Tentativas de Patrimônios da Humanidade

Vale a pena aproveitar o gancho da ida a Montevidéu para falar deste tema, porque lá estão nada menos que 3 lugares que o Governo do Uruguai pretende inscrever na Lista da UNESCO.

São os países que primeiro identificam seus tesouros culturais e/ou naturais e os indicam à UNESCO para inscrição. A UNESCO avalia os lugares a partir de 10 critérios que fixam e orientam toda a apreciação sobre se um determinado ponto do globo merece ser etiquetado como Patrimônio da Humanidade.

São 10 os critérios (6 culturais e 4 naturais) que se adotam para a avaliação. Para que o post não fique longo demais, vou expor e analisar estes 10 critérios em separado.

Em tese, ao menos um dos critérios precisa ser satisfatoriamente preenchido para que o lugar reconhecido como PH. A UNESCO pode exigir medidas de proteção, de conservação, de restauração ou quaisquer outras providências para que o lugar esteja apto ao reconhecimento mundial. Também pesa a mobilização de governos e populações em prol da inscrição porque, embora os critérios técnicos sejam preponderantes, uma pitada de política – infelizmente – também conta.

Não fosse assim, o número de PH hoje inscritos seria substancialmente menor, já que o Comitê da UNESCO – com representantes dos países signatários da Convenção de 1972 e que é quem bate o martelo – não raro inscreve lugares mesmo com parecer contrário das comissões técnicas (ICOMOS).

Foi o que, na minha visão, aconteceu em 2010 quando na Reunião Anual da UNESCO – que estava ocorrendo em Brasília –, acabou-se por inscrever a Praça São Francisco em São Cristóvão-SE, mesmo contrariando o parecer técnico no sentido de que este lugar não preenchia minimamente os critérios para inscrição.

Enfim, independente de tudo isto, quem curte os Patrimônios da Humanidade deve sempre dar uma olhada na Lista de Tentativas, já que o que hoje é apenas o desejo de um país, amanhã pode ser um PH – e a cada ano esta chance se renova.

Em Montevidéu há 3 tentativas uruguaias de inscrição:

– O Palácio Legislativo;

– A Rambla;

– Os prédios representativos da arquitetura modernista do início do séc. XX, como o Edifício Salvo.

Todos eles foram abordados nos dois posts relativos a Montevidéu. Para acessá-los, ver a barra lateral ou clique aqui e depois aqui.

Eu já disse isto no blog e repito: é sempre bom ir conhecendo as tentativas, muitas delas são interessantíssimas – algumas até mais que alguns lugares já inscritos. Especialmente quando se vai a algum lugar cujo retorno não será simples, vale a pena, depois de ir aos PH, dar uma olhada nas tentativas, até para evitar, no futuro, o “ah, se eu soubesse…”.

O problema é que as tentativas, num primeiro momento, são reputadas de valor universal apenas pelo país que as indica, sem que isto tenha ainda sido confirmado pela UNESCO. Atualmente, há 1.496 lugares na Lista de Tentativas (uma vez e meia o número de Patrimônios da Humanidade já inscritos).

Vejam o caso do Uruguai. Não há dúvida de que Colônia do Sacramento foi com justiça inscrita na Lista de PH. Mas o que dizer da Rambla? É um calçadão muito bonito, interessante, mas isto tem valor puramente para o Uruguai – na minha avaliação. Quantos outros calçadões de orla há no mundo, como o de Copacabana ou o de Havana, igualmente importantes para a cidade onde ficam mas sem repercussão mundial? O mesmo vale para o Palacio Legislativo…

De qualquer forma, as coisas funcionam assim: se o país não as indicar, elas nem sequer chegam à apreciação da UNESCO. Por isto que o nome que lhes é dado é adequado: tentativas. Pode ser que um dia sejam inscritos, pode ser que nunca o sejam.

Alguém ficou curioso para saber quais são as tentativas do Brasil? Esperem até o próximo post.

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