Patrimônios da Humanidade na Venezuela

A Venezuela é, muito provavelmente, o mais complicado dos países de língua espanhola da América do Sul para ser visitado. O país enfrenta altíssimas taxas de criminalidade, especialmente na capital Caracas, o câmbio do país é fixo (o que gera, naturalmente, o câmbio negro, sempre muito mais favorável, mas que expõe os turistas a riscos), há numerosos relatos de turistas que sofreram abusos por parte de policiais corruptos, etc. Já se chamou a Venezuela de “inferno dos mochileiros” (http://www.mochileiros.com/venezuela-roteiro-perguntas-e-respostas-t27995-165.html).

Um dos roteiros relativamente seguros na Venezuela é Los Roques, um arquipélago coralino a poucos quilômetros ao norte de Caracas (acessível por pequenos aviões), lugar este muito mais próximo da ideia de paraíso que de inferno…

Estive lá em abr/2009 e posto, mais abaixo, algumas fotos do lugar e das diversas ilhas que podem ser visitadas a partir de Gran Roque, o núcleo povoado do arquipélago. De todas as experiências de Caribe que já tive (San Andrés e Providencia, na Colômbia; República Dominicana; Guadalupe; Porto Rico; Cancún/Tulum, no México; Bahamas; Turks e Caicos), Los Roques foi a melhor, pelo fato de que não foi dominada pelos megaempreendimentos turísticos, revelando-se, ainda, um Caribe em seu estado quase primitivo, com poucos visitantes e muito sossego.

Mas cabe aqui falar dos Patrimônios da Humanidade na Venezuela. São apenas 3 e eu não conheço nenhum deles.

O primeiro inscrito foi a cidade de Coro e seu porto, situada no Estado (a Venezuela é uma federação, assim como o Brasil e a Argentina) de Falcón, relativamente próxima das ilhas Aruba e Curaçao. Coro tem um centro histórico que, segundo a UNESCO, representa uma mescla única de arquitetura colonial espanhola com influência holandesa (país ao qual pertencem as ilhas Aruba, Curaçao e Bonaire). Por falta de cuidados e em razão de projetos urbanos que podem descaracterizar este centro histórico, Coro está na Lista dos PH em perigo.

BWKWM4

O segundo PH da Venezuela é o mais interessante para mim: o Parque Nacional Canaima, no Estado de Bolívar, bem próximo do Brasil (Roraima) e que inclui atrações como o Monte Roraima (situado na fronteira Venezuela-Brasil-Guiana) e o Salto Ángel, a mais alta cachoeira do mundo, com água em queda livre por mais de 800 metros. Muitas agências de turismo no Brasil têm passeios para o Monte Roraima (para chegar ao seu topo são necessários vários dias de trilha com acampamento) e/ou o Parque Canaima. A base brasileira para visitar esta região é Boa Vista. Foto da wikipedia:

Salto_angel

Por fim, também é PH na Venezuela a Cidade Universitária de Caracas, projetada pelo arquiteto venezuelano Carlos Raúl Villanueva e construída entre 1945 a 1960 (contemporânea com Brasília). Segundo a UNESCO, ali há notáveis exemplos e experimentos em arquitetura moderna. Quando estive na Venezuela, estive bem próximo de Caracas (o Aeroporto Internacional de Maiquetía não fica exatamente na capital, mas no Estado de Vargas, a uns 20 km), mas não cheguei a visitar a capital, tanto por desconhecimento da existência deste PH, quanto pelas contundentes advertências para não se aventurar pelo centro da cidade. Hoje, certamente, a despeito do risco, eu contrataria um taxista e iria visitar o centro de Caracas. Enfim, fica para a próxima oportunidade.

Ciudad Universitaria de Caracas

Conforme mencionado, posto algumas fotos minhas de Los Roques, lugar que, mesmo não sendo PH, é de uma beleza estonteante.

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