Palácios e Parques de Potsdam e Berlim–set/2010

Este Patrimônio da Humanidade, inscrito pela Alemanha em 1990 e estendido em 1991, 1992 e 1998, inclui uma grande quantidade de edifícios históricos na capital da república e também na capital do Estado alemão de Brandemburgo, Potsdam. Berlim e Potsdam ficam muito próximas.

Em Berlim, visitei o Palácio Charlottenburg (em alemão: Schloß Charlottenburg) situado nos arredores da cidade. Ir a palácios não é a minha atividade preferida quando estou viajando porque a visita quase sempre é bastante previsível: uma sucessão de salas e salões e quartos e mais quartos, suntuosos e com decoração exagerada. Dificilmente isto fica na memória.

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O Palácio de Charlottenburg tem esse nome em homenagem a Sophie Charlotte,  esposa do Príncipe-Eleitor de Brandemburgo Friedrich (Frederico) III e foi inaugurado em 1699. A partir daí foi sendo utilizado pelos sucessores de Frederico III praticamente até o séc. XX. Na II Guerra Mundial o Palácio de Charlottenburg foi seriamente danificado, mas houve um notável esforço para que não fosse demolido e o prédio acabou sendo impecavelmente restaurado. Hoje é uma grande atração turística em Berlim. Vários outros parques e palácios em Berlim estão incluídos neste PH, mas não me recordo de ter visitado nenhum outro.

Em Potsdam, porém, visitei todos os três locais abrangidos pelo PH e todos eles valem a pena. Deve-se reservar um dia inteiro, no mínimo, para visitar Potsdam.  Isto porque é em Potsdam que se entra em contato com a glória dos reis da Prússia, poderoso reino de língua alemã que depois foi a espinha dorsal do Império Alemão (1871-1918).

O mais famoso local em Potsdam é o Palácio Sanssouci, a residência de verão de Frederico II (também chamado Frederico, o Grande). “Sanssouci” em francês pode ser traduzido como “sem preocupação”, a que, convenhamos, uma casa de verão deveria mesmo se prestar. Há quem compare Sanssouci com Versailles.

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Os jardins do Sanssouci são gigantescos e emendam-se em um amplo parque no qual Frederico II brincou de construir tudo o que lhe aprazia, como a “casa chinesa” (foto abaixo), o “templo do dragão”, a “casa da amizade”, além de fontes e muito mais. Tem-se que andar bastante ali e ter uma bicicleta para percorrer o lugar é uma excelente ideia (que eu não tive).

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O Palácio Babelsberg é mais recente e foi construído no séc. XIX como residência de verão para o Princípe Guilherme (Wilhelm), depois Imperador Guilherme I.

Por fim, um lugar aparentemente mais simples, mas que foi palco, em 1945, da Conferência de Potsdam, com Stálin (União Soviética), Churchill (Reino Unido) e Truman (Estados Unidos) sentados para definir que rumos dariam à Europa (e ao mundo) após o fim da II Guerra Mundial. Trata-se do Palácio Cecilianhof, que tem jeito mais de casa de campo que propriamente de um palácio. Lembro-me que havia muitíssima informação, no local, sobre a conferência que ali se realizou, mas eu já estava cansado e li alguma coisa ou outra apenas, retornando para Berlim em seguida.

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Eu visitei outros pontos de Potsdam que não estão incluídos no PH. Muita coisa da história da Alemanha aconteceu em Potsdam, penso que vale a pena visitar esta cidade.

Rotas para visitação de Patrimônios da Humanidade na Alemanha

A Deutsche Welle – equivalente na Alemanha ao que a BBC é para a Inglaterra, a RAI para a Itália e a NHK para o Japão – traçou 8 rotas para auxiliar os que se interessem em visitar os 37 PH espalhados pelo país.

A proposta é percorrer estas 8 rotas em 8 semanas, mas claro que dá para fazer em muito menos tempo.

Nas duas vezes que fui à Alemanha, notei que os lugares lá qualificados como Patrimônio da Humanidade gozam de grande prestígio e a Alemanha é muito atuante em apresentar tentativas quase que anualmente, a tal ponto que hoje ocupa o 5.º lugar entre os países que mais abrigam PH.

O link para ver as rotas de visitação de PH na Alemanha é o abaixo:

http://www7.dw.de/welterbe/br/start/index.html

Falando de Patrimônios da Humanidade na Alemanha, impossível não mencionar a Ilha dos Museus.

Neste local, que se situa no coração de Berlim,  concentram-se nada menos que 5 sensacionais museus, praticamente um do lado do outro, e que se destacam tanto por seu acervo quanto pelos próprios prédios onde se situam.

Os 5 museus são: Altes Museum, Alte Nationalgalerie, Bode Museum, Pergamon Museum e o Neues Museum, sendo que estes dois últimos visitei quando estive pela primeira vez na Alemanha em 2010.

O Pergamon é imperdível pelo impressionante acervo grego e pelo babilônico Portão de Ishtar (foto):

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O item mais procurado no Neues Museum é o busto da rainha egípcia Nefertiti:

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A Ilha dos Museus, algo realmente único no mundo , foi inscrita como Patrimônio da Humanidade em 1999. Quem for a Berlin, eu aconselho separar tempo para visitar, ao menos, o Museu Pergamon e o Neues Museum.

Monumentos Romanos, Catedral de São Pedro e Igreja de Nossa Senhora em Trier, Alemanha – PH n.º 106

Trier é uma cidade alemã de pouco mais de 100 mil habitantes, muito próxima de Luxemburgo (algo em torno de 50 minutos de trem), no Estado da Renânia-Palatinado (Rheinland Pfalz). O nome alemão Trier em francês é Trèves e há quem traduza para o português como Tréveris. Diz-se que Trier é a cidade mais antiga da Alemanha.

Lendo a respeito desta cidade, fiquei bastante surpreendido em saber que suas atrações são construções de origem romana, porque não é fácil conceber que os romanos tenham chegado tão ao norte na Europa. Mas não só chegaram como construíram em 15 a.C. uma esplêndida cidade, chamando-a de Augusta Treverorum. Chegou a ser uma espécie de capital regional no Império Romano, nada menos que a capital da Gália.

Do ponto de vista histórico, aqui estão duas igrejas que são de capital importância: a Catedral de São Pedro e a Igreja de Nossa Senhora. Estes dois templos, que estão um ao lado do outro, foram construídos por ordem do Imperador Constantino para comemorar seus 30 anos no trono imperial. Constantino deu liberdade de culto aos cristãos (por volta do ano 313) no âmbito do Império Romano, tendo ele próprio aderido à fé cristã.

A repercussão da cristianização do Império Romano mudou para sempre a face do mundo e estas duas igrejas são testemunho vivo deste fato histórico importantíssimo. Evidentemente, elas passaram por grandes reformas e foram profundamente alteradas no decorrer dos séculos, sendo até difícil identificar algum elemento arquitetônico que seja, digamos, “original”, embora isto em nada diminua a sua importância história.

Além da igreja e da Catedral, outras construções romanas integram o Patrimônio da Humanidade aqui reconhecido em 1986

Normalmente, o primeiro impacto que se tem é com a Porta Nigra, um sensacional monumento romano que servia de entrada para a cidade. Fiquei estupefato com o grau de conservação deste imóvel, que tem três pisos superiores. Dentro dele lembrei-me na hora da visita que fiz ao Coliseu de Roma (que é PH no conjunto da Cidade Histórica de Roma). Nunca poderia imaginar encontrar um monumento romano tão grande e tão bem conservado na… Alemanha!

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Há muito o que ver em Trier, em um dia inteiro as atrações cabem apertadas. Eu gostei muito do Anfiteatro Romano e das Kaiserthermen (Termas Imperiais). Incrível a “atmosfera” romana que estes lugares ainda têm. Curiosos nas termas são os vários locais de banho: caldarium (águas quentes), tepidarium (águas mornas) e frigidarium (águas frias).

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O Patrimônio da Humanidade engloba vários edifícios, dentre eles apenas os Banhos de Bárbara (que estão fechados para reforma) e a Coluna de Igel (que fica fora do centro de Trier) eu não consegui visitar.

Fui até a Ponte Romana (Römerbrücke) sobre o Rio Moselle. Sempre me causa admiração ver pontes construídas pelos romanos ainda sendo utilizadas – inclusive com carros e ônibus – nos dias atuais. 

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As margens deste rio, o Moselle, são propícias para o cultivo de vinhas e tanto em Luxemburgo (por onde também passa), quanto na Alemanha produzem-se elogiados brancos.

Voltemos às igrejas. A Catedral de São Pedro tem fachada naturalmente românica, mas a Igreja de Nossa Senhora (em alemão: Liebfrauenkirche), à direita, já tem traços góticos. Estas duas majestosas igrejas sofreram maciça remodelação entre os séc. XI e XIII, mas estão no mesmo lugar e sobre os mesmos alicerces dos templos originais que Constantino mandou construir.

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O interior da Catedral de São Pedro (em alemão Dom St. Peter) é, como se espera de uma igreja em estilo românico, austero, embora o coro próximo ao átrio seja ricamente decorado em estuque branco:

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Conserva-se na Catedral de Trier, como relíquia, a túnica que, segundo o Evangelho de  João (19, 23-24) foi tomada pelos soldados romanos após a crucificação de Cristo, tendo os próprios soldados decidido não parti-la em pedaços por se tratar de uma peça sem costura, tirando a sorte para decidir quem ficaria com ela. Esta relíquia quase nunca é exposta: no séc. XX isto apenas ocorreu em 1933, 1959 e 1996. Mas entre 13 de abril e 13 de maio de 2012 esta rara oportunidade se renovará.

A Liebfrauenkirche é bem pequena mas evoca o fato de que a veneração à Virgem Maria remonta aos primórdios do Cristianismo:

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Ainda integra o PH em Trier a Basílica de Constantino (Konstantinbasilika), edifício com fachada desprovida de decoração e que tem estranhamente encravado um outro prédio com estilo radicalmente diferente. A Konstantinbasilika é hoje um templo protestante e estava fechada à visitação:

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Trier tem o mais espetacular conjunto de construções romanas ao norte dos Alpes. Mais ainda, tem duas igrejas umbilicalmente ligadas ao momento histórico em que o Cristianismo após alastrar-se por todo o Império Romano, acabou por impor-se como religião oficial.

Trier em algum momento chegou a ser praticamente a segunda cidade do Império Romano, atrás apenas de Roma – a ponto de ali residirem Imperadores como Constantino e os imperadores seguintes Constantino II, Valentiniano e Graciano. No contexto do declínio do Império Romano e da retração de suas fronteiras, Trier acabou sendo invadida por bárbaros (os godos) e, a partir de então, nunca mais recuperou a importância que já teve.

Uma última curiosidade é que Trier é a cidade natal de Karl Marx e há um museu na casa onde nasceu, mas eu não quis ir até lá.

Foi um belo passeio. Quem for a Luxemburgo deve separar um dia para ir a Trier. 

Catedral de Aachen, Alemanha – PH n.º 101

De todos os lugares que eu tinha planejado visitar nesta ida à Europa, a Catedral de Aachen (que em português também pode ser chamada de Aquisgrana ou Aquisgrão) era o que eu mais ansiava. Ela foi inscrita na Lista de Patrimônios da Humanidade já no primeiro ano (1978) e, do ponto de vista histórico, talvez seja o PH mais importante reconhecido na Alemanha.

Cheguei a Aachen na volta para Bruxelas, saindo de Colônia. O tempo estava horrível, com chuva e frio. Consegui me encaixar em uma visita guiada pela Catedral, porque era o único jeito de ingressar em algumas partes – e eu fazia questão de visitar bem a Aachener Dom. O tour era em alemão e, assim, eu não aproveitei quase nada do que a guia falou, mas ela se dispôs a responder em inglês as questões que eu fizesse (e eu perguntei bastante), além de fazer um resumo das explicações.

A Catedral de Aachen é bem pequena, em especial quando comparada com a de Colônia, mas foi um lugar incrível. Primeiro, por sua idade: a catedral foi construída por ordem de Carlos Magno no final do séc. VIII e consagrada no ano de 805 pelo Papa Leão III à Virgem Maria, sendo a mais antiga catedral do Norte da Europa. Estamos falando de um prédio com 1.207 anos de idade!

Este edifício é fortemente ligado a Carlos Magno, o Rei dos Francos e que se fez coroar, no ano 800, como Imperatur Romanorum (Imperador de Roma), invocando um título que não mais se usava desde o fim do Império Romano do Ocidente (em 476). Carlos Magno herdou de seu pai, Pepino, o Breve, a dinastia carolíngia e teve sob seu reinado boa parte da Europa cristã – lembrando-se que a Península Ibérica e os Bálcãs estavam sob domínio muçulmano.

Sob Carlos Magno, portanto, a Europa voltou a ter, séculos depois, um governante forte, capaz de voltar a cunhar moedas, erigir catedrais e monastérios, dar prosseguimento à conversão de povos conquistados ao Cristianismo e fazer freio à expansão muçulmana.

Carlos Magno foi beatificado no ano de sua morte (814) por um bispo e o ato foi confirmado pelo Papa Bento XIV quase mil anos depois. Chegou a ser canonizado pelo Antipapa Pascoal III no ano de 1166, mas o ato foi anulado por falta de autoridade eclesiástica legítima do antipapa. Então, para a Igreja, Carlos Magno é um beato.

Na Catedral de Aachen repousam os restos de Carlos Magno em uma urna dourada e prateada que fica bem ao fundo do coro.

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No segundo piso está o seu trono, feito de placas de mármore e de uma simplicidade chocante para um trono de um Imperador. A partir do trono a visão que se tem, olhando para frente um pouco acima é de um belo mosaico de Cristo entronado (segunda foto):

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Estes importantíssimos elementos da Catedral só podem ser acessados com a visita guiada, portanto, quem for, obrigue-se a tomar uma, seja em que língua for, do contrário terá por bastante prejudicada sua visita.

O coração da Catedral é a Capela Palatina, em formato octogonal e estilo bizantino – é a parte, digamos, original. Aqui foram coroados os imperadores do Sacro Império Romano-Germânico por séculos a fio. Os mosaicos brilham espetacularmente após um reforma recente e é difícil evitar ficar com os olhos fixos no gigantesco candelabro cuja forma foi inspirada na coroa de Carlos Magno, doado pelo Imperador Frederico Barbarossa no séc. XII. O candelabro desce a partir de um teto também coberto de mosaicos!

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A urna onde estão os restos de Carlos Magno ficam no coro, ou a parte gótica da Catedral, acrescentada depois. Lá também estão o púlpito e outra urna dourada, um pouco à frente, contendo uma série de relíquias, como tecidos de roupas tidas por trajadas pela Virgem Maria, São João Batista e Jesus Cristo. Seguindo uma tradição antiquíssima, estas relíquias só são expostas brevemente a cada 7 anos – a próxima oportunidade será em 2014.

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No exterior da catedral, notam-se claramente os acréscimos que forma feitos ao longo do tempo, em estilos que vão do gótico ao barroco. Por causa da chuva, a única foto externa que consegui fazer foi esta, por isto coloco outra tirada da internet e com outro ângulo.

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Vários outras maravilhas estão expostas no Tesouro da Catedral, que fica em um prédio próximo e cuja entrada, ao contrário da igreja, é paga. Lá estão o magnífico busto de Carlos Magno, ossos de seu braço, a Cruz de Lothair (datada do ano 1000 e cravejada de pedras preciosas) e outros objetos de importância histórica e religiosa.

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Como se trata de um edifício muito antigo, é claro que a seu respeito há uma série de lendas. Uma que achei curiosa é a seguinte: os moradores de Aachen precisavam de dinheiro para finalizar a Catedral de Aachen e com isto agradar a Carlos Magno. Um distinto mas estranho senhor apareceu na cidade e se prontificou a fornecer os fundos, mas com uma condição, que a alma do primeiro que entrasse na igreja pronta lhe fosse dada. Os moradores de Aachen logo perceberam que se tratava do Diabo, mas toparam a proposta. Finda a catedral, fizeram com que um lobo fosse a primeira criatura a nela entrar e o Diabo, percebendo que havia sido enganado, saiu de lá furioso, batendo, na saída, violentamente a porta da Catedral a tal ponto que prendeu o seu dedo.

Está na porta da Catedral pelo lado de fora a cabeça de um leão e dentro da sua boca, diz-se ser possível sentir o que seria a “impressão digital” deixada pelo diabo. Eu meti o dedo lá, mas, sendo sincero, não consegui identificar direito esta tal marca…  A estátua do pobre lobo também está lá:

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Brincadeiras à parte, eu poderia ter passado o dia todo apenas na Catedral de Aachen e no Tesouro. Foi uma verdadeira imersão em um importante período da Idade Média (injustamente chamada de “Idade das Trevas”). A Catedral tem uma “atmosfera” que induz a este retorno no tempo, inclusive com uma iluminação adequada. Minha expectativa era alta e eu saí de lá muito mais impressionado do que eu imaginava.

Castelos de Augustusburg e Falkenlust em Brühl, Alemanha – PH n.º 100

Brühl é uma pequena cidade na região metropolitana de Colônia, com fácil acesso por trem suburbano. A cidade, aliás, é bem perto da capital da antiga Alemanha Ocidental, Bonn.

Minha expectativa quando visitei este Patrimônio da Humanidade era baixa: eu sabia que os dois castelos (ou palácios segundo melhor me pareceram) estariam fechados para a visitação. Eles não abrem durante os meses de dezembro e janeiro e eu só poderia vê-los por fora. Topei ir porque não sei quando voltarei a estar nas redondezas de Colônia. 

O sol abriu logo que cheguei ao parque onde fica o Castelo (Palácio) de Augustusburg. Há muitas obras ali no local e foi bem difícil fazer fotos evitando os guindastes e tapumes.

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As fachadas de Augustusburg não me impressionaram e eu me lembrei de um outro palácio, em Viena – o Schönnbrunn – cuja parte externa também tem esta coloração amarelada e que também é Patrimônio da Humanidade.

O Palácio de Schönnbrunn, porém, é muito mais imponente e é rodeado por belíssimos jardins. Augustusburg também tem amplos jardins (que compõem o parque chamado Schlosspark), mas estavam no dia em que visitei bem maltratados pelo frio.

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Após ter visto o palácio de Augustsburg por fora e ter passeado um pouco pelos jardins, procurei saber onde ficava o outro palácio inscrito pela UNESCO, Falkenlust, mas descobri que ficava a 5 km a pé dali e imediatamente desisti de visitá-lo, já que não dava para encaixar no cronograma do dia uma caminhada de 10 quilômetros (ida e volta). Estava indo embora quando vi um táxi deixando um passageiro e percebi que aquela seria minha chance de visitar o outro prédio componente do PH.

Para lá fui. Falkenburg também estava fechado, naturalmente. É bem menor e era, na realidade, uma espécie de “casarão de caça”, e eu suponho que ali ficassem os troféus de caça, os equipamentos e demais artefatos ligados a esta atividade. No nome do palácio, aliás, há alusão a “falcão”, ave treinada para caça.

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Ambos os prédios serviram ao Arcebispo e Príncipe-Eleitor de Colônia Clemente Augusto e sua construção se deu por sua ordem no séc. XVIII. A organização política da Alemanha antes de sua unificação (no séc. XIX) é bastante complicada mas, grosseiramente falando, havia uma grande quantidade de pequenos Estados com uma fluida conexão consistente no Sacro Império Romano-Germânico, cujo fim ocorreu apenas em 1806.

Os vários príncipes governantes destes pequenos Estados germânicos eram incumbidos da “eleição” do Imperador, embora na prática ela ocorresse por sucessão dinástica. Um destes “eleitores” era justamente o Arcebispo de Colônia Clemente Augusto (1700-1761), que cumulava os poderes espirituais com os temporais, sendo também o “Príncipe-Eleitor” de Colônia.

Clemente Augusto incumbiu dois arquitetos, Johann Conrad Schlaun e François de Cuvilliés, da construção de dois palácios para si em Brühl – exatamente o Augustusburg (o nome é em sua própria homenagem) como sua residência e Falkenlust, para que exercitasse a caça, atividade que apreciava.

A UNESCO considera que estes prédios são obras-primas do rococó e mesmo do lado de fora é possível notar alguns indícios deste estilo, pelos temas florais e profanos, o emprego de cores claras e até um ganso.

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Clemente Augusto estourou o orçamento estatal para construir estes palácios. Segundo o que li, logo após sua morte, toda a mobília adquirida teve que ser vendida para pagar as contas pendentes da obra.

Mas valeu a pena: durante a existência da Alemanha Ocidental, as recepções oficiais da presidência do país ocorriam em Augustusburg e a UNESCO o inscreveu, bem como Falkenlust, na Lista de Patrimônios da Humanidade em 1984.