Pico do Fogo, em Cabo Verde, entra em erupção

Quatro meses após eu ter visitado a Ilha do Fogo e escalado o Pico do Fogo, tendo passado três noites em Chã das Caldeiras (ver relato aqui e aqui), o vulcão entrou no último dia 23 de novembro, depois de 19 anos em silêncio. 

Mil e quinhentas pessoas (moradores de Chã das Caldeiras) tiveram de ser evacuadas, já que a erupção (que abriu uma nova “boca”, a par das já existentes) provocou muitas explosões, lançou novos rios de lava e expeliu gases. Os prejuízos àquela comunidade, na qual pude conversar com muita gente há tão pouco tempo, ainda não foram calculados.

Eu me recordo de ver fumaça sendo exalada pelo vulcão (bem como cheiro de gás enxofre), mas em julho último a impressão que se tinha no Chã das Caldeiras é que o vulcão não iria despertar tão cedo (a última erupção foi em 1995), inclusive porque há uma espécie de “mito” (agora desfeito) de que as erupções teriam intervalos de 45 a 50 anos.

Passei excelentes momentos no Chã das Caldeiras e me dá bastante pena de imaginar que aquele povoado, habitado por gente tão simpática que, a despeito das dificuldades com abastecimento de água e energia elétrica, se esmerava em propiciar ao turista boas condições de alojamento, passeios e alimentação. Isto sem falar na incipiente e promissora indústria vinícola, agora com suas atividades bruscamente interrompidas. 

Fonte: http://www.voaportugues.com/content/erupcao-do-vulcao-do-fogo-aumenta-de-intensidade/2537154.html

http://www.voaportugues.com/content/erupcao-pode-mudar-completamente-a-cha-das-caldeiras-diz-investigador-caboverdiano/2534214.html

http://www.ionline.pt/artigos/mundo/erupcao-vulcanica-no-fogo-agrava-se-mais-uma-boca-lava

Mais sobre Cabo Verde

A República de Cabo Verde é um país insular na região da Macaronésia: que engloba, ainda, os arquipélagos das Canárias (Espanha), Madeira e Açores (Portugal), todos estes mais ao norte. Cabo Verde tem uma companhia aérea de bandeira, a TACV, que conecta o país a lugares onde vivem significativas comunidades da diáspora caboverdiana (Boston, nos EUA; França, Holanda, Itália e Portugal). Além disto, já há muitos anos a TACV liga Fortaleza (Brasil) à Praia, viabilizando assim um intercâmbio comercial e cultural entre os dois países de língua portuguesa. A distância entre Fortaleza e Praia é incrivelmente curta: o voo demora 3 horas apenas!, e torna dispensáveis conexões que seriam muito mais demoradas na Europa ou outros países da África.

TACV Route Network

A TACV é uma companhia estatal mas em processo de privatização. Enquanto eu estava lá, vi reportagens informando sobre um possível interesse de aquisição por parte da companhia Emirates (dos Emirados Árabes Unidos) em conjunto com a TAAG (Angola).

O voo entre Fortaleza (FOR) e Praia (RAI) ocorre apenas uma vez por semana e, assim, se a rota for empregada, a viagem a Cabo Verde acaba por ter este período mínimo de visitação, o que é suficiente para visitar bem duas ilhas (Santiago ou Fogo, como fiz ou Santiago e Sal ou Sal e São Vicente, etc.). Conheci um casal que ficou duas semanas em Cabo Verde e duas semanas no Senegal, que está a 1 hora de voo da Praia.

No meu voo de ida, a aeronave sofreu uma avaria em pleno voo (o que chegou a ser noticiado em Cabo Verde, clique aqui para ler). Por isto, tivemos que pousar no Aeroporto da Ilha do Sal, que é maior e mais adequado para uma possível emergência.

tacv

Com isto, de forma involuntária, acabei por sobrevoar a Ilha do Sal, que é desértica, plana e com lindas praias, bem como pude ver, do alto e claramente (mas não deu tempo de tirar foto), a Pedra do Lume, que é outra tentativa de inscrição de Cabo Verde na Lista dos Patrimônios da Humanidade. A Pedra do Lume é lugar onde por muito tempo extraiu-se sal, de forma curiosa: este lago salgado não está à beira-mar, mas no interior da ilha e está abaixo do nível do mar (parece-me que é uma antiga cratera). Assim, a água salgada infiltra-se na terra e alcança este lago e com a evaporação, é possível a extração do sal.

pedra do lume

Em um lugar tão inóspito, esta foi a única atividade econômica durante séculos e batizou o nome da ilha, que, curiosamente, hoje é um dos mais desenvolvidos pontos de Cabo Verde em razão do turismo. A Pedra do Lume hoje é só uma atração turística.

Em Cabo Verde comi, por diversas vezes o prato típico nacional: a cachupa. Trata-se de uma espécie de feijoada (com diversas carnes) mas ao invés de feijões utiliza-se um tipo de milho que não consegui reconhecer. O prato é forte e consumido preferencialmente no café-da-manhã (ou pequeno almoço como se diz localmente, ao gosto português). Gosto muito de cafés-da-manhã “fortes”, especialmente quando estou viajando. Existem duas versões: a mais ensopada e a guisada (frita).

cachupa

Cabo Verde é o segundo país africano que eu visito (antes, apenas o Egito) e, como já disse antes, talvez seja um dos mais fáceis e tranquilos países deste continente para se visitar, tendo em vista a facilidade de se alcançar, a bem razoável infra-estrutura de aeroportos e estradas, boas e variadas atrações turísticas e quase que nenhum assédio ao turista.

Cabo Verde integra a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (junto com Portugal, Brasil, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) e, de todos estes, para brasileiros e portugueses é o mais simples de ser visitado. Tenho enorme vontade de visitar todos os outros – até porque considero uma grande vantagem estar no exterior e falar português o dia todo. Percebi que, em Cabo Verde, a maioria das pessoas fala apenas o crioulo e o português, embora esforcem-se em saber algo de francês e inglês. Então, o contato com os locais foi muito mais rico e facilitado em razão da língua portuguesa.

Mas não se enganem: os caboverdianos falam português como segunda língua pois é o crioulo caboverdiano o idioma corrente. Ocorre em Cabo Verde o fenômeno linguístico chamado diglossia: isto é, uma língua é considerada superior e utilizada no contexto formal, ao passo que a outra é tida como língua adequada para os afazeres do dia-a-dia. O crioulo é uma língua que praticamente não se vê escrita (exceto no contexto publicitário).  foto

A política de vistos de Cabo Verde dispensa a formalidade apenas de alguns países africanos. Brasileiros e europeus precisam de visto, que pode ser tirado antecipadamente (nos consulados) ou na chegada ao Aeroporto da Praia. Eu preferi, por precaução, já sair de São Paulo com o visto obtido junto ao Consulado nesta cidade (a taxa é de quase 60 dólares americanos), mas se eu fosse voltar a Cabo Verde deixaria para obter lá mesmo (cobram, pelo que vi, 25 euros). Que diferença com relação a Angola, famosa por sua intransigência em conceder vistos…

Por fim, a volta. No dia do regresso ao Brasil chegou a informação de que o voo havia sido cancelado porque o avião que havia quebrado na ida ainda não tinha sido adequadamente consertado. Fiquei muito tenso porque antevi a possibilidade de estar retido em Cabo Verde por vários dias – e a TACV tem um histórico de atrasos de voos que não raro pode tardar dias. Felizmente, embora as perspectivas fossem sombrias, acabamos por embarcar no dia seguinte, tendo a companhia pago as despesas com acomodação e alimentação, bem como honrado a minha conexão (que eu havia perdido) entre Fortaleza e São Paulo.

Cabo Verde está próximo de países africanos onde, em 2014, há um surto do vírus ebola (ou ébola) e na TV o Governo anuncia medidas preventivas, bem como pede a quem quer que tenha estado na Guiné-Conakry, Libéria ou Serra Leoa e que apresente febre e outros sintomas, que procure imediatamente um hospital.

Termino aqui o relato desta escapada de meio de ano que fiz para Cabo Verde. Voltei muito contente com a viagem (apesar dos problemas com a TACV, que, justiça seja feita, agiu de forma bastante adequada visando minimizar os problemas ocorridos em razão da avaria do avião) e com bastante animação para fazer outas incursões na África no futuro.

Ilha do Fogo – 2

Eu curti muito os três dias que passei no povoado de Chã das Caldeiras, lugar praticamente isolado do mundo, onde não há (praticamente) energia elétrica, nem internet mas onde não faltam ar puro, silêncio e “morabeza” (a hospitalidade da qual se orgulham os caboverdianos). No terceiro dia, eu já era reconhecido e cumprimentado por alguns moradores na rua…

No dia seguinte à subida ao Pico do Fogo, fiz uma longa caminhada em direção à Floresta da Monte Velha, considerada a maior floresta de Cabo Verde. Nada que impressione alguém que venha do Brasil, mas compreendo que, vivendo em um país árido (com regiões semi-áridas), os caboverdianos devem se encantar com aquele bosque. Na foto, o trajeto da lava do Pico do Fogo, descendo por entre a floresta.

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É possível ir descendo do Chã das Caldeiras até a vila de Mosteiros, situada à beira-mar, mas desci só até a chamada “Casa do Presidente” (uma antiga e abandonada residência de verão utilizada no passado) e retornei subindo de volta ao Chã. A caminhada demorou umas 5 horas.

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Não há muito o que fazer no povoado do Chã das Caldeiras, mas certamente há o que comer (queijo de cabra comprado na venda do Ramiro) e o que beber: vinhos do Chã das Caldeiras. As videiras estão ali nos pés do vulcão e a bebida é produzida em cooperativas, a maior das quais é a vinícola Chã.

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Eu gostei dos vinhos Chã e trouxe duas garrafas para casa (um branco e um rosé, ambos com teor alcoólico de 14º, boa acidez e muito aroma). Também se produz um vinho doce, alcoólico e artesanal chamado manecon, que eu não gostei. O florescimento de uma indústria vinícola no Chã das Caldeiras se deve à cooperação italiana, que enviou técnicos para ensinar os caboverdeanos a arte da produção do vinho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A (estranha) igreja católica do Chã das Caldeiras:

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Desci do Chã das Caldeiras (onde passei os melhores momentos da viagem a Cabo Verde) bem cedo, no único horário em que os alugueres descem em direção à cidade de São Filipe, onde está o aeroporto. Tive praticamente toda a manhã e boa parte da tarde para passear por São Filipe, cidade a partir da qual se pode visualizar outra ilha do Sotavento: a Brava.

São Filipe tem muitos edifícios da época colonial, um interessante museu e algumas praças. Além disto, é outra tentativa caboverdiana de inclusão na Lista da UNESCO, alegando-se a importância do casario colonial construído com dinheiro oriundo das plantações de algodão e utilização de mão-de-obra escrava, com o qual produzia-se o famoso panu di terra caboverdiano.

No mais, São Filipe é sonolenta e tem muito jeito das cidades do interior do Nordeste Brasileiro e a herança portuguesa é evidente.

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Ilha do Fogo–1

Um voo de 20 minutos separa a cidade da Praia da capital da Ilha do Fogo, São Filipe. Há a opção de ir por ferry mas o avião é mais prático, embora não seja barato. O próprio nome da ilha revela o principal elemento do lugar: o Pico do Fogo, um vulcão (estratovulcão) ativo com 2.829 metros de altura e que está assentado sobre uma cratera muito maior  (uma caldeira, a aproximadamente 1.800 m) formada há centenas de milhares de anos. O Pico do Fogo é o ponto culminante de Cabo Verde. A última erupção com lava ocorreu em 1995 e outra importante erupção no séc. XX ocorreu em 1951. Uma foto tirada a bordo de um avião permite compreendê-lo (extraída da wikipedia):

 

Dentro desta caldeira formou-se um núcleo populacional chamado Chã das Caldeiras, que é a base para quem pretenda escalar o Pico do Fogo.

São Filipe fica à beira-mar e o trajeto até o Chã das Caldeiras é uma íngreme subida que demora mais de uma hora. Os táxis cobram caro e eu consegui me encaixar em um aluguer para chegar até o Chã.

No Chã das Caldeiras hospedei-me na Pousada Pedra Brabo, onde só há energia elétrica poucas horas durante o início da noite (é o tempo para recarregar os aparelhos eletrônicos) à base de gerador e os chuveiros (frios) são fora dos quartos. A maioria das casas dos moradores locais não têm energia e a água é um bem muito precioso ali, onde chove-se poucas vezes ao ano.

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Assim que cheguei ao Chã das Caldeiras, senti-me como que atraído pelo vulcão e saí para uma caminhada para fazer muitas fotos deste lugar que mais parece a lua, na mais absoluta solidão e no mais absoluto silêncio.

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É muito impressionante andar pelos campos ocupados pelas lavas cuspidas pelo Vulcão do Pico em sua última erupção (1995).

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Voltando à pousada, tratei de arranjar a minha escalada do Pico do Fogo, no dia seguinte. Contratei o irmão da proprietária da pousada, que se apresentou como Vitalzinho (no Chã todo mundo se chama pelo apelido) e às 5:30 da manhã do dia seguinte eu estava de pé pronto para sair. É importante sair cedo para evitar o calor forte que faz a partir das 10:00. A previsão é que demoraríamos, entre subida e descida, por volta de 6 horas.

Aos pés do Pico plantam-se videiras e há algumas cooperativas que produzem vinhos, que têm ganhado notoriedade em todo Cabo Verde e até fora. Também há macieiras, romãzeiras, etc.

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A subida do Pico é árdua. A inclinação supera (às vezes em muito) os 40º e não raro eu tive que fazer uso das mãos para conseguir continuar subindo. Eu fiz muita questão de ter um guia só para mim para que eu pudesse parar tantas vezes quantas eu quisesse e andar no meu ritmo. Segundo Vitalzinho, tendo feito todo o trajeto entre o pé e o cume do vulcão em 3 horas e 40 minutos, meu desempenho foi “bom”.

A vista lá de cima permite entender que toda a caldeira (onde está o povoado) é uma antiga e gigantesca cratera, dentro da qual ocorreram outras erupções mais recentes formando novos picos. As “paredes” da cratera são praticamente intransponíveis e uma parte dela caiu em direção ao mar.

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Para que não reste dúvida, este vulcão é ativo e pode “acordar” a qualquer momento. A fumaça (vide foto abaixo) que sai de suas paredes e o cheiro de enxofre (que se assemelha ao de “ovo podre”) não deixa ninguém esquecer disto.

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Ao chegar ao topo, vê-se a cratera interna do Pico do Fogo:

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A descida pode ser feita por outra face do Pico indo em direção ao ponto onde o vulcão explodiu em 1995 e vai-se quase que rolando por entre os grânulos de lava seca. Como muitos minerais diferentes foram arrancados das profundezas da Terra em razão da erupção, há cores variadas nesta parte. Muito bonito.

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Observando-se à direita, vê-se o trajeto que a lava percorreu (mais escuro):

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Seis horas depois de ter saído da Pedra Brabo eu estava de volta, exausto e coberto pela poeira preta do vulcão, mas muito satisfeito: a experiência foi excelente pelo desafio vencido, pelas lindas vistas e por um monte de pedras coloridas que eu trouxe para casa.

O Pico do Fogo é o terceiro vulcão que já subi na vida, depois do Pacaya, na Guatemala e o Villarica, no Chile. Espero subir muitos outros ainda.

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Ilha de Santiago – 2

Seguindo a realidade das outras capitais da África Ocidental, a Praia não oferece muitas atrações turísticas e acredito que a maioria das pessoas prefere apenas passar por ela rumo a outros pontos de Cabo Verde. A Praia, porém, não é caótica como a maioria das capitais do oeste africano e, pelo que senti (com mochila nas costas e máquina fotográfica pendurada no pescoço), não enfrenta graves problemas de insegurança. Pareceu-me que os turistas são poucos e que não costumam ser importunados. Assim como Cabo Verde é uma nação africana mas “mestiça”, a Praia deixa a impressão de ser uma cidade ligeiramente deslocada da África, talvez euro-africana.

A parte que se pode chamar de “centro” da Praia é o Plateau (ou Platô), um terreno elevado à beira-mar, onde estão boa parte dos edifícios históricos, hotéis e restaurantes da cidade. Eu fiquei lá, no Hotel Santa Maria, que se situa na Av. 5 de Julho, que é fechada para o tráfego. O Platô é bem pequeno e pode ser inteiramente explorado em poucas horas.

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A partir do Platô, naturalmente, há boas vistas do resto da capital caboverdiana:

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Cabo Verde apresentou à UNESCO como tentativa de inscrição na Lista do Patrimônio Mundial o Plateau da Cidade da Praia. Eu li a justificativa apresentada e enfatiza-se muito o fato de que foi esta posição privilegiada que justificou a transferêcia da capital da então colônia no séc. XVIII.

Nas partes “baixas” da cidade estão pontos importantes como o Mercado Sucupira (ali sente-se que se está na África com toda intensidade!), o Palácio do Governo e o Monumento a Amílcar Cabral, o herói da independência de Cabo Verde e Guiné-Bissau. Os dois países chegaram a pensar seriamente, após se livrarem de Portugal em 1974/1975, em se unir, mas um golpe de Estado na Guiné-Bissau em 1981 enterrou o projeto. Cabo Verde seguiu sozinho ainda que com problemas de abastecimento e produção (o país produz apenas 20% dos alimentos que consome), mas com fortes e democráticas instituições, ao passo que a Guiné-Bissau mergulhou na instabilidade política, com sucessivos golpes de Estado. Resultado: Cabo Verde é considerado um dos mais desenvolvidos países da África e tem bons índices sociais, ao passo que a Guiné-Bissau está abaixo da média africana.

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Um lugar eu recomendo a quem for à Praia: ir ao Quintal da Música, restaurante com música ao vivo. A comida é só razoável mas a música é excelente. Ali chegou a se apresentar a mais conhecida caboverdiana no mundo: Cesária Évora, falecida em 2011, que vivia na cidade de Mindelo, na Ilha de São Vicente. Cesária Évora, que cantava em crioulo, é a grande expoente do ritmo “morna”, que, a mim, pareceu um misto de samba com fado.

Ouvi uma pessoa dizer que o melhor “souvenir” que se pode levar de Cabo Verde é a música. Eu concordo.