Sistema da Reserva da Barreira de Corais de Belize–PH n.º 178

Este é o único Patrimônio da Humanidade de Belize, que não apresentou mais nenhuma outra tentativa de inscrição à UNESCO. Deu-se por satisfeito por ver sua barreira de corais inscrita como PH em 1996.

Ao contrário do que ocorre com a Grande Barreira de Corais na Austrália – a única que suplanta a de Belize no mundo –, em que extensas áreas da barreira e muitas ilhas foram inscritas, no caso da barreira belizenha apenas 7 pequenos trechos do sistema da reserva (que engloba, além da barreira de corais, trechos de litoral e manguezais) foram alçados à categoria de Patrimônio da Humanidade, a saber:

Parque Nacional e Reserva Marinha Bacalar Chico
– Blue Hole
– Monumento Natural Half Moon Caye
– Reserva Marinha South Wather Caye
– Reserva Marinha Glovers Reef
– Parque Nacional Laughing Bird Caye
– Reserva Marinha Sapodilla Cayes 

Portanto, embora seja fácil entrar em contato com a Barreira de Corais de Belize, é bem mais difícil atingir as pequenas áreas que foram “pinçadas” como integrantes do Patrimônio da Humanidade, algo parecido com o que ocorre com o Patrimônio da Humanidade do Pantanal (Brasil), que engloba 4 áreas que representam apenas 1% do ecossistema do Pantanal e são justamente as áreas mais difíceis de serem alcançadas, motivo de ser este o único PH brasileiro que eu ainda não visitei.

Tão-logo desembarquei na belizenha San Pedro, proveniente do México, fui atrás de passeios que incluíssem mergulho ou snorkelling em alguma das áreas integrantes do  sistema da reseva da barreira de corais. As notícias não foram boas: era Semana Santa e muitos passeios haviam sido cancelados. Além disto, o único passeio que garantidamente entraria em Bacalar Chico (e que não é lá muito popular), não iria ocorrer nos próximos dias.

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Acabei reservando um passeio que iria até a praia de Robbles Point, que era justamente o que chegava mais ao norte da ilha (e onde estava Bacalar Chico). O nome do tour prestado pela empresa SEAduced by Belize não era muito animador: Robles Point Beach BBQ & Snorkel… mas ele transcorreu de forma satisfatória, com três paradas (inclusive em Mexico Rocks) para excelentes snorkellings em diferentes pontos da barreira de corais de Belize (e mesmo em rasas águas com notável fauna marinha: vi várias raias, tubarões e grande diversidade de peixes coloridos, além dos corais).

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No barco éramos 8 pessoas, todos norte-americanos com exceção do guia, e em dado momento, paramos na tal praia privada de Robbles Point para o churrasco (BBQ) conforme anunciado. A praia não era nada demais (assim como nenhuma praia de Ambergris é, ao menos quando comparadas com as existentes logo acima, no México) e, enquanto preparavam a comida, resolvi caminhar sozinho pela orla em sentido norte.

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Fiquei bastante impressionado em ver como o lixo marinho é um problema grave (havia plásticos e todo tipo de porcaria trazidos do alto-mar  para as praias). Apesar de tudo isto, em dado momento, vi uma placa indicando que ali era o Parque Nacional Bacalar Chico, ou seja, eu havia conseguido entrar no Patrimônio da Humanidade, felizmente! Claro que o passeio ideal seria aquele que fosse até a extremidade da ilha (já na fronteira com o México), que é mais selvagem e isolada, mas o Parque Nacional começava bem antes, então, para mim, restava muita satisfação de ter entrado no único PH de Belize.

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Ambergris Caye Real Estate Map

O Sistema da Reserva da Barreira de Corais de Belize inclui não apenas a barreira de corais propriamente dita, mas alguns trechos de praia, de vegetação de restinga e manguezais – afinal, é um sistema. Encontra-se oficialmente em perigo em razão da poluição e dos furacões (que são frequentes no lugar), que representam grave risco ao delicado ecossistema. 

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É a segunda maior barreira de corais do mundo (atrás da Austrália e à frente da de Bahamas) e seu ponto mais emblemático é o Blue Hole, um mergulho que dizem ser incrível, mas a melhor percepção que se tem deste lugar é de cima (foto extraída da internet):

A barreira tem aproximadamente 300 km e dista desde meros 300 metros da costa (na parte norte) até 40 km da costa (no sul). Minha experiência ali foi válida, mas muito menos intensa e organizada que a que tive na Austrália.

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San Pedro e Caye Caulker, Belize

A capital de Belize, Belmopan e sua cidade principal, Belize City são pouco interessantes para o visitante. O que Belize tem de melhor são suas ilhas, a partir das quais é possível o contato com a Barreira de Corais.

A principal ilha do país se chama Ambergris, onde está a cidade(zinha) de San Pedro. Não há propriamente muito o que ver em San Pedro, além da atmosfera caribenha dada pelas ruas de areia e casinhas coloridas. As praias, porém, são decepcionantes: a faixa de areia é mínima e há muita vegetação marinha. Portanto, quem quiser praias idílicas deve permanecer no México e não se aventurar nas ilhas belizenhas.

Caye Caulker, outra ilha, a 30 minutos de barco de San Pedro é ainda mais pitoresca e certamente uma melhor escolha para quem quiser passar alguns dias no dolce far niente.

Em ambas há grande oferta de passeios para diferentes pontos da Barreira de Corais para diferentes atividades, além de alojamento. Um passeio que se pode fazer de forma independente é alugar uma bicicleta em San Pedro e seguir indefinidamente no sentido norte, passando pela área de resorts até chegar em áreas (quase) desabitadas da ilha.

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Hospedei-me no (recomendado) Pedro’s Hotel:

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Belize–2014

Belize Bandeira

Estive em Belize em abr/2014 no final de uma viagem cujo foco principal era o México. Entrei e saí de Belize por via marítima, utilizando o serviço de “táxi” marítimo que liga a cidade de Chetumal, capital do Estado mexicano de Quintana Roo à cidade belizenha de San Pedro, situada na Ilha de Ambergris.

Belize é um pequeno país (tem algo em torno de 20 mil km²) e é o resultado da única incursão bem sucedida da Inglaterra na parte continental da América Central. Assim, Belize é um enclave de língua inglesa cercado por países de herança espanhola (México, Guatemala e, de certa forma, Honduras), mas tanto o inglês quanto o espanhol são largamente falados no país. Culturalmente, Belize é muito ligado ao Caribe, tanto que integra a Caricom (Comunidade e Mercado Comum do Caribe). A atmosfera que se tem em San Pedro, de fato, pende muito mais para o Caribe do que para a América Latina.  

Belize integra a Comunidade Britânica (Commonwealth) e é um dos Commonwealth Realms, ou seja, seu chefe de Estado é o monarca britânico, representado por um Governador-Geral. O poder efetivo, porém, é exercido por um Primeir0-Ministro. A moeda local é o dólar de Belize, que é pegado ao dólar, numa cotação fixa de BZ$ 2 = US$ 1.

Meu trajeto em Belize limitou-se à parte insular do país (ilhas de Ambergris e Caye Caulker), já que tanto a capital de Belize (Belmopan) quanto a cidade mais populosa (Cidade de Belize) não têm maiores atrativos turísticos. Na parte insular, aliás, é onde se encontra o único Patrimônio da Humanidade do país: a Barreira de Corais de Belize.

Belmopan (nome oriundo da fusão de Belize com o nome do Rio Mopán) é uma capital com apenas 15 mil habitantes e foi construída após um furacão que devastou a Cidade de Belize, capital do país até 1970. A capital econômica de Belize, porém, continua sendo Belize City, com seus mais de 60 mil habitantes e com seu importante porto. A principal atividade ecônomica de Belize é a produção de petróleo, seguida da agricultura (banana e cana-de-açúcar) e turismo.

Belize tornou-se independente do Reino Unido em 1981. Até então chamava-se Honduras Britânicas. Hoje o país tem algo em torno de 340 mil habitantes e é um dos menos densamente povoados das Américas. A Guatemala por décadas reivindicou o território belizenho, não reconhecendo a ocupação britânica destas terras e manteve a reivindicação mesmo após a independência. Quando eu estava na Guatemala em 1993, lembro-me de ter visto mapas do país incluindo Belize no território guatemalteco. A entrada de Belize na ONU prejudicou em muito as pretensões da Guatemala, que não sei, atualmente, a quantas andam.

Minha principal atividade em Belize foi o mergulho – até porque as praias de Ambergris e de Caye Caulker são muito menos atrativas que as de Cancún ou Playa del Carmen, de onde eu vinha.

Eu curti ter ido a Belize e acho que fiz bem em ter dedicado todo o meu tempo neste país ao seu território insular. Na parte continental Belize possui como atrativos alguns sítios arqueológicos maias, além de matas tropicais, mas, assim como com relação às praias, nestes quesitos, o México suplanta em muito a Belize. Portanto, estando em Belize, a melhor estratégia é aproveitar o que o país tem de melhor: sua barreira de corais.