Brasil apresenta 6 novas tentativas de Patrimônios da Humanidade à UNESCO

O Brasil resolveu engrossar ainda mais a sua Lista de Tentativas de Patrimônios da Humanidade (em 2014 indicou três lugares), tendo apresentado as seguintes propostas de inclusão da Lista da UNESCO:

1 – Teatros da Amazônia. Fazem parte da tentativa o Teatro Amazonas, em Manaus/AM e o Teatro da Paz, em Belém/PA. De acordo com a justificativa apresentada pelo Brasil, eles são símbolos do “boom da borracha amazônica”, no séc. XIX e representam o esforço de trazer a civilização europeia para os trópicos. Eu visitei o Teatro Amazonas em fev/2013 (ver aqui) e, embora tenha passeado pelo centro histórico de Belém, não entrei no Teatro da Paz.

2 – Conjunto de Fortalezas Brasileiras. Muitos fortes espalhados principalmente pelo litoral brasileiro foram incluídas nesta tentativa, representativos da arquitetura militar entre os séculos XVI e XIX (ou seja, principalmente construídos por portugueses) com objetivo de defesa do território brasileiro contra invasões e ataques estrangeiros. A lista é a que posto abaixo. Deles, recordo-me de ter visitado o Forte de Santo Antônio da Barra e o Forte de São Marcelo, ambos em Salvador/BA. Este último, em particular, por estar em uma ilhota a algumas dezenas de metros da costa e ser muito bem conservado, chamou-me muito a atenção. Falei sobre estes fortes soteropolitanos aqui.

Forte de Santo Antônio de Ratones – Florianópolis/SC
Forte de Santa Cruz de Anhatomirim – Gov. Celso Ramos/SC
Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande – Guarujá/SP
Forte de São João – Bertioga/SP
Fortaleza de Santa Cruz da Barra – Niterói/RJ
Fortaleza de São João – Rio de Janeiro/RJ
Forte de Nossa Senhora de Montserrat – Salvador/BA
Forte de Santo Antônio da Barra – Salvador/BA
Forte de Santa Maria – Salvador/BA
Forte de São Diogo – Salvador/BA
Forte de São Marcelo – Salvador/BA
Forte de São Tiago das Cinco Pontas – Recife/PE
Forte de São João Batista do Brum – Recife/PE
Forte de Santa Cruz de Itamaracá – Itamaracá/PE
Forte de Santa Catarina – Cabedelo/PB
Forte dos Reis Magos – Natal/RN
Fortaleza de São José – Macapá/AP
Forte do Príncipe da Beira – Costa Marques/RO
Forte Coimbra – Corumbá /MS

 

3 – Açude do Cedro nos Monólitos de Quixadá/CE. Deste aqui eu nunca havia ouvido falar. Mas, lendo a respeito, vi que estes monólitos (ou monolitos) são consideradas como exemplos de “inselbergs” no Brasil. As “inselbergs” são formações rochosas erosionadas típicas de ambientes áridos ou semi-áridos. Há, também, vestígios arqueológicos no local. O Brasil também quis enfatizar a “caatinga”, bioma que abrange 10% do território nacional. Quixadá fica a 167 km de Fortaleza.

4 – Geóglifos do Acre. Pelo que consta, há no interior do Estado do Acre, 306 geóglifos (estruturas cavadas no solo formando, com paredes e diques, figuras geométricas de diferentes tamanhos), descobertos na década de 1970, que teriam sido produzidos por povos indígenas entre 200 a.C. e 1300 d.C. Pouco se sabe sobre isto ainda, mas certamente podem trazer valiosas informações sobre o processo de povoamento da Amazônia. Geólifos muito famosos na América do Sul são as Linhas de Nazca (Patrimônio da Humanidade), no Peru.

5 – Itacoatiaras do Rio Ingá/PB. Este lugar eu já estava com vontade de visitar. “Itacoatiara” é palavra tupi para “escrita ou desenho na pedra”. E em Ingá, Município a 105 km de João Pessoa, há um extraordinário sítio de arte rupestre na Pedra do Ingá. Esta pedra tem 24 metros de comprimento e 3,5 de altura, repletas de inscrições feitas pelo homem que viveu no nordeste brasileiro entre 10.000 a.C. e 1.400 d.C. Lembrou-me, muito, claro, do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí.

6 – Sítio Roberto Burle Marx/RJ. Uma homenagem ao grande paisagista brasileira Burle Marx, com a designação deste jardim tropical, projetado por ele, na cidade do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro, aliás, torna-se, assim, um hotspot de lugares que pretendem ingressar na Lista da UNESCO, pois dos 24 lugares que tentam, nada menos que 7 estão no Estado do RJ – sem prejuízo da Paisagem Cultural do Rio de Janeiro, que já é Patrimônio da Humanidade.

Atol das Rocas

A UNESCO classificou como Patrimônio da Humanidade, sob o título de “Ilhas Atlânticas Brasileiras”, além de Fernando de Noronha, o Atol das Rocas.

Este lugar extraordinário situa-se a 267 km de Natal e a 148 km de Fernando de Noronha. Seu perímetro é de 7 km.

O Atol das Rocas é o único atol do Atlântico Sul. No Oceano Atlântico há 27 atóis, 26 deles no Caribe. Por definição, “atol” é uma formação resultante de um crescimento coralino que normalmente se assenta sobre um monte vulcânico rebaixado (submerso). Também é característico dos atóis que possuam uma laguna total ou parcialmente delineada pela coroa recifal.

Não há turismo no Atol das Rocas. Ali funciona um farol, necessário em razão do perigo da navegação pela área pela baixa profundidade. Foi ali construída uma estação científica, mas não há população permanente, apenas atividades ligadas à defesa e à investigação científica, pois o Atol das Rocas é lugar de riquíssima fauna marinha e ponto de passagem de aves migratórias.

 

É, portanto, em condições ordinárias, impossível visitar o Atol das Rocas. Já li relatos de pessoas que, navegando pelo Atlântico, acabaram visitando o lugar, embora isto seja provavelmente proibido.

Esta é (mais uma) notável riqueza do Brasil.

Ilhas Atlânticas Brasileiras: Fernando de Noronha e Atol das Rocas–PH n.º 124–4.ª parte

Vou publicar mais algumas fotos de lugares em Fernando de Noronha que eu gostei de ter ido.

A abaixo é da Baía dos Golfinhos, cujo ponto de visualização se alcança por uma trilha a partir do Sancho. A Baía dos Golfinhos já fica dentro do Parque Nacional de Fernando de Noronha, que ocupa 8 dos 26 km² do arquipélago. Para ver os golfinhos, o melhor horário é entre 6 e 7:30 da manhã.

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No “Mar de Fora” a praia considerada mais bonita é a do Leão nome dado em razão de uma ilha que fica em frente e que lembra um leão-marinho deitado (?). As praias do “Mar de Fora” são ainda mais selvagens que as do “Mar de Dentro” e a do Leão tem ondas fortes.

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A Praia da Atalaia, também no “Mar de Fora” tem acesso controlado, apenas com um guia se pode ir pela trilha até as piscinas naturais que lá existem. Eles deixam fazer um snorkelling de 30 minutos nestas piscinas onde cheguei a ver um tubarão pequeno (é verdade!):

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Fernando de Noronha tem fuso horário com uma hora a mais que Brasília, exceto no horário de verão, quando os horários coincidem.

Lá está a BR-363, com aproximadamente 7 km de extensão e que é a espinha dorsal de todos os deslocamentos pela ilha. Incrivelmente a BR-363 não é  a menor do Brasil – a menor de todas é a BR-488 que liga a Rodovia Presidente Dutra (BR-116) ao Santuário Nacional de Aparecida e que tem apenas 5,9 km.

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Eu gostei muito de ter ido a Fernando de Noronha. Gostei da tranquilidade que se tem lá e acho que foi importante não ter ido na alta temporada. Sem dúvida é um dos mais belos PH que visitei até hoje.

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Ilhas Atlânticas Brasileiras: Fernando de Noronha e Atol das Rocas–PH n.º 124–3.ª parte

Ninguém vai a Fernando de Noronha tendo como objetivo principal conhecer seu patrimônio histórico. Mas, uma vez lá, e depois de muita praia e mergulho, não custa ver as construções ou ruínas que evocam a história deste pedaço do Brasil no Oceano Atlântico.

O arquipélago foi descoberto bem no início do séc. XVI  e chegou a ser mencionado em escritos de Américo Vespúcio – aquele navegador que acabou dando nome a todo um continente. Fernando de Noronha acabou sendo invadido em diferentes épocas por ingleses, holandeses e franceses até que os portugueses o reconquistaram definitivamente em 1737.

A igreja (foto abaixo), dedicada a Nossa Senhora dos Remédios – daí o nome Vila dos Remédios, a “capital” de FN –, começou a ser construída neste mesmo ano. Sua última restauração data de 1988 e ela preserva traços inequívocos do barroco português, comum em diversas outras cidades coloniais no Brasil.

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Também desta época é o Forte de Nossa Senhora dos Remédios, construído sobre ruínas de um forte holandês e que se situa em uma elevação com vista estratégica da própria vila, do Morro do Pico e das praias próximas. Não há controle de visitação e o aspecto é de abandono. Há vários outros fortes em FN, mas este é o maior.

Muito interessantes – embora igualmente descuidadas – são as ruínas de imóveis que serviram como instalações penitenciárias em Fernando de Noronha. O arquipélago, por sua posição, prestou-se como presídio desde a retomada portuguesa no séc. XVIII e assim permaneceu, em maior ou menor escala, até a década de 1940, acolhendo inclusive prisioneiros políticos do Estado Novo getulista.

Pelo que li em vários lugares – e cuja veracidade não posso afirmar –, o confinamento em Fernando de Noronha era considerado “infernal” pelo insuperável isolamento, carência de víveres e impossibilidade de contato com familiares. Embora a distância do continente seja imensa, não raro, detentos aventuravam-se em embarcações improvisadas, de forma que a eliminação das árvores do arquipélago foi uma medida que chegou a ser adotada pela Administração, com intuito de evitar a construção de barcos.

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É isso: o hoje “paraíso” dos turistas já foi o “inferno” de condenados para lá enviados.

Ilhas Atlânticas Brasileiras: Fernando de Noronha e Atol das Rocas–PH n.º 124–2.ª parte

A Baía do Sancho, de que falei no post anterior, fica no que se chama de “Mar de Dentro”, voltado para o norte, onde as águas são mais calmas e melhores para banho. Bem ao lado do Sancho está a Baía dos Porcos, com apenas 100 metros de areia e ali estão os Dois Irmãos, símbolo do arquipélago. Chegar à Baía dos Porcos implica caminhar sobre pedras a partir da praia da Cacimba do Padre. É ótimo ponto de mergulho com snorkell.

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Outro ponto de referência em Fernando de Noronha é o Morro do Pico. A foto abaixo foi feita na Praia da Conceição que é separada da Praia do Boldró pelo pico.

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Na Praia do Boldró ocorre a abertura de ninhos de tartarugas-marinhas. Em FN há uma importante base do Projeto Tamar, que cuida da preservação destes répteis. Na sede do Projeto Tamar à noite, há palestras sobre temas ambientais.

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Uma prainha encantadora que há em FN é a do Cachorro, que fica a passos da Vila dos Remédios, o principal núcleo urbano da ilha e que era a antiga capital do Território Federal.

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Para quem vai a Fernando de Noronha com pouco tempo – como no meu caso, que fiquei 5 dias apenas – recomenda-se um passeio chamado Ilhatur, que dura um dia inteiro e que leva às principais praias, tanto do Mar de Fora quando do de Dentro. Apesar das boas recomendações, eu preferi ter um buggy desde o primeiro dia para ir visitando as praias de acordo com o que eu ia planejando. Embora não seja a alternativa mais ecológica, um buggy alugado em FN é muito conveniente.

Abaixo, a Praia da Cacimba do Padre com o Morro do Pico. Notem que as restrições ao turismo em FN permitem que praias cinco estrelas como esta fiquem quase vazias mesmo num dia de sol forte. É bom demais. 

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