Monumentos Romanos, Catedral de São Pedro e Igreja de Nossa Senhora em Trier, Alemanha – PH n.º 106

Trier é uma cidade alemã de pouco mais de 100 mil habitantes, muito próxima de Luxemburgo (algo em torno de 50 minutos de trem), no Estado da Renânia-Palatinado (Rheinland Pfalz). O nome alemão Trier em francês é Trèves e há quem traduza para o português como Tréveris. Diz-se que Trier é a cidade mais antiga da Alemanha.

Lendo a respeito desta cidade, fiquei bastante surpreendido em saber que suas atrações são construções de origem romana, porque não é fácil conceber que os romanos tenham chegado tão ao norte na Europa. Mas não só chegaram como construíram em 15 a.C. uma esplêndida cidade, chamando-a de Augusta Treverorum. Chegou a ser uma espécie de capital regional no Império Romano, nada menos que a capital da Gália.

Do ponto de vista histórico, aqui estão duas igrejas que são de capital importância: a Catedral de São Pedro e a Igreja de Nossa Senhora. Estes dois templos, que estão um ao lado do outro, foram construídos por ordem do Imperador Constantino para comemorar seus 30 anos no trono imperial. Constantino deu liberdade de culto aos cristãos (por volta do ano 313) no âmbito do Império Romano, tendo ele próprio aderido à fé cristã.

A repercussão da cristianização do Império Romano mudou para sempre a face do mundo e estas duas igrejas são testemunho vivo deste fato histórico importantíssimo. Evidentemente, elas passaram por grandes reformas e foram profundamente alteradas no decorrer dos séculos, sendo até difícil identificar algum elemento arquitetônico que seja, digamos, “original”, embora isto em nada diminua a sua importância história.

Além da igreja e da Catedral, outras construções romanas integram o Patrimônio da Humanidade aqui reconhecido em 1986

Normalmente, o primeiro impacto que se tem é com a Porta Nigra, um sensacional monumento romano que servia de entrada para a cidade. Fiquei estupefato com o grau de conservação deste imóvel, que tem três pisos superiores. Dentro dele lembrei-me na hora da visita que fiz ao Coliseu de Roma (que é PH no conjunto da Cidade Histórica de Roma). Nunca poderia imaginar encontrar um monumento romano tão grande e tão bem conservado na… Alemanha!

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Há muito o que ver em Trier, em um dia inteiro as atrações cabem apertadas. Eu gostei muito do Anfiteatro Romano e das Kaiserthermen (Termas Imperiais). Incrível a “atmosfera” romana que estes lugares ainda têm. Curiosos nas termas são os vários locais de banho: caldarium (águas quentes), tepidarium (águas mornas) e frigidarium (águas frias).

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O Patrimônio da Humanidade engloba vários edifícios, dentre eles apenas os Banhos de Bárbara (que estão fechados para reforma) e a Coluna de Igel (que fica fora do centro de Trier) eu não consegui visitar.

Fui até a Ponte Romana (Römerbrücke) sobre o Rio Moselle. Sempre me causa admiração ver pontes construídas pelos romanos ainda sendo utilizadas – inclusive com carros e ônibus – nos dias atuais. 

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As margens deste rio, o Moselle, são propícias para o cultivo de vinhas e tanto em Luxemburgo (por onde também passa), quanto na Alemanha produzem-se elogiados brancos.

Voltemos às igrejas. A Catedral de São Pedro tem fachada naturalmente românica, mas a Igreja de Nossa Senhora (em alemão: Liebfrauenkirche), à direita, já tem traços góticos. Estas duas majestosas igrejas sofreram maciça remodelação entre os séc. XI e XIII, mas estão no mesmo lugar e sobre os mesmos alicerces dos templos originais que Constantino mandou construir.

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O interior da Catedral de São Pedro (em alemão Dom St. Peter) é, como se espera de uma igreja em estilo românico, austero, embora o coro próximo ao átrio seja ricamente decorado em estuque branco:

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Conserva-se na Catedral de Trier, como relíquia, a túnica que, segundo o Evangelho de  João (19, 23-24) foi tomada pelos soldados romanos após a crucificação de Cristo, tendo os próprios soldados decidido não parti-la em pedaços por se tratar de uma peça sem costura, tirando a sorte para decidir quem ficaria com ela. Esta relíquia quase nunca é exposta: no séc. XX isto apenas ocorreu em 1933, 1959 e 1996. Mas entre 13 de abril e 13 de maio de 2012 esta rara oportunidade se renovará.

A Liebfrauenkirche é bem pequena mas evoca o fato de que a veneração à Virgem Maria remonta aos primórdios do Cristianismo:

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Ainda integra o PH em Trier a Basílica de Constantino (Konstantinbasilika), edifício com fachada desprovida de decoração e que tem estranhamente encravado um outro prédio com estilo radicalmente diferente. A Konstantinbasilika é hoje um templo protestante e estava fechada à visitação:

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Trier tem o mais espetacular conjunto de construções romanas ao norte dos Alpes. Mais ainda, tem duas igrejas umbilicalmente ligadas ao momento histórico em que o Cristianismo após alastrar-se por todo o Império Romano, acabou por impor-se como religião oficial.

Trier em algum momento chegou a ser praticamente a segunda cidade do Império Romano, atrás apenas de Roma – a ponto de ali residirem Imperadores como Constantino e os imperadores seguintes Constantino II, Valentiniano e Graciano. No contexto do declínio do Império Romano e da retração de suas fronteiras, Trier acabou sendo invadida por bárbaros (os godos) e, a partir de então, nunca mais recuperou a importância que já teve.

Uma última curiosidade é que Trier é a cidade natal de Karl Marx e há um museu na casa onde nasceu, mas eu não quis ir até lá.

Foi um belo passeio. Quem for a Luxemburgo deve separar um dia para ir a Trier. 

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