D. Pedro II no Líbano

Fui neste sábado a uma exposição no SESC Vila Mariana dedicada à visita que o Imperador D. Pedro II fez ao Líbano em 1876, quando a hoje República Libanesa integrava ainda o Império Otomano.

A ida de D. Pedro II representou o estopim da maciça imigração de libaneses para o Brasil, cujos descendentes hoje estima-se chegam a 8 milhões de pessoas, o dobro da população do próprio Líbano. Boa parte deles está em São Paulo e não seria exagero dizer que a capital paulista é uma das maiores cidades libanesas do mundo.

A influência libanesa em SP (e no Brasil) é notável. Kibe, esfiha, tabule, kafta, dentre outros, são pratos corriqueiros em São Paulo e a rede de fast-food árabe Habib’s compete de igual para igual com o McDonald’s.

Os libaneses e descendentes se destacaram no comércio e muitos enveredaram-se na política, só para citar alguns: o atual Vice-Presidente da República Michel Temer, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o ex-ministro da saúde Adib Jatene, o ex-governador de SP, Paulo Maluf. A comunidade libanesa fundou o famoso Hospital Sírio-Libanês.

Pois bem, esta história toda começou com a ida de D. Pedro II ao Líbano, onde declarou que os libaneses seriam muito bem recebidos no Brasil – o que de fato ocorreu. Boa parte dos que vieram eram cristãos maronitas: no Líbano está(va) uma das mais representativas comunidades cristãs do mundo árabe. Só mais recentemente, começaram a vir ao Brasil libaneses de religião muçulmana, concentrando-se em São Paulo, Curitiba e Foz do Iguaçu.

O Líbano me fascina há tempos. No ano passado faltou muito pouco – alguns metros – para eu pôr o pé no Líbano, já que fui até a fronteira com Israel, num lugar chamado Rosh HaNikra – ראש הנקרה –. Lá há belas formações em rocha calcária e até um teleférico. Hosh HaNikra fica justamente na fronteira.

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Mas a fronteira, como vocês podem ver na foto, é fechada e guardada por soldados armados até os dentes dos dois lados. Beirute estava a apenas 120 km dali, mas o acesso não é possível por esta via.

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O Líbano tem apenas 10.000 km² (menos de 1/4 do tamanho do Estado do Espírito Santo ou 4% do Estado de São Paulo), mas lá estão 5 patrimônios da humanidade: as cidades de Tiro, Biblos, Baalbek e Anjar e a Floresta dos Cedros (árvore que está na Bandeira Libanesa). 

Bandeira do Líbano

Nem precisa dizer a vontade que tenho de ir, embora advirta-se que ninguém entra no Líbano se tiver carimbo de Israel no passaporte. Hoje em dia a melhor forma de chegar a Beirute saindo de São Paulo é pela Qatar Airways, que às vezes tem passagens a bons preços. O vôo, naturalmente, faz conexão no Catar.

A exposição é bem pequena e simples, mas serve ao propósito de mostrar como D. Pedro II amava viajar pelo mundo – ainda que com um séquito de 200 pessoas. Foi duas vezes ao Oriente Médio (em 1871 e 1876), visitando o Egito, a Palestina, a Síria e o Líbano.

Fazia anotações em seu diário e não se importava com algumas dificuldades, como dormir em tendas. Procurava comportar-se como um viajante e não como um Chefe de Estado, além de estudar minuciosamente os destinos antes de ir vê-los. Para ir ao Oriente Médio, D. Pedro II chegou a aprender árabe.

As fotos expostas no SESC Vila Mariana, em especial de Baalbeck, estavam bem bonitas.

Gostei muito desta foto de um cedro do Líbano:

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