúgio da Vida Silvestre
Serras do Arrepiado e Tombador SP Cananéia Refúgios da Vida Silvestre
Mangues ? ? Refúgio da Vida Silvestre
Serra do Itapitangui (e Mandira) SP Cananéia Refúgios da Vida Silvestre
Ilhas Oceânicas SP ? Refúgios da Vida Silvestre
Roberto Lange PR Guaratuba, Manguinhos Zona de Preservação turística e Parque Estadual
Serra da Graciosa PR Quatro Barras, Antonina, Morretes Zona de preservação turística
Pau Oco PR Morretes Zona de Preservação turística e Parque Estadual
Ilha Comprida SP Ilha Comprida Refúgio da Vida Silvestre
Pariquera-Abaixo SP Pariquera-Açu Parque Estadual

 

Eu estive na Estação Ecológica Juréia-Itatins, tendo por acesso a cidade de Peruíbe. A quase totalidade desta reserva é fechada à visitação – pela própria definição legal, uma estação ecológica destina-se apenas à preservação ambiental e à pesquisa científica.

Há controle na entrada da EE, a placa do carro é anotada e deve-se dizer até onde se pretende ir. Admite-se a ida até a praia da Barra do Una. Eu parei um pouco antes, na praia do Caramborê. O carro pode ser deixado em um “estacionamento” que é o quintal da única casa que se avista por ali.

Depois de uma trilha de 5 minutos chega-se à praia que é deserta e da qual se avistam as altas montanhas da Serra do Mar, cobertas de vegetação. A menos de 150 km da maior cidade do Hemisfério Sul consegue-se estar em um lugar completamente isolado com natureza intocada. A praia do Camborê lembra as praias da Ilha do Mel. 

cambore

A ida à praia do Camborê foi engraçada porque assim que comecei a descer a trilha para ir à praia, notei que uma cadela começou a me acompanhar, como que querendo “mostrar” o caminho. Assim que cheguei à praia e deixei minhas coisas na areia, notei que a cadela, que se chama Brisa, ficou ali como que “vigiando” enquanto eu tomava banho no mar. Depois, quando saí, lá foi Brisa comigo, com um senso de “responsabilidade” cada vez mais raro entre os humanos. 

image

Estas reservas naturais inscritas pela UNESCO são tesouros da vida selvagem ainda bastante pouco explorados pelo turismo – comparados com o que seriam acaso estivessem situados na Austrália ou nos Estados Unidos.

Como se pode notar na tabela que eu fiz, ainda há muito o que ver. De uma maneira geral, as reservas com praia e cachoeiras são melhor visitadas no verão e as que têm cavernas deve-se preferir no inverno (estação seca). 

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