Eleições Italianas

Recebi ontem um envelope proveniente do Consulado Geral da Itália em São Paulo. Dentro, duas cédulas para votação nas próximas eleições gerais italianas destinadas a eleger os integrantes da Câmara dos Deputados e do Senado daquele país, nos dias 24 e 25 de fevereiro de 2013.

Fui ver como isto funciona.

Todo cidadão italiano residente no exterior tem direito a votar nas eleições nacionais, desde que esteja regularmente inscrito no AIRE (Anagrafe Italiani Residenti all’Estero) do respectivo consulado ao qual se encontra sujeito. O AIRE é uma espécie de “cartório” no qual constam as informações relativas ao cidadão que vive no exterior. A inscrição no AIRE deve ser providenciada até o último dia do ano anterior às eleições, sob pena de não se poder votar.

A Itália admite que seus cidadãos que moram fora elejam 12 integrantes da Camera dei Deputati e 6 membros do Senato della Repubblica. E a divisão é assim:

– cidadãos italianos residentes no exterior, na Europa: 5 deputados e 2 senadores;

na América do Sul: 4 deputados e 2 senadores;

– América do Norte e Central: 2 deputados e 1 senador;

– África, Ásia e Oceania: 1 deputado e 1 senador.

A Câmara dos Deputados tem 630 membros no total. Seu mandato é de 5 anos, exceto na hipótese de dissolução do Parlamento,quando, então, no prazo de 70 dias, novas eleições devem ser convocadas. É exatamente o que está ocorrendo agora: em dezembro de 2012, o Primeiro-Ministro Mario Monti anunciou que renunciaria ao posto, o que motivou o Presidente da República Giorgio Napolitano a convocar estas eleições. Os membros da Câmara dos Deputados devem ter, no mínimo, 25 anos de idade e reúnem-se no Palacio Montecitorio (foto abaixo):

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O Senado italiano conta com a espantosa cifra de 315 senadores eleitos (comparem com os 81 membros do Senado Brasileiro e com os 100 membros do Senado dos Estados Unidos, países que têm, respectivamente, 3 e 5 vezes a população da Itália). A estes acrescem-se os integrantes vitalícios (Senatori a vita) que são os ex-presidentes da república e, ainda, pessoas por ele indicadas por terem, nos termos da Constituição Italiana, “illustrato la Patria per altissimi meriti nel campo sociale, scientifico, artistico e letterario”. Atualmente, são 4 os senadores vitalícios, inclusive Mario Monti (afastado, ocupando o cargo de primeiro-ministro). Os outros três são Carlo Azeglio Ciampi (ex-presidente, 92 anos de idade), Giulio Andreotti (94 anos) e Emilio Colombo (92 anos). Apenas pessoas maiores de 40 anos podem integrar o Senado Italiano e apenas cidadãos com mais de 25 anos de idade podem votar para eleger senadores. O Senado italiano reúne-se no Palazzo Madama (foto abaixo):

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Pelo que pude entender até agora (é a primeira vez que vou votar nas eleições italianas), e ainda considerando as instruções enviadas pelo Consulado, vota-se em uma coalizão (há 7 disponíveis, entre elas Il Popolo della Libertà, de centro-direita, liderada por Silvio Berlusconi; Partito Democratico, de centro-esquerda, liderada por Pier Luigi Bersani). Suponho que o sistema eleitoral italiano siga o modelo distrital, já que existem coalizões regionais. No caso da Ripartizione America Meridionale há opções como a Unione degli Italiani per il Sudamerica e a Unione Sudamericana Emigrati Italiani (USEI).

É possível, além de votar na coalizão, expressar o voto di preferenza, escrevendo-se o sobrenome de um dos candidatos arrolados pela coalizão.

No caso da USEI há uma candidata ítalo-brasileira, nascida em Brasília, Renata Bueno; também a coalização Movimento Associativo Italiani all’Estero con MERLO (MAIE) conta com um ítalo-paulista, João Claudio Pieroni e o Partito Democratico tem o nome da gaúcha (e italiana) Claudia Antonini. Notei que há uma profusão de argentinos na lista de nomes enviada pelo Consulado.

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Há uma folha marrom para a votação para deputado e uma folha verde para votação de senador. Elas são dobradas e dentro há o campo para a votação na coalização e, se o caso, o voto di preferenza. Os cidadãos com menos de 25 anos de idade recebem apenas a folha marrom.

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O envelope com as cédulas dos votos (padronizado e também enviado pelo Consulado, já com o porte pago) deve chegar, pelo correio,  sem qualquer tipo de identificação, até às 16 horas do dia 21 de fevereiro (os italianos residentes no exterior, portanto, votam antes). Caso as cédulas cheguem após este dia e hora, não serão escrutinadas. 

Mais informações: http://www.esteri.it/MAE/IT/Sala_Stampa/ArchivioNotizie/Approf_PostingDettaglio/2013/01/Elezioni%202013.htm

Patrimônios da Humanidade ligados a Oscar Niemeyer

Oscar Niemeyer (1907-2012) foi um arquiteto modernista de primeira grandeza e é reverenciado em todo o mundo por seu legado e sua contribuição à arquitetura mundial no séc. XX (que ele presenciou praticamente inteiro).

Obviamente, a primeira referência que se tem de Niemeyer é Brasília, projetada por ele e por Lúcio Costa, no megaempreendimento obstinadamente perseguido por Jucelino Kubitschek, então presidente do país.

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A marca de Niemeyer se fez sentir também em Diamantina (MG), em especial no Hotel Tijuco (foto abaixo) e uma escola pública. Niemeyer, que já era conhecido de Kubitschek, foi por ele convidado a realizar obras em sua cidade natal.

Na França, foi inscrita (em 2005) a cidade litorânea de Le Havre, sob o título Le Havre, cidade reconstruída por Auguste Perret. Le Havre foi devastada durante a II Guerra Mundial, mas já em 1945 começaram os trabalhos de reconstrução e a cidade foi remodelada por arquitetos modernistas, em especial por Auguste Perret, mas Niemeyer deu sua contribuição, projetando o centro cultural chamado Le Volcan:

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Na Costa Amalfitana (PH situado na Campania, Itália e inscrito em 1997 como Costiera Amalfitana) também há obra de Niemeyer, o Auditorium Ravello, que, no entanto, não é unanimidade, muita gente o considera grotesco e despropositado para este famoso trecho do litoral italiano.

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Deve haver outros PH com obras de Oscar Niemeyer, mas os que eu consegui identificar são estes. De qualquer forma, a marca de Niemeyer no Brasil (e mesmo em muitas cidades mundo afora) é profunda e indelével.

Como imaginar São Paulo sem o Memorial da América Latina, sem os prédios projetados por Niemeyer no Parque do Ibirapuera ou sem o Edifício Copan (foto)?

Como imaginar Belo  Horizonte sem o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, Curitiba sem o apelidado “Museu do Olho” ou Niterói (foto) sem o Museu de Arte Moderna? O Brasil sem sua capital?

Niemeyer, falecido na invejável idade de 104 anos (quase 105), está entre os mais notáveis, profícuos e influentes brasileiros de todos os tempos.

O Coliseu em reformas

Um dos mais conhecidos pontos da Cidade Eterna entrará em reformas nas próximas semanas: o Coliseu, conhecido, nos termos romanos como Anfiteatro Flaviano (Amphitheatrum Flavium).

Segundo o que consta, o Coliseu está em sua parte sul afundado em 40 cm com relação à sua parte norte e, nos últimos anos, fragmentos do imóvel têm se desprendido, especialmente após temporais. Por isto, planeja-se implantar barreiras que impeçam os turistas de se aproximarem muito das paredes do Coliseu, inclusive para sua própria segurança.

Serão investidos mais de 32 milhões de euros na reforma (ao que parece por uma empresa privada, Tod’s), que se espera terminada em 2015. Houve o cuidado de fazer a obra em fases, de modo a evitar que o Coliseu fique completamente coberto de tapumes e andaimes – arruinando, assim, as fotos dos turistas. Em nenhum momento, ele ficará fechado ao público.

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O Coliseu foi o palco das lutas entre os gladiadores na época do Império Romano e é hoje um dos maiores símbolos de Roma – cujo Centro Histórico é Patrimônio da Humanidade desde 1980.

Fonte: http://www.aprimordia.com/roman-archeology-news/protective-barrier-colosseum/?fb_source=pubv1

UNESCO monitora danos ao patrimônio cultural atingido pelo terremoto na Itália

De acordo com o site oficial da UNESCO, os Patrimônios da Humanidade que se situam na região mais atingida pelo terremoto dos últimos dias no norte da Itália – cidades de Ferrara, Mantua e Sabbioneta – não sofreram danos severos, embora graves prejuízos tenham ocorrido em outras localidades não reconhecidas pela UNESCO como PH.

A UNESCO informa que “há preocupação quanto à preservação destes muitos outros edifícios, incluindo igrejas e palácios, que são testemunho da rica herança artística cultural da Itália. Estes monumentos, embora não se encontrem inscritos na Lista dos Patrimônios da Humanidade, têm significativo valor para suas comunidades, para os amantes da arte e para os estudiosos e não podem ser subestimados”.

Fonte: http://www.unesco.org/new/en/media-services/single-view/news/unesco_monitors_damage_to_heritage_in_northern_italy_following_powerful_earthquake/back/18256/

Vândalos danificam uma das catedrais patriarcais

Na manhã desta terça-feira descobriu-se que vândalos danificaram a porta da Basílica de Santa Maria Maior (em italiano: Santa Maria Maggiore). Pelo que se apurou, os marginais, utilizando um martelo ou uma pedra, fizeram um buraco do tamanho de um punho na porta de bronze da basílica, próximo à representação da aparição do Anjo Gabriel à Virgem Maria.

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A Basílica de Santa Maria Maior é uma das quatro basílicas patriarcais, as outras são a Basílica de São Pedro (San Pietro); São Paulo Extramuros (San Paolo fuori le Mura) e São João Latrão (San Giovanni Laterano). Tais igrejas têm uma série de privilégios canônicos e são, do ponto de vista turístico, pontos importantes para serem visitados em Roma.

A Basílica de Santa Maria Maior, datada do séc. V,  é uma das igrejas mais antigas dedicadas à Virgem. De acordo com a tradição, Maria apareceu para o Papa Libério no ano de 358 e indicou o local para a construção do templo, que seria exatamente no ponto em que fosse encontrada neve no dia seguinte, o que ocorreu em pleno verão (5 de agosto).

Embora as basílicas patriarcais se situem fora dos limites do Estado do Vaticano (com exceção, claro, da Basílica de São Pedro), estão, nos termos do Tratado de Latrão firmado entre a Santa Sé e o Estado Italiano (em 1929), sob jurisdição do Vaticano. Por isto se diz que o Vaticano exerce sobre elas direitos extraterritoriais. Todas são patrimônio da humanidade, inscritas pelo Vaticano em conjunto com a Itália.

Fui à Basílica de Santa Maria Maior em um dia de copiosa chuva e mesmo com capa de chuva cheguei lá todo molhado. Eu me lembro que gostei muito dos abundantes mosaicos e  do teto “em caixotões”:

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Muitos países ocidentais reprimem com brandura os crimes perpetrados contra os bens públicos, mesmo contra o patrimônio artístico ou arquitetônico, aí incluídos a Itália e o Brasil, o que é lamentável.