Centro Histórico da Cidade de Colônia do Sacramento – nov/2005

Assim como a esmagadora maioria dos turistas, fui a Colonia del Sacramento a partir de Buenos Aires, saindo cedo a bordo de um barco moderno pertencente à companhia Buquebus. Embora o trajeto dure algo em torno de 1 hora, trata-se de uma viagem internacional e tem até lojinha free-shop dentro do barco que, por sua vez, é confortável, e o deslocamento entre as duas cidades é parte do divertimento e não o contrário, como costuma ser.

Ajuda muito o fato de que a travessia é sobre o impressionantemente largo Rio da Prata e que não há muito balanço, sendo baixa a chance de enjoar.

Pois bem, feitas as formalidades de imigração, está-se no Uruguai e com Colonia del Sacramento para se desbravar em algumas horas – que são suficientes, não sendo necessária pernoite. Só se justifica passar a noite lá se a cidade de partida for Montevidéu.

Colônia do Sacramento foi o primeiro ponto de povoamento no que hoje é o Uruguai e sua fundação se deu pelas mãos do governador da Capitania do Rio de Janeiro, o português Manuel Lobo, em 1680. Interessava à Coroa Portuguesa marcar sua presença em tão estratégica localidade – a foz do Rio da Prata por onde passavam as riquezas minerais extraídas do Peru e da Bolívia.

Mais ainda, Portugal pretendia furar o monopólio comercial que a Espanha havia decretado entre as colônias e a metrópole, contrabandeando produtos para a cidade de Buenos Aires, logo ali do outro lado do rio.  

Tão-logo tomou conhecimento da ousadia portuguesa, a Espanha reagiu e invadiu o novo assentamento português e a cidade de Colônia do Sacramento mudou de mãos várias vezes (alternando-se entre a Espanha e Portugal) por mais de cem anos seguintes à sua fundação.

Em 1777, o Tratado de Santo Ildefonso fixou que a região caberia à Espanha, mas Portugal, em 1816 tomou novamente o território, naquilo que os uruguaios chamam de Invasión Luso-Brasileña e que os brasileiros chamam de Incorporação da Cisplatina.

Com a independência do Brasil, em 1822, Colônia do Sacramento – assim como toda a Banda Oriental, o Uruguai – passou ao Império do Brasil e com ele permaneceu até 1828 – quando se proclamou a República Oriental do Uruguai.

É notável a marca portuguesa em Colônia do Sacramento, pelo calçamento da cidade e pelo traçado urbanístico. Muita gente acha que Colônia parece-se com Paraty-RJ, mas eu na época não havia visitado ainda Paraty (só fui em fev/2007), então não tinha como comparar e nem sei se esta comparação é justificada.

O mais gostoso em Colônia é ficar perambulando pelo centro histórico – que melhor se alcança a partir do belo Portón de Campo , pedir um café ou tomar uma taça de vinho e ficar vendo o movimento da cidade às margens do Rio da Prata no Paseo de San Gabriel ou na gostosa Plaza de Armas, que tem muita sombra. A ruela mais bonita da cidade é a Calle de los Suspiros, lugar excelente para fotos.

Outros pontos de visitação são a Igreja Matriz – a mais antiga do Uruguai –, o Farol e o Convento de São Francisco.

Colonia del Sacramento tem vários pequenos museus – eu, lamentavelmente, não visitei –, e que podem ser visitados com um único tíquete e fecham apenas uma vez na semana, cada um em um dia diferente, de forma que sempre se pode visitar quase todos.

Um lugar curioso é uma grande plaza de toros chamada Real de San Carlos, que não mais funciona para este fim, se é que funciona para alguma coisa. O lugar tem aspecto decadente, mas é um passeio interessante e há uma prainha ali próximo.

O Centro Histórico da Cidade de Colônia do Sacramento é Patrimônio da Humanidade desde 1995 e não há outro PH no Uruguai, embora o país tenha 7 tentativas apresentadas à UNESCO – três delas em Montevidéu.

Então fica a dica: quando forem a Buenos Aires, separem um dia para ir a Colônia do Sacramento, comprando as passagens pela Buquebus, que oferece inclusive pacotes das passagens + almoço + um city tour. Eu não saberia dizer se, hoje em dia, é mais negócio comprar o pacote ou apenas as passagens e ficar livre em Colônia. Como perambular por Colônia é o que de melhor há para se fazer lá, evitem ir em dias chuvosos.

Eu perdi os arquivos digitais das fotos que fiz lá em 2005. Todas as fotos que colei no post foram coletadas na internet.

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