Centro Histórico (Cidade Antiga) de Tallinn–PH n.º 147

O Centro Histórico de Tallinn, capital da Estônia (em estoniano: Vanalinn) é Patrimônio da Humanidade (inscrito em 1997). 

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Fiquei hospedado em um hotel econômico (Tallink, o nome) próximo do porto de Tallinn pois iria de ferry até Helsinki, então quis facilitar as coisas. Dali uma pequena caminhada até entrar na parte velha da cidade por um de seus portões medievais:

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Na Praça Central de Tallinn situa-se a Prefeitura (Vana Toomas), datada do final do séc. XIV, em estilo gótico. Não sei se as atividades administrativas ainda permanecem funcionando neste lugar, pois ali estão instalados museus e até uma taverna que tenta (com sucesso) recriar o “clima” da Idade Média (os utensílios, a ausência de luz elétrica e até o cardápio, tudo evoca este período):

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Visitei o Museu da História da Estônia (Eesti Ajaloomuuseum) atraído pela publicidade que faziam da exposição sobre 11.o0o anos de história da Estônia, mas o acervo é pequeno e o museu, preocupado em destacar curiosidades, acaba sendo superficial. De qualquer forma, ele brinca com algumas questões como a irreligiosidade dos estonianos e a dificuldade extrema da língua nacional, com suas 14 declinações!

Só para que se tenha uma ideia do drama que deve ser ter que estudar estoniano, com estas declinações todas, tome-se o exemplo da palavra carro. Em português, este substantivo apresenta a forma singular: carro e a forma plural: carros. E acabou. Agora, vejam como funcionam as declinações em estoniano e suas respectivas denominações (carro = auto):

carro (nominativo): auto; carros: autod;

do carro (genitivo, isto é, pertencente ao carro): auto; dos carros: autode;

para o carro (ilativo): autosse; para os carros: autodesse;

no carro (inessivo): autos; nos carros: autodes;

do carro (elativo, isto é, a respeito do carro): autost; dos carros: autodest;

sobre o carro (adessivo): autol; sobre os carros: autodel;

até o carro (terminativo): autoni; até os carros: autodeni;

como um carro (essivo): autona; como (uns) carros: autodena;

sem o carro (abessivo): autota; sem os carros: autodeta;

com o carro (comitativo): autoga; com os carros: autodega;

para sobre o carro (alativo): autole; para sobre os carros: autodele;

de sobre o carro (ablativo): autolt; de sobre os carros: autodelt

E por aí vai… Não há artigos, os verbos não tem tempos passados nem futuros (fala-se sempre no presente usando-se referências de tempo como “ontem” e “amanhã”) e não há nenhum problema em construir palavras como töööö (trad. trabalho noturno) ou kuuüür (trad. aluguel mensal).

A igreja com uma torre pontiaguda que se destaca no panorama de Tallinn (primeira foto, acima) é a  Igreja Batista de Santo Olavo (construída no séc. XVI), com uma torre de 159 metros. Durante algum tempo, este foi o mais alto edifício da mundo. Outras igrejas importantes na capital estoniana são a Toomkirik (a Catedral Luterana) e a Catedral Ortodoxa Russa de St. Alexandre Nevsky

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Bem em frente da Catedral Russa está o rosado Parlamento da Estônia e, ali próximo, uma torre medieval chamada Kiek in de Kök, num estilo que parece ser comum no Báltico:

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Sede da Presidência da República:

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A moderna Praça da Liberdade (Vabaduse Väljak):

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Como a Estônia também fez parte da União Soviética, claro que há em Tallinn vestígios soviéticos. Fui atrás deles. O meu guia de viagem sugeriu um passeio guiado pelo Hotel Viru (hoje Hotel Sokos), onde funciona o Museu da KGB (sigla relativa ao antigo serviço secreto soviético). Ao pagar os 8 euros pelo tour, não imaginava que iria me divertir tanto. A guia (uma estoniana de origem russa que falava inglês com um fortíssimo sotaque russo, não sei proposital…), muito divertida, foi contando a história deste lugar.

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Tallinn era uma importante cidade soviética (tanto as competições aquáticas da Olimpíada de Moscou/1980 foram realizadas lá) e, como fica próxima à capital da próspera Finlândia, Moscou na déc. de 1970, resolveu ganhar dinheiro com os turistas do país vizinho. Por este motivo, foi construído em 1972 o Hotel Viru, o primeiro arranha-céu da cidade. Os turistas provindos dos países capitalistas deveriam se hospedar necessariamente no Hotel Viru e eram sujeitos a espionagem praticada pela KGB, que instalou microfones e sistema de escuta em todo o prédio. Não bastasse, todos os passeios tinham que ser feitos com a companhia estatal russa de turismo  Intourist.

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Provocando gargalhadas, a guia foi contando as idiossincrasias do sistema soviético como a pesada burocracia para se conseguir resolver qualquer coisa, a ineficiência crônica do sistema comunista e a propaganda maciça promovida pelo governo soviético, quase sempre com argumentos patéticos. Ela própria disse lembrar-se de tudo isto na infância, inclusive ter que esperar em intermináveis filas para adquirir produtos básicos.

A sala de espionagem da KGB no Viru Hotel:

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O Parque Aquático que serviu às Olimpíadas de Moscou, hoje em ruínas:

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Eu fiquei bastante em dúvida se repartiria o tempo que tive na Estônia entre a capital Tallinn e a segunda cidade do país, Tartu, onde se situa um Observatório que integra o Patrimônio da Humanidade relativo ao Arco Geodésico de Struve. Cheguei à conclusão que era melhor visitar bem e tranquilamente Tallinn, e foi o que fiz. Assim como Riga, dois dias é o tempo mínimo para conhecer a parte antiga da cidade.

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República da Estônia – 2013

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Eu nunca poderia imaginar que iria gostar tanto de Riga, a capital da Letônia é sensacional e dois dias foram suficientes para visitá-la adequadamente, sem pressa, aproveitando inclusive para comer bem e ir a um concerto.

Botando o pé na estrada em direção norte (mais ainda!) em 4 horas e meia de ônibus chega-se a Tallinn (em português há quem traduza como “Talim” ou “Taline”), a capital da Estônia.

A República da Estônia tem 1,3 milhão de habitantes e é um país que se desenvolveu rapidamente após ter-se libertado da União Soviética em 1991 e ter-se integrado ao Bloco Europeu em 2004. A Estônia é cultural, comercial e geograficamente muito próxima da Finlândia. Apenas 85 km de um braço do Mar Báltico separam as capitais dos dois países.

Também seus idiomas são próximos. Tanto o estoniano quanto o finlandês são línguas fino-úgricas, ou seja estão na minoria dos idiomas europeus que não são línguas do tronco indo-europeu (ao qual pertencem as línguas latinas, germânicas e eslavas). Se em letão dava para captar alguma coisa (“República da Letônia” em letão, por exemplo, é “Latvijas Republika”), em estoniano isto não acontece mais (“República da Estônia” em estoniano é “Eesti Vabariik”).

Uma outra curiosidade da Estônia é a de que este é o país menos religioso do mundo. Embora o centro de Tallinn seja salpicado de igrejas luteranas, apenas 16% dos estonianos têm algum tipo de crença religiosa.

O Centro Histórico de Tallinn é Patrimônio da Humanidade e tenho boas expectativas quanto a ele.