Países Andinos querem inscrever o Sistema Viário Inca como Patrimônio da Humanidade

Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia apresentaram pedido conjunto à UNESCO, para inscrição na Lista do Patrimônio Mundial, do chamado Qhapac Ñan ou Sistema Viário (Vial em espanhol) Inca.

A civilização inca foi capaz de produzir um extenso e bem formado sistema de vias terrestres que conectavam os variados pontos do império (chamado Tawantinsuyu) até a capital Cusco. Mais de 26.000 km de estradas cortavam os mais diversos e desafiadores terrenos ligando cidades e garantindo um eficiente sistema de comunicação e de transporte. Algo notável e, guardadas as devidas proporções, lembra algo parecido que os romanos fizeram na Europa.

O Tawantinsuyu (Império Inca) era dividido, para fins administrativos, em quatro regiões (norte, sul, leste e oeste), conforme mapa abaixo:

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O Qhapac Ñan (o sistema viário dos incas) cobria praticamente todas estas regiões, permitia deslocamentos de povos dentro do império inca e possibilitava que as ordens emanadas de Cusco fossem observadas em todo este extenso território. Pelo Qhapac Ñan bens e víveres de todo tipo chegavam a Cusco, inclusive pescados do Oceano Pacífico que chegavam do litoral até a capital, ainda frescos, mesmo com as centenas de quilômetros de distância e 3.500 metros de desnível.

Caso o Qhapac Ñan venha mesmo a ser inscrito (a deliberação será em 2014), teremos na América do Sul um pulverizado Patrimônio da Humanidade pois muitos são os pontos incluídos no Qhapac Ñam por estes 6 países, inclusive alguns que podem ser facilmente visitados por quem vai a Cusco como Ollantaytambo e Sacsáyhuaman ou mesmo por quem vai a Lima, como Pachacamac.

 

Mais informações: http://whc.unesco.org/en/tentativelists/5547/ e http://www.telesurtv.net/articulos/2013/03/18/camino-del-inca-sera-evaluado-por-la-unesco-para-ser-patrimonio-de-humanidad-3734.html

Porto, Fortaleza e Conjunto Monumental em Cartagena, Colômbia–jul/2008

A Colômbia tem 7 Patrimônios da Humanidade. Apenas 1 deles, porém, é de fácil acesso ao viajante comum: a cidade de Cartagena, no litoral caribenho (a Colômbia é o único país da América do Sul que tem costa nos dois oceanos) e é único que visitei até hoje neste país. 

Fui à Colômbia em julho de 2008 num roteiro que incluiu a capital, as paradisíacas ilhas de San Andrés e Providencia (que ficam na altura do litoral atlântico da Nicarágua) e a Cidade do Panamá, além de Cartagena – no passado chamada de Cartagena de Índias, para diferenciá-la da cidade espanhola homônima.

A cidade é um grande destino turístico da Colômbia pelo casario colonial espanhol e pelas praias. Mesmo para quem já foi a muitas cidades com arquitetura colonial na América, Cartagena muito provavelmente agradará.

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Puerta del Reloj:

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Este casario colonial fica mais bonito à noite em razão da iluminação especial que puseram lá. Sentado em um restaurante com estes balcões, a rua iluminada com luz amarela e vendo as charretes passarem, pode-se sentir projetado ao passado, época em que Cartagena, por sua estratégica posição, era uma das mais importantes cidades portuárias das Américas.

Visitei muita coisa lá, mas particularmente gostei da Igreja e Convento de San Pedro Claver (fachada na foto acima), santo nascido na Espanha e que trabalhou em Cartagena, dedicando-se ao cuidado e à defesa dos negros que chegavam escravizados da África.

Um passeio muito comum quando se está em Cartagena é ir até às Ilhas do Rosário, passando pelo Aquário e pelo Forte de San Fernando. Na viagem de 2008 eu cheguei a Cartagena a partir de San Andrés e Providencia, então não era de se esperar que eu ficasse entusiasmado com as praias das Ilhas do Rosário – mas elas são bonitas.

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Cartagena oferece uma boa combinação de história + praia + cidade grande (proposta turística parecida, neste sentido, com Salvador ou Recife) – a cidade tem 1 milhão de habitantes. Uma coisa que não gostei de ter feito em Cartagena foi ter ido de táxi e vomitando sem parar a um pronto socorro de hospital em razão de um intoxicação alimentar.

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Para a UNESCO, que inscreveu Cartagena na Lista do Patrimônio Mundial em 1984, pesou muito o fato de que as muralhas e fortalezas da cidade são as mais robustas já construídas na América durante o período colonial, além do fato de que o centro histórico foi preservado.

A ligação aérea São Paulo – Bogotá está bastante consolidada e as conexões para Cartagena a partir de Bogotá são frequentes. O litoral caribenho da Colômbia oferece ainda outras boas opções como Santa Marta e Barranquilla.

Para visitar uma outra cidade colonial colombiana que é Patrimônio da Humanidade – Santa Cruz de Mompox –, o ponto de partida também é Cartagena (ambas se situam no Departamento de Bolívar), mas não é exatamente simples chegar a Mompox e na época eu nem cogitei ir até lá.

Para uma segunda ida à Colômbia, gostaria de ir a três PH que ficam no sudoeste do país: os sítios arqueológicos de Tierradentro e San Agustín, além da “Paisagem Cultural Cafeeira” ou “Eixo Cafeteiro”, este último inscrito recentemente (2011).

Os dois PH naturais da Colômbia são de difícil(imo) acesso: a ilha de Malpelo no Pacífico (desabitada e a 500 km da costa) e o Parque Nacional Los Katíos, na fronteira com o Panamá, região com atividade de grupos guerrilheiros.