Fortaleza de Suomenlinna–PH n.º 148

A Finlândia tem 7 Patrimônios da Humanidade, mas nenhum deles me atraiu a ponto de fazer-me incorrer pelo interior do país. Visitei, apenas, pela facilidade óbvia de estar muito próxima da capital, a Fortaleza de Suomenlinna. São frequentes os ferries que ligam a kauppatori (Praça do Comércio) até este conjunto de 4 ilhotas na costa finlandesa, numa rápida viagem de 15 a 20 minutos.

A Fortaleza de Suomenlinna foi estabelecida como uma barreira de proteção à própria cidade de Helsinki e foi construída na época em que a Finlândia integrava o Reino da Suécia (1748). Além desta função, Suomenlinna (chamada pelos suecos de Sveaborg) serviu como importante base da Suécia na Guerra travada contra a Rússia em 1788.

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As muralhas protetivas se espalham pelas 4 ilhotas, que são unidas por pontes entre si. Têm 7,5 de extensão e são feitas de granito. O lugar é varrido pelo vento oceânico e, mesmo em um dia de sol, eu quase congelei andando pela Fortaleza.

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Com a derrota sueca, a Finlândia passou a fazer parte do Império Russo em 1808 e, por um século, Suomenlinna serviu como instalação militar da Rússia, que instalou os canhões que hoje se vêem lá.

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A Finlândia aproveitou a Revolução Russa (1917) e declarou sua independência em dezembro daquele ano. Só com a independência finlandesa é que a Fortaleza de Suomenlinna ganhou seu atual nome, que significa, na língua local, Castelo Finlandês.

Mesmo durante a II Guerra Mundial, a Fortaleza foi utilizada para fins militares e o Exército Finlandês apenas deixou o lugar em 1973.

Para a UNESCO, a Fortaleza de Suomenlinna é um exemplo único de arquitetura militar norte-europeia em sua época, razão pela qual foi inscrita como Patrimônio da Humanidade em 1991.

Estive lá em um dos poucos dias do ano em que, justamente, não abre o Museu de Suomenlinna e todas as informações que pude obter sobre o PH resumiram-se a um folheto disponível no lugar e ao Lonely Planet, o que, obviamente, foi pouco.

Abaixo, monumento em homenagem a Augustin Ehrensvärd, o arquiteto militar responsável pela construção da fortaleza a mando do Rei Frederico I da Suécia.

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Os bunkers de Suomenlinna já não têm mais função militar, mas podem servir de abrigo para um lanche, escondendo o visitante do vento gélido que sopra ali. Mas também não é para menos: Helsinki está no Paralelo 60.ºN e é o ponto mais setentrional da Terra onde até hoje já estive.

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Foto aérea (extraída da wikipedia):

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Helsinki, Finlândia

A capital da Finlândia tem 1 milhão de habitantes e um aspecto que tende a ser mais moderno que os das outras capitais europeias. Isto combina com a Finlândia: país com história turbulenta, imprensado entre potências como a Rússia, a Alemanha e a Suécia, mas que conseguiu manter sua identidade, bem como atingir uma notável prosperidade. Hoje, a Finlândia é um exemplo de país com educação de ponta (está sempre nos primeiros, senão no primeiro, lugar nos rankings de educação, baixíssimo nível de corrupção e grande competitividade na área tecnológica (sede da Nokia por exemplo).

O grande símbolo da cidade é a Tuomiokirkko, a catedral luterana, em estilo neoclássico e branca como talco. É um belo prédio do séc. XIX e fica em uma praça onde também se situam o Senado e outros órgãos governamentais finlandeses. Seu austero interior, porém, é bastante menos interessante.

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Eu visitei Helsinki no feriado do dia Primeiro de Maio, então a praça estava lotada de gente que assistia a algumas apresentações, bem como havia alguns manifestantes. Fui abordado por uma senhora que pediu que eu assinasse uma petição contra a obrigatoriedade do estudo do sueco na Finlândia. Embora apenas 5% das pessoas do país seja de língua sueca, o idioma é oficial (e obrigatório) ao lado do finlandês. Para o grupo de manifestantes, isto é injustificável e pretendem mudar a legislação. Eu busquei rapidamente me esquivar deste problema…

A outra catedral de Helsinki é a Ortodoxa, bastante impressionante considerando que apenas 1% dos finlandeses é ortodoxa (a esmagadora maioria, ao menos nominalmente, é luterana). É curioso que a Igreja Ortodoxa da Finlândia seja uma igreja separada da Ortodoxa Russa (diferente do que ocorre na Letônia e na Estônia). Em razão do feriado, a Catedral Ortodoxa Finlandesa fechou mais cedo e não pude entrar.

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Eu gosto muito de visitar os locais onde ocorreram os Jogos Olímpicos, sempre que vou a uma antiga cidade-sede das Olimpíadas, busco visitar alguma coisa a respeito. Fiz isto em Melbourne, em Barcelona, em Berlim e em Sydney. As Olimpíadas de Helsinki aconteceram em 1952 e o Estádio Olímpico está lá:

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Paavo Nurmi é um corredor finlandês (apelidado de Finlandês Voador) que ganhou, em 3 Olimpíadas, 9 medalhas de ouro e 3 de prata.

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Eu tive apenas um dia em Helsinki – e ainda feriado – o que me impossibilitou de visitar museus. O que mais me importava visitar lá era a Fortaleza de Suomenlinna, que fica em uma ilha próxima da capital e que é Patrimônio da Humanidade (tratarei dela em separado).

Mas andei bastante por Helsinki, aproveitando o dia de sol que fazia e fazendo uma foto aqui e ali e terminei o dia em um restaurante nepalês. A arquitetura moderna se vê por todos os lados e é bem bonita a estação de trens (a partir de onde, no dia seguinte, eu segui para a Rússia):

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Helsinki normalmente é visitada em um daytrip de Tallinn (a travessia entre as duas capitais é muito fácil com os ferries) ou por quem está a caminho de São Petersburgo, como era o meu caso. A cidade realmente não oferece muito, mas seu eu tivesse que novamente montar o meu roteiro, não deixaria de incluir a capital da Finlândia.

República da Finlândia – 2013

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Passei o feriado do dia Primeiro de Maio em Helsinki (ou Helsínquia), capital da Finlândia. Cheguei aqui saindo de Tallinn, na Estônia, em um navio que faz a ligação entre as duas capitais. A viagem, confortável e tranquila, leva duas horas.

Helsinki me pareceu muito moderna, quase sem vestígios históricos anteriores ao séc. XIX (com a notável exceção da Fortaleza de Suomenlinna, que é do séc. XVIII e é Patrimônio da Humanidade). Os prédios modernos, espelhados e com design arrojado, acentuaram esta impressão. Não fossem os letreiros escritos na impenetrável língua finlandesa, Helsinki poderia passar-se por uma cidade norte-americana. É um passeio surpreendentemente diferente quando se acostuma a esperar um “centro histórico” nas capitais europeias.

Fez um sol glorioso hoje aqui e a temperatura chegou à casa dos 14, 15 graus Celsius, o que fez os finlandeses saírem em peso para aproveitar o sol e o “calor”. Para mim, continuava frio por causa do vento.

Duas catedrais são os principais marcos na geografia turística de Helsinki: a ortodoxa finlandesa e a luterana. Há alguns museus, mas estavam fechados por causa do feriado. Penso que um dia é suficiente para conhecer o básico aqui, dois no máximo. Mais do que isto, corre-se o risco de ficar rigidamente entediado na capital da Finlândia.