Egito reabre a Pirâmide de Quéfren para visitação e pretende recuperar turistas

O Egito atrai turistas desde o séc. XIX e a atividade é fundamental para a economia do país que, ao contrário de vários de seus vizinhos árabes, não foi aquinhoado com grandes jazidas de petróleo.

As turbulências políticas que chacoalharam o país a partir de 2011 provocaram a queda de Hosni Mubarak e a subida de políticos de orientação islâmica. Mubarak, embora fosse um ditador, manteve a paz com Israel (celebrada em 1979) e assegurava a proteção à minoria copta (cristã). Com os muçulmanos no poder, o que se espera é que não transformem o país em mais uma ditadura, agora com viés islâmico. Em outras palavras, espera-se que os egípcios não troquem uma ditadura por outra pior.

De qualquer forma, as turbulências no Egito espantaram os turistas, com reflexo negativo na economia. Agora chega a notícia de que o governo reabriu a Pirâmide de Quéfren para visitação – propalando que o país está novamente seguro – e eu me lembrei que, em 2005, quando estive no Egito, tive a oportunidade de fazer este passeio.

Back open for business: A general view of the Pyramid of Chefren, built as a tomb for the pharaoh Khafre, which has been reopened to the public after a programme of restoration

Quéfren é a segunda maior das três famosas pirâmides do Egito – que são, claro, Patrimônio da Humanidade, sob o título de Memphis e sua Necrópole – o Campo das Pirâmides de Gizé a Dahshur.

A Pirâmide de Quéfren tem 143 metros de altura e é o túmulo do faraó de mesmo nome, filho do faraó Quéops (cujo túmulo é a pirâmide ao lado). A pirâmide era revestida de granito e é possível ver os vestígios deste revestimento no ápice. Discute-se se o granito foi saqueado ou se caiu em razão de terremotos ou outros eventos naturais. Deve-se lembrar que as Pirâmides de Gizé (que é o nome da cidade onde se situam, ao lado do Cairo) foram construídas por volta do ano 2500 antes de Cristo, ou seja, têm por volta de 4.500 anos de idade…

No dia em que lá estive, era possível entrar na Pirâmide de Quéfren atingindo a câmara funerária que fica no coração do imóvel por um estreito e longo canal. No início, é uma descida que se faz agachado, tendo que cuidar  para não bater a cabeça em cima e, dada a fila de turistas, uma vez iniciado o percurso, não era possível voltar até que se chegasse à câmara central. Quem tem claustrofobia, deve evitar.

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A câmara funerária foi decepcionante, embora chegar ali tenha sido um alívio. Havia apenas o túmulo propriamente dito e vazio, pois a múmia desapareceu de há muito. Não há pinturas, não há gravuras, não há informação, não há nada, só a desolação do túmulo vazio de Quéfren que, coitado, construiu um dos maiores e mais imponentes monumentos funerários do mundo, mas (até por isto) não conseguiu que seus restos repousassem em paz ali para sempre.

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Pelo que entendi da reportagem do Daily Mail, também outras tumbas na região serão reabertas para visitação, inclusive a da Rainha Meresankh III.

Stunning craftsmanship: Despite millennia of plundering, the antiquities of Egypt are remarkably preserved. This carving is part of the Tomb of Meresankh III near the Giza pyramids

Fonte: http://www.dailymail.co.uk/news/article-2216352/Egypt-reopens-Giza-pyramid-bid-revive-tourism–despite-lingering-questions-security.html