Conjunto arquitetônico de turismo e lazer às margens do Lago da Pampulha–ago/2014

Com este pomposo nome, o Brasil apresentou esta tentativa de inscrição como Patrimônio da Humanidade à UNESCO em 1996 e especula-se que vá solicitar sua apreciação pelo Comitê do Patrimônio Mundial em 2016 (isto é, se conseguir apresentar, até 1.º/02/2015, toda a documentação exigida).

Estando em Belo Horizonte, evidentementemente, fui lá visitar o Lago da Pampulha e, em especial, a Igreja de São Francisco de Assis, uma emblemática obra assinada por Oscar Niemeyer. A Pampulha fica afastada do centro de Belo Horizonte mas no caminho do Aeroporto de Confins, de modo que tudo facilitou a minha ida.

Estive lá em um domingo à tarde e o lugar fervilhava de gente: havia jogo no Estádio do Mineirão (que fica nas proximidades), palco da infame derrota da Seleção Brasileira de Futebol nas semifinais da Copa do Mundo do Brasil/2014; um evento no Mineirinho e outro evento de música por ali, além de muita gente que aproveitou a tarde de sol para, como consta no título, o lazer às margens do lago.

Após finalmente conseguir estacionar o carro, fui até a Igreja de São Francisco: recordava-me nitidamente dela mesmo após muitos anos, mas ela estava fechada (alteraram os horários de modo que, aos domingos, fecha às 14:00), mas suas diminutas dimensões e sua porta de vidro permitiram que eu visse, ainda que de fora, o que há para ver dentro.

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Lendo a documentação apresentada pelo Brasil à UNESCO, notei que o país justifica o interesse universal pela Pampulha dando destaque à iniciativa de Juscelino Kubitschek (então prefeito de BH) em parceria com Oscar Niemeyer, parceria esta que avançaria ao ponto de se criar, anos depois, a cidade de Brasília. Gente destemida: não tinham medo de realizar obras e projetos de dimensões quase que inimagináveis; não tinham nenhum receio em propor uma nova arquitetura e uma nova estética modernista, otimista e orgulhosa de si.

A Pampulha, segundo se disse no dossiê, “realise le rêve de l’Atlantique entre les montagnes” (trad. fr. realiza o sonho do Atlântico entre as montanhas), pois engloba o lago artifical, o iate clube, o cassino e o salão de baile (daí que se tem um “conjunto arquitetônico”).

A Igreja de São Francisco (concluída em 1943) tem as curvas de concreto armado que Niemeyer levou depois a muitos outros lugares  e foi, a seu tempo, um escândalo para as autoridades eclesiásticas pois rompia radicalmente com a “estética cristã” (ainda mais no contexto de Minas Gerais e suas igrejas em estilo barroco…). Durante 14 anos proibiu-se ali o culto católico. Algo que foi considerado, à época, como sacrílego, foi a representação de um cão (animal que não goza de prestígio bíblico: “Não deis aos cães as coisas santas” Mt 7,6; “Guardai-vos dos cães” Fl. 3,2) ao lado de São Francisco de Assis, tanto dentro quanto fora da igreja (vide foto acima e abaixo, no painel assinado por Cândido Portinari):

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Os jardins ao redor da igreja foram projetados por Burle Marx, ou seja, Kubitschek só aceitou grandes nomes para embelezar a Pampulha, que hoje, é o cartão postal da capital de Minas Gerais.

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Belo Horizonte é a mais recente das capitais do Sudeste Brasileiro (sua inauguração ocorreu em 1897), tendo sido planejada e chamada, até então, de Curral del Rei, nome evidentemente inadequado após a Proclamação da República. No centro, a Praça da Liberdade, epicentro do poder até recentemente hoje é um conjunto de edifícios restaurados e dedicados a fins culturais, destacando-se o Centro Cultural Banco do Brasil, o Museu das Minas e do Metal (mantido pela empresa Gerdau), o Palácio da Liberdade e o sensacional Memorial Minas Gerais (mantido pela empresa Vale).

Acaso a Pampulha alcance a inscrição como Patrimônio da Humanidade, Belo Horizonte vai se tornar uma espécie de hotspot de PH (dada a proximidade com três outros).

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Santuário de Bom Jesus de Congonhas–déc. 80; ago/2014–2.ª parte

Ao iniciar a visita a este Santuário, deve-se buscar um guia. Por mais que se tenha lido e estudado, muitos detalhes das esculturas em pedra e em madeira escaparão do visitante desacompanhado de um guia. É preferível buscar aqueles que são credenciados e uniformizados e considerei o trabalho do guia que me acompanhou bastante satisfatório.

Com o guia, o passeio começa quase no pé da ladeira que culmina na igreja. A partir dali, vai-se subindo e passando por 6 capelas, que abrigam um fabuloso conjunto de imagens esculpidas em madeira produzidas po Aleijadinho (e seu ateliê) e pintadas por Mestre Ataíde.

Cabe aqui uma explanação histórica: todo o conjunto de igreja e capelas de Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas/MG teve sua construção por iniciativa de um português, chamado Feliciano Mendes que, curado de grave enfermidade, se propôs a erigir em Minas Gerais um templo inspirado (também) no Santuário do Bom Jesus, situado em Braga, Portugal, região de onde era originário.

Eu estive neste Santuário em abr/2012 e, de fato, as semelhanças entre o templo português (e sua maravilhosa escadaria) e o brasileiro são notáveis. A construção do Santuário do Bom Jesus do Matosinhos em Congonhas representou, de forma dúplice, aquilo que se convencionou chamar de “peregrinação de substituição”, isto é, como a visitação aos lugares santos onde ocorridos os fatos da Paixão e Morte de Jesus Cristo na Terra Santa era (e, de certa forma, ainda é) privilégio de pouquíssimos, construíam-se “montes santos” para que os fiéis católicos pudessem experimentar, próximo de sua realidade, a Via Dolorosa e demais ritos caros ao Cristianismo.  

As seis capelas em Congonhas são pequenas e ocupadas inteiramente pelas imagens de pessoas em tamanho natural em madeira, todas de personagens da Paixão de Cristo. Não é possível (até por uma questão física) entrar nas capelas, mas as imagens podem vistas por fora. De novo, reitero, as explicações do guia são fundamentais para que não escapem detalhes de alto conteúdo simbólico e artístico das imagens que tiveram sua pintura original restaurada há mais ou menos 10 anos.

É certo que nem tudo ali pode-se compreender como produção artística pessoal de Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa, Ouro Preto, 1730-1814), o maior expoente do barroco brasileiro e pessoa a respeito da quem foi criada uma espécie de mitologia, muito bem tratada em um livro que estou lendo (Aleijadinho e o aeroplano – O paraíso Barroco e a construção do herói colonial , da pesquisadora Guiomar de Grammont). Fosse tudo que é atribuído a Aleijadinho por ele de fato esculpido, sua vida teria que ter se estendido muito além de 1814… Mas é fato que Aleijadinho mantinha ateliês nos quais muitos ajudantes trabalhavam sob sua supervisão e isto não tira, em nada, o brilho das obras produzidas.

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Achei fascinantes as muitas alusões que Aleijadinho fez ao movimento inconfidente, como, por exemplo, as marcas de um hematoma no pescoço de Jesus Cristo (foto acima) que remetem claramente ao enforcamento de Tiradentes, pois não é da tradição cristã imaginar que Cristo tenha sofrido lesão similar nesta região de seu corpo.

O primor artístico de Aleijadinho me pareceu também bem destacado no Anjo (foto acima) e sua compleição física perfeita.

A expressão dos personagens é comovente. Comparem o “bom ladrão” Dimas e o “mau ladrão” Gestas, condenados à morte por seus crimes e crucificados junto com Cristo (algo que sempre me pareceu uma crueldade adicional pois incrementava a humilhação de Jesus):

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Por fim, a própria igreja de Bom Jesus: ela não é e nunca foi a igreja “matriz” da cidade de Congonhas (outrora chamada Congonhas do Campo), título outorgado à Igreja de N. S. da Conceição, situada em outra ladeira do outro lado da cidade e, a partir de onde, há uma boa vista do Santuário. Fui até lá, mas no meio da tarde de um sábado estava acontecendo uma celebração e, por isso, não consegui visitar o seu interior.

A igreja do Santuário tem dimensões reduzidas e por pouco não pode ser considerada uma capela. Sua fachada tem elementos de interesse (embora sem a complexidade da fachada de outras igrejas em Ouro Preto) e no interior há alguns outros trabalhos de Aleijadinho, de menor expressão. Há, naturalmente, uma profusão de imagens dos mais variados santos e o teto e o altar-mor são os elementos mais bonitos. Não são permitidas fotos no interior deste igreja. Abaixo, percebam à direita as capelas alinhadas onde estão as imagens acima descritas.

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O Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial em 1985, com toda justiça. Faz parte do circuito de cidades coloniais mineiras inscritas pela UNESCO, que inclui, também Ouro Preto e Diamantina. O tema da arquitetura colonial portuguesa no Brasil também justificou, em grande medida, a inscrição de Goiás/GO; Olinda/PE; Salvador/BA; São Luís/MA e São Cristóvão/SE, ou seja, quase toda a lista de Patrimônios Culturais da Humanidade no Brasil – que, ainda pretende nela incluir Paraty/RJ. Conheço todas estas cidades e, com exceção, de Ouro Preto, não faz muito tempo que as visitei. Congonhas tem o diferencial de concentrar todo o interesse em um praticamente um único imóvel (incrementado com as imagens de seu adro e as capelas adjacentes) que concentram impressionante quantidade de arte barroca atribuída a apenas um personagem histórico brasileiro.

É um passeio que vale muito a pena, embora após visitar o Santuário (uma boa visita dura por volta de duas horas), pouca coisa mais justifique a permanência do visitante em Congonhas, exceto, talvez, nos festejos do Jubileu (7 a 14 de setembro), que abarrotam a cidade de visitantes. Como eu não gosto de aglomerações e como acho que isto atrapalharia sobremaneira a minha visita, evitei o período (que está prestes a começar), mas a peregrinação que fazem ao Santuário tem tudo a ver com os motivos pelos quais ele foi erigido.

Santuário de Bom Jesus de Congonhas–déc/1980, ago/2014- 1.ª parte

Cumprindo uma promessa que fiz a mim mesmo em abril 2011, retornei a Congonhas, cidade do interior de Minas Gerais, distante  124 km do Aeroporto de Confins. Visitei Congonhas quando era criança com a minha família e eu me lembro ainda das estátuas de pedra sabão que adornam a entrada do Santuário. Mas muito já se apagou da memória após aproximadamente 30 anos. Era hora de voltar.

Por isto, decidi passar um fim-de-semana em Belo Horizonte. Com carro alugado, diretamente do Aeroporto de Confins fui até Congonhas cidade de uns 50 mil habitantes cortada pela BR-040 (que liga a capital de Minas Gerais até o Rio de Janeiro). O Santuário fica numa parte elevada da cidade, onde deixei o carro e me dirigi imediatamente para os profetas de Aleijadinho, maior nome do barroco mineiro do século XVIII.

Elas têm tamanho que se pretendeu natural (ao de um ser humano), mas pareciam tão maiores na minha memória!

Estes são os Doze Profetas de Aleijadinho, expressão máxima do barroco de Minas Gerais. São espetaculares sob todos os aspectos: pela posição em que se encontram, por sua dimensão, pela simetria que os seis profetas da esquerda guardam com os seis da direita e pelo altíssimo valor artístico e histórico que cada uma guarda.

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Cada qual representa um Profeta do Antigo Testamento (a foto imediatamente acima é Isaías e a anterior, Ezequiel) e algumas têm características notáveis.

Daniel, por exemplo, é acompanhado de um leão (de acordo com o Livro de Daniel 6, 8-25, Daniel teria sido lançado pelo rei babilônico Dario em um fosso com leões, mas teria escapado ileso mesmo após passar ali uma noite já que, segundo o próprio Daniel, Deus teria “fechado a boca dos leões”). É curioso notar que Aleijadinho nunca em vida viu um leão e (segundo imagino) mesmo figuras deste animal alheio às realidades americana e europeia deviam ser escassas e distorcidas e, por isto, esculpiu este leão de acordo com o que imaginava ser a fera descrita no Antigo Testamento.

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Também foi necessária criatividade de Aleijadinho para representar a baleia, animal ligado ao Profeta Jonas. Segundo o Livro de Jonas, este profeta teria sido enviado por Deus à capital da Assíria, admoestar os assírios da ira divina prestes a se abater sobre eles. Sabedor das crueldades a que eram dados os assírios, Jonas resolveu fugir em um barco, mas, em razão de uma tempestade, teria sido lançado ao mar e engolido por uma baleia! Jonas teria passado três dias e três noites no estômago do cetáceo e, após ser vomitado, teria ido até Nínive dar cumprimento ao seu encargo.

Vejam que a baleia idealizada e concretizada por Aleijadinho soltava jatos de água por suas duas supostas narinas, tinha rabo e barbatanas!

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Em muitas estátuas, as vestimentas dos profetas parecem-se muito mais com os trajes utilizados no séc. XVIII que o que se supõe serem os trajes da Antiguidade. Há, na linguagem artística de Aleijadinho, muitos símbolos que remetem diretamente ao movimento inconfidente, que havia sido sufocado pelas autoridades portuguesas poucos anos antes da criação destas imagens. Aleijadinho apoiou, não se sabe com que grau de envolvimento, o movimento da Inconfidência Mineira.

Abaixo, neste sentido, o Profeta  Amós. Notem a barra da calça, a abotoadura com colarinho e o pesado casaco, além do gorro, bem diferentes das túnicas usadas pelos outros profetas acima. Há quem interprete que Amós é a autorrepresentação do próprio Aleijadinho.

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São notórios os efeitos do tempo sobre estas estátutas que têm mais de 200 anos (foram construídas entre 1795 e 1805) expostas à chuva, sol e variação de temperatura, bem como são lastimáveis os vestígios deixados por gerações de vândalos imbecis sobre a frágil pedra-sabão, além do ataque de fungos. Notei que há guardas vigiando as estátuas, mas não há impedimento a que as pessoas toquem as estátuas!

Não sei em que ponto estão (se é que estão) as discussões sobre a óbvia necessidade de se retirar os Profetas de Aleijadinho do átrio do Santuário de Bom Jesus (substituindo-as por réplicas, como feito, por exemplo, com o David de Michelangelo, retirado da Piazza della Signoria no centro de Florença) e já li a respeito da possibilidade de a UNESCO vir a inscrever este Patrimônio da Humanidade na Lista dos PH em perigo, o que cheguei a noticiar aqui.

(continua)

Patrimônios da Humanidade ligados a Oscar Niemeyer

Oscar Niemeyer (1907-2012) foi um arquiteto modernista de primeira grandeza e é reverenciado em todo o mundo por seu legado e sua contribuição à arquitetura mundial no séc. XX (que ele presenciou praticamente inteiro).

Obviamente, a primeira referência que se tem de Niemeyer é Brasília, projetada por ele e por Lúcio Costa, no megaempreendimento obstinadamente perseguido por Jucelino Kubitschek, então presidente do país.

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A marca de Niemeyer se fez sentir também em Diamantina (MG), em especial no Hotel Tijuco (foto abaixo) e uma escola pública. Niemeyer, que já era conhecido de Kubitschek, foi por ele convidado a realizar obras em sua cidade natal.

Na França, foi inscrita (em 2005) a cidade litorânea de Le Havre, sob o título Le Havre, cidade reconstruída por Auguste Perret. Le Havre foi devastada durante a II Guerra Mundial, mas já em 1945 começaram os trabalhos de reconstrução e a cidade foi remodelada por arquitetos modernistas, em especial por Auguste Perret, mas Niemeyer deu sua contribuição, projetando o centro cultural chamado Le Volcan:

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Na Costa Amalfitana (PH situado na Campania, Itália e inscrito em 1997 como Costiera Amalfitana) também há obra de Niemeyer, o Auditorium Ravello, que, no entanto, não é unanimidade, muita gente o considera grotesco e despropositado para este famoso trecho do litoral italiano.

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Deve haver outros PH com obras de Oscar Niemeyer, mas os que eu consegui identificar são estes. De qualquer forma, a marca de Niemeyer no Brasil (e mesmo em muitas cidades mundo afora) é profunda e indelével.

Como imaginar São Paulo sem o Memorial da América Latina, sem os prédios projetados por Niemeyer no Parque do Ibirapuera ou sem o Edifício Copan (foto)?

Como imaginar Belo  Horizonte sem o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, Curitiba sem o apelidado “Museu do Olho” ou Niterói (foto) sem o Museu de Arte Moderna? O Brasil sem sua capital?

Niemeyer, falecido na invejável idade de 104 anos (quase 105), está entre os mais notáveis, profícuos e influentes brasileiros de todos os tempos.

MG e ES mobilizam-se para inscrever Pampulha e Pedra Azul na Lista de PH da UNESCO

Em 1996 o Brasil apresentou à UNESCO a tentativa de inscrição do “Conjunto arquitetônico de turismo e lazer às margens do lago da Pampulha” (o relatório foi encaminhado em francês, uma das línguas oficiais da UNESCO, com o título original de Ensemble arquitectonique de tourisme et loisir au bord du lac de Pampulha), como Patrimônio Cultural da Humanidade. Quem se interessar em ver o material recebido pela UNESCO (em francês), acessar aqui.  

Vista aérea da Pampulha: decisão da Unesco só deve sair em 2015. Foto: Alberto Andrich/EM/D.A. Press

Não basta, porém, para que a UNESCO delibere sobre a tentativa de um país, que o possível PH encontre-se na Lista de Tentativas. Este é só o primeiro passo. É necessário que uma extensa lista de documentos seja encaminhada, em datas específicas, com a justificativa detalhada e minuciosa demonstrando que o lugar que se pretende inscrever enquadra-se nos critérios do Patrimônio Mundial.

Feito tudo isto, técnicos vinculados a instituições ligadas à UNESCO (ex. ICOMOS, IUCN) se dirigem às localidades mencionadas pelos países e fazem um relatório entregue à Comissão do Patrimônio Mundial, opinando pela incrição ou pelo acréscimo de informações ou pelo adiamento da decisão ou pela rejeição.

Pois bem, após o sucesso do Rio de Janeiro e de São Cristóvão em Sergipe, nos anos de 2012 e 2010, vários Estados começaram a se movimentar para também tentar inscrever aquilo que consideram merecer estar na Lista da UNESCO.

Chega a notícia de que Minas Gerais resolveu trabalhar em cima da tentativa da Pampulha, com possível deliberação em 2015. A notícia completa está aqui: http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/brasil/2012/11/09/interna_brasil,406871/bh-prepara-dossie-para-ajudar-a-transformar-a-pampulha-em-patrimonio.shtml

Minas Gerais já é o Estado que mais possui Patrimônios da Humanidade no Brasil: Ouro Preto, Diamantina e Bom Jesus em Congonhas.

Também o Governo do Espírito Santo resolveu buscar a inscrição do Parque Estadual da Pedra Azul, como Patrimônio Natural da Humanidade.

A notícia está aqui: http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2012/11/es-faz-projeto-para-pedra-azul-se-tornar-patrimonio-da-humanidade.html

Pedra Azul pode se tornar Patrimônio Natural da Humanidade (Foto: Weverson Rocio/ Governo do ES)

No caso do PE da Pedra Azul, sequer ainda consta sua inclusão na Lista de Tentativas, ou seja, há um longo caminho ainda até a inscrição.

O Espírito Santo tem duas reservas ambientais incritas como PH a Reserva Biológica de Sooretama e a Reserva Particular de Patrimônio Natural de Linhares sob o título de Reservas da Mata Atlântica da Costa do Descobrimento, que engloba outros lugares também, na Bahia. 

Os critérios da UNESCO para que um lugar seja inscrito como Patrimônio da Humanidade, cultural ou natural (ou misto) são os que arrolo abaixo. O que convence a UNESCO, quase sempre, é a demonstração de que o lugar apresenta alguma característica única, singular. Ou seja, não basta que o lugar seja bonito, inspirador, exceto se sua beleza for excepcional, extraordinária.

Assim, para ser PH, o lugar tem que:

Culturais:

1 – representar uma obra-prima do gênio criativo humano; ou

2 – mostrar um intercâmbio importante de valores humanos, durante um determinado tempo ou em uma área cultural do mundo, no desenvolvimento da arquitetura ou tecnologia, das artes monumentais, do planejamento urbano ou do desenho de paisagem; ou

3 – mostrar um testemunho único, ou ao menos excepcional, de uma tradição cultural ou de uma civilização que está viva ou que tenha desaparecido; ou

4 – ser um exemplo de um tipo de edifício ou conjunto arquitetônico, tecnológico ou de paisagem, que ilustre significativos estágios da história humana; ou

5 – ser um exemplo destacado de um estabelecimento humano tradicional ou do uso da terra, que seja representativo de uma cultura (ou várias), especialmente quando se torna(am) vulnerável(veis) sob o impacto de uma mudança irreversível; ou

6 – estar diretamente ou tangivelmente associado a eventos ou tradições vivas, com idéias ou crenças, com trabalhos artísticos e literários de destacada importância universal*;

* O critério 6 não é suficiente, sozinho, de acordo com as regras da UNESCO, para a inscrição. Tem que ser combinado com outros.

Naturais

7 – conter fenômenos naturais excepcionais ou áreas de beleza natural e estética de excepcional importância; ou  

8 – ser um exemplo excepcional representativo de diferentes estágios da história da Terra, incluindo o registro da vida e dos processos geológicos no desenvolvimento das formas terrestres ou de elementos geomórficos ou fisiográficos importantes; ou

9 – ser um exemplo excepcional que represente processos ecológicos e biológicos significativos da evolução e do desenvolvimento de ecossistemas terrestres, costeiros, marítimos ou aquáticos e comunidades de plantas ou animais; ou

10 – conter os mais importantes e significativos habitats naturais para a conservação in situ da diversidade biológica, incluindo aqueles que contenham espécies ameaçadas que possuem um valor universal excepcional do ponto de vista da ciência ou da conservação.