Byblos–PH n.º 206

Byblos é a palavra grega para papiro, provindo do Egito que, como se sabe, era a base para a escrita na Antiguidade Mediterrânea. “Byblos” depois serviu para a palavra “livro” e daí para a Bíblia (plural para “livro”) e também da cidade onde se situa um Patrimônio da Humanidade.

Esta cidade no litoral do Líbano, 35 km ao norte de Beirute, está na lista das cidades mais antigas do mundo continuamente povoadas (nesta lista também estão Jericó, na Palestina; Damasco e Aleppo, na Síria, dentre outras). Estima-se que Byblos já era povoada há 7.000 anos e nunca deixou de ter presença humana desde então.

Byblos foi uma das mais importantes cidades da Civilização Fenícia, notória por seus feitos no campo da navegação (os fenícios foram os senhores do Mar Mediterrâneo por séculos e fundaram colônias até na Espanha), no comércio (Byblos era o porto onde chegavam os produtos egípcios, inclusive o papiro que lhe deu o nome) e na escrita (necessária para os negócios entre as diversas colônias fenícias).

Da escrita fenícia derivam os alfabetos grego e romano e uma das mais antigas inscrições neste alfabeto está no túmulo do Rei Hiram (que negociou os cedros do Líbano com que foi construído o Templo de Salomão, em Jerusalém), hoje em exposição no Museu Nacional em Beirute.

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Os libaneses têm o maior orgulho de hospedarem as cidades-chave da civilização fenícia (Byblos e Tiro), muitos se consideram, antes que árabes, descendentes dos fenícios.

Em Byblos o mais notável que se há para ver é justamente o Sítio Arqueológico da cidade, que guarda traços das 7 camadas de civilizações que passaram por Byblos (fenícios, gregos, romanos, bizantinos, árabes, cruzados e otomanos), com destaque para as construções realizadas pelos cruzados (em especial francos/franceses), que no séc. XII tomaram a cidade aos árabes e construíram ali o Château de la Mer, principal marco do sítio arqueológico.

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Mas andando pelo lugar – que poderia estar mais bem cuidado! -majestosamente situado à beira-mar, pode-se encontrar diversos restos que remontam aos romanos (como colunas romanas), as escavações de uma fonte da época árabe e mesmo o lugar onde se situava o templo para adoração do principal deus fenício: Baal Gebel, divindade esta que, segundo se lê na Bíblia, atraía com frequência a ira do Deus hebreu Javé todas as vezes que os hebreus se inclinavam a seu culto. Na Bíblia, aliás, os fenícios eram conhecidos como cananeus, que era o nome pelo qual chamavam-se a si próprios. O termo “fenício” foi dado pelos gregos.

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Cheguei a Byblos de ônibus, num domingo de sol forte após ter visitado a Gruta de Jeita e o santuário mariano em Harissa. A companhia Nakhal oferecia um tour para estes mesmos lugares, mas achei facílimo fazê-lo de forma independente e adorei ter passado o dia desta parte do Líbano (Monte Líbano) que é majoritariamente maronita.

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Andei praticamente sozinho pelo sítio arqueológico de Byblos. Os souks (mercados) da cidade estavam abertos mesmo no domingo, mas havia pouco movimento. Penso que com o calor que fazia, os libaneses e os turistas estavam muito mais preocupados em aproveitar a praia.

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No Líbano, a cidade de Byblos – nome dado pelos gregos –, é mais conhecida em sua versão árabe: Jbeil (جبيل) e é a capital do Monte Líbano.

Baalbeck–PH n.º 205

Baalbeck (árabe: بعلبك) é o mais conhecido dos sítios turísticos do Líbano. Há séculos atrai visitantes: um deles, o Imperador do Brasil Pedro II, que lá esteve em 1876 em um giro que fez pelo Oriente Médio. Baalbeck guarda algumas das mais impressionantes ruínas romanas do mundo, notáveis por suas grandes proporções e riqueza de detalhes. Foi um lugar construído para impressionar.

Na Antiguidade foi chamado de Heliópolis (greg. Cidade do Sol) por Alexandre, o Grande e antes Baalbeck havia sido local de culto ao deus fenício Baal. Mas foram os romanos que deixaram os magníficos templos que hoje ainda podem ser vistos lá, construídos para a adoração de três importantes deuses romanos: Júpiter, Vênus e Baco.

O sítio arqueológico é enorme e a seu tempo Baalbeck deve ter sido um dos maiores complexos religiosos do Império Romano. O Templo de Júpiter tinha 90 metros de comprimento com altas e elaboradas colunas coríntias, das quais hoje restam 6, majestosamente situadas no ponto mais alto de Baalbeck, onde se situava o templo.

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O Templo de Baco, por sua vez, é incrivelmente preservado, por fora dá a impressão até de que pouco sofreu com o passar dos séculos (foi construído no ano de 150 d.C.), mesmo em uma região de clima extremo, sujeita a terremotos e história de conquistas e guerras.

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Dentro deles, os detalhes nas colunas coríntias são ainda mais nítidos e intrincados e há alusões a Baco, deus do vinho, da colheita e da fertilidade:

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O Templo de Venus está bastante menos conservado (está sob trabalhos de restauração).

No dia em que estive em Baalbeck estavam no fim os trabalhos de preparação para o Festival de Baalbeck que acontece em julho de cada ano (desde que não haja turbulências políticas) e os shows ocorrem dentro do sítio arqueológico, que é iluminado à noite.

No resto do ano, Baalbeck é apenas uma cidade do Vale do Bekaa, com forte presença xiita e é uma das bases do Hezbollah, com fotos de seus líderes, bem como dos aiatolás iranianos por todos os lados. O Irã, inclusive, fez construir uma reluzente mesquita bem próxima do sítio arqueológico.

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Há um museu no local do sítio arqueológico, mas as peças mais interessantes extraídas de Baalbeck estão no Museu Nacional em Beirute.

Próximo de Baalbeck está a pedreira de onde os romanos retiravam as colunas e as pedras necessárias para a construção dos templos. Não se sabe a razão de esta coluna ter sido abandonada quase pronta para ser extraída:

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Anjar–PH n.º 204

O primeiro Patrimônio da Humanidade que visitei em minha viagem ao Líbano foi Anjar (árabe: عنجر), isto é, as ruínas de Anjar, que ficam próximas a um povoado de mesmo nome, habitado por armênios que se estabeleceram neste ponto do Vale do Bekaa na época da diáspora armênia (início do séc. XX).

Fui até Anjar com uma excursão da empresa turística Nakhal, muito conceituada no Líbano, passando no mesmo dia por Baalbeck e pela vinícola Ksara. Embora eu não goste de excursões de maneira geral, as que eu fiz com a Nakhal foram adequadas porque me levaram a pontos cujo acesso não é muito fácil no Líbano com transporte público e também porque o almoço incluído – tipicamente libanês – foi maravilhoso em todas as vezes. Alcança-se Anjar, a partir de Beirute, pela rodovia que vai até Damasco, na Síria. Anjar está a pouquíssimos quilômetros da fronteira síria, que apenas não é vista em razão das Montanhas do Antilíbano.

Os sítios arqueológicos mais conhecidos do Líbano apresentam diversas camadas das várias civilizações que passaram pelo país (fenícios, gregos, romanos, bizantinos, os diversos califados árabes, mamelucos, seljúcidas e otomanos). Anjar é uma exceção. Anjar está ligada a apenas um período histórico do Líbano: a conquista muçulmana, ocorrida na época do Califado Omíada.

É necessário saber que após a morte do Profeta Maomé, em 632, dada a inexistência de herdeiros homens, houve disputas envolvendo a sucessão daquele que deveria ser o líder da recém-fundada religião islâmica. As disputas pela sucessão legítima de Maomé são a raiz da divisão entre os dois principais ramos do Islã (sunismo e xiismo).

Aqueles que conseguiram o reconhecimento como sucessores do Profeta eram chamados de califas. O quinto califa, Mu’awiyah, transferiu a capital dos árabes de Medina para Damasco e fundou a Dinastia dos Omíadas (660-750), que, embora de curta duração, deu prosseguimento à veloz expansão do Islã e construiu jóias da arquitetura islâmica como o Domo do Rochedo em Jerusalém e a Mesquita Omíada em Damasco.

Anjar também foi construída pelos Omíadas para servir como um ponto de passagem e apoio na rota entre Damasco (a capital omíada), os portos do litoral libanês e as cidades sagradas dos muçulmanos (Meca, Medina e Jerusalém).

Os omíadas lançaram mão da experiência bizantina para projetar e construir Anjar, de modo que o plano e os monumentos da cidade são marcadamente romanos, com as avenidas cardo maximus e decumanus maximus cruzando a cidade em direção aos quatro pontos cardeais. A cidade tinha forte vocação comercial – mais de 600 “lojas” foram descobertas –, e ali havia banhos termais (árabe: hamman) e mesquitas, além do palácio utilizado pelos governantes omíadas quanto de passo pela cidade.

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As ruínas de Anjar são interessantes (embora não sejam espetaculares) e é necessária a orientação de um guia para se compreender os diversos pontos do sítio arqueológico, descoberto, por acidente, em 1940. O que mais me chamou a atenção em Anjar foi a sua própria localização: no incrível vale do Bekaa, espremido entre duas cadeias de montanhas paralelas, o Monte Líbano e as Montanhas do Antilíbano, irrigado pelo degelo que desce destes montes e repleto de plantações dos mais diferentes produtos, famosos por seu sabor e qualidade.

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República Libanesa–2016

Em fev/2015 houve uma promoção aérea incrível para o Líbano pela Ethiopian Airlines mas eu fiquei bastante receoso de visitar este país asiático em razão da Guerra Civil na vizinha Síria – Beirute fica a meros 110 km de Damasco. À época, avaliei que era considerável o risco de que o conflito sírio se espalhasse pelo Líbano, em especial porque o Hezbollah (importante força político-paramilitar no Líbano, de viés xiita) é antagonista dos terroristas do Estado Islâmico (sunitas), que atuam na Síria e no Iraque. Ao invés do Líbano, fui para a Nicarágua. Em 2016, as notícias são menos preocupantes, de modo que comprei a passagem a Beirute também pela Ethiopian Airlines (o vôo faz escala em Lomé, no Togo, e conexão em Addis Abeba, na Etiópia), desta vez bem mais cara, mas estou confiante de que vai dar tudo certo. No total, são 19 horas de voo entre São Paulo e Beirute.

Morando em São Paulo, é fácil perceber influências do País dos Cedros, que tantos imigrantes mandou para o Brasil, com importantes marcas na culinária (kibe, esfiha, tabule, “beirute”(!) etc., consumidos em larga escala no Brasil, têm inspiração libanesa), igrejas (Catedral Ortodoxa de São Paulo, Igreja Nossa Senhora do Líbano, etc.) e na política. A rede fast food Habib’s de comida libanesa (adaptada) compete com o Mc Donald’s e é provável que nem mesmo no Líbano haja algo assim. Os descendentes de libaneses são muitos entre os políticos brasileiros: o Prefeito de São Paulo (Fernando Haddad), o Governador de São Paulo (Geraldo Alckmin) e o Presidente do Brasil (Michel Temer) são descendentes de libaneses. Estima-se que sejam 8 milhões os descendentes de libaneses no Brasil – o dobro da população do próprio Líbano. O Brasil é o país mais importante da diáspora libanesa.

Há alguns anos fui a uma exposição em SP sobre a viagem que D. Pedro II (de quem sou muito fã) fez ao Líbano e comentei aqui no blog.

O Líbano (nome oficial República Libanesa; em árabe: الجمهورية اللبنانية‎‎ pron. al-Jumhūrīyah al-Lubnānīyah) é um pequeno notável: tem apenas algo em torno de 10 mil km² (ou seja, tem a metade do tamanho de Sergipe ou o dobro do tamanho do Distrito Federal). Apesar disto, tem notáveis contrastes geográficos, com litoral mediterrâneo, cadeias de montanhas (Monte Líbano e o Antilíbano), regiões verdejantes (onde se produzem conceituados vinhos), praias, estações de esqui (incrivelmente próximas, o que permite, em determinadas épocas, um banho de mar pela manhã e a prática do esqui à tarde)… E isto sem falar no patrimônio cultural libanês que é impressionante: ali estão cidades fundadas pelos fenícios, ruínas romanas e bizantinas, seguidas da influência árabe, otomana e, por último, francesa.

A história do Líbano é uma montanha-russa de eventos gloriosos e acontecimentos trágicos, tendo o país em sua história sido “reconstruído” diversas vezes, inclusive na última década do séc. XX (com o fim da Guerra Civil Libanesa) e após 2006, finda a Guerra com Israel.

Os libaneses são árabes: a língua do país é o árabe, embora o francês seja largamente falado (herança da presença francesa no país entre o final do séc. XIX e início do séc. XX), assim como o inglês. A moeda do Líbano é a libra libanesa, que tem cotação fixa com o dólar americano (1 US$ = 1.507,50 libras libanesas). A moeda americana é bastante utilizada no país.

O Líbano tem uma enorme população em diáspora, o que faz com que as famílias no país, invariavelmente, tenham parentes próximos ou distantes morando no exterior.

No contexto do mundo árabe, o Líbano difere-se por causa de sua população cristã (algo em torno de 40%, mas o cristãos foram ao menos até o início da Guerra Civil a maioria da população). O principal grupo cristão no Líbano são os maronitas (seguidores de São Maroun), com ritos e Patriarca próprios, mas em comunhão com Roma desde a época dos cruzados. Os maronitas resistiram à avassaladora incursão islâmica nos séc. VII e VIII, que converteu praticamente todo o Oriente Médio ao Islã, mas sua (forte) presença no Líbano ao longo da História não os impediu de emigrar em massa, em especial no séc. XX – os libaneses do Brasil são, em sua esmagadora maioria, maronitas. Há também ortodoxos gregos e ortodoxos armênios no Líbano, além de diversas outras igrejas.

Os libaneses muçulmanos também têm grande variedade no Líbano: em torno de 27% são xiitas e 27% são sunitas, além de uma importante minoria drusa (5%). Vendo o mapa do Líbano é possível perceber que os diversos grupos religiosos têm concentrações próprias: os cristãos (vermelho e amarelo) concentram-se no litoral e na região do Monte Líbano (cadeia montanhosa próxima do litoral), ao passo que os xiitas (roxo) ocupam primordialmente o Vale do Beqaa (reduto do Hezbollah) e o sul, na fronteira com Israel, ao passo que os sunitas (verde) estão primordialmente no norte. Os drusos (azul) destacam-se na região do Chouf e na fronteira sul com a Síria.

Esta diversidade religiosa do Líbano – que é única, repito, no Mundo Árabe –, causou impacto na política: o Líbano adota um sistema político-confessional, isto é, o Parlamento é loteado entre os diversos grupos religiosos, mantendo-se o equilíbrio de 1/2 para os cristãos e 1/2 para os muçulmanos. Ainda em razão do confessionalismo, o Presidente do Líbano precisa ser cristão maronita; o Primeir0-Ministro precisa ser muçulmano sunita; o Speaker of the Parliament (uma espécie de Presidente do Parlamento) deve ser muçulmanos xiita e há cargos específicos para cristãos ortodoxos e drusos.

O Líbano é dividido em 6 “governadorias” (em árabe: محافظات, pron. mohaafazaat): Beirute, Norte, Sul, Beqaa, Nabatyeh e Monte Líbano.

As atrações turísticas do Líbano são imensas e provavelmente eu vou ficar sem conseguir visitar alguns lugares que eu desejaria visitar se tivesse mais tempo.

Os Patrimônios da Humanidade são cinco: i) Byblos (em árabe,  جبيل‎‎, Jbeil), uma das cidades mais antigas do mundo continuamente habitadas, situada no Monte Líbano; ii) Tiro (em árabe, صور, Sur), cidade também milenar e citada diversas vezes na Bíblia; iii) as ruínas romanas de Baalbeck, com o impressionante Templo de Júpiter, em Beqaa; iv) Aanjar, com ruínas que remontam à época da conquista árabe do Líbano, pelo Califado Umíada, também em Beqaa e v) o Vale de Qadisha (entre as cadeias de montanhas do Monte Líbano e do Antilíbano) e as reservas dos Cedros do Líbano (também chamados de Cedros de Deus, pois citados mais de 70 vezes na Bíblia), no Norte do Líbano.

As Tentativas de Patrimônios da Humanidade são igualmente interessantes (há 9) e eu tenho predileção por visitar as cidades de Sidon ou Sidônia (em árabe, صيدا, Saydā); Trípoli (árabe: طرابلس‎‎ ,Ṭrāblos) e a região do Chouf, onde se situam cidades drusas. Também quero ir à Gruta de Jeita (também TPH) e à cidade de Jounieh, no Monte Líbano.

Ou seja: vários países muito maiores que o Líbano nem de longe têm a mesma quantidade de coisas interessantes para se ver e se vivenciar.

Dado o tamanho do Líbano, é perfeitamente possível ficar o tempo todo hospedado em Beirute e fazer passeios de ida-e-volta para os quatro cantos do país (quer dizer, devem-se evitar as cidades fronteiriças com a Síria e com Israel, por razões de segurança). Poucos pontos do país ficam a muito mais de 100 km da capital. O entrave maior é o trânsito: Beirute é conhecida por congestionamentos horrorosos. Dentro de Beirute, optei por ficar em uma região que logisticamente me pareceu a melhor, o bairro de Acrafieh, de maioria cristã maronita.

O Líbano é o país n.º 78 que visito (pelos meus critérios) e n.º 64 se considerados apenas os 193 membros das Nações Unidas. Com o país n.º 64 eu atingi a marca de 1/3 dos países do mundo visitados.

D. Pedro II no Líbano

Fui neste sábado a uma exposição no SESC Vila Mariana dedicada à visita que o Imperador D. Pedro II fez ao Líbano em 1876, quando a hoje República Libanesa integrava ainda o Império Otomano.

A ida de D. Pedro II representou o estopim da maciça imigração de libaneses para o Brasil, cujos descendentes hoje estima-se chegam a 8 milhões de pessoas, o dobro da população do próprio Líbano. Boa parte deles está em São Paulo e não seria exagero dizer que a capital paulista é uma das maiores cidades libanesas do mundo.

A influência libanesa em SP (e no Brasil) é notável. Kibe, esfiha, tabule, kafta, dentre outros, são pratos corriqueiros em São Paulo e a rede de fast-food árabe Habib’s compete de igual para igual com o McDonald’s.

Os libaneses e descendentes se destacaram no comércio e muitos enveredaram-se na política, só para citar alguns: o atual Vice-Presidente da República Michel Temer, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o ex-ministro da saúde Adib Jatene, o ex-governador de SP, Paulo Maluf. A comunidade libanesa fundou o famoso Hospital Sírio-Libanês.

Pois bem, esta história toda começou com a ida de D. Pedro II ao Líbano, onde declarou que os libaneses seriam muito bem recebidos no Brasil – o que de fato ocorreu. Boa parte dos que vieram eram cristãos maronitas: no Líbano está(va) uma das mais representativas comunidades cristãs do mundo árabe. Só mais recentemente, começaram a vir ao Brasil libaneses de religião muçulmana, concentrando-se em São Paulo, Curitiba e Foz do Iguaçu.

O Líbano me fascina há tempos. No ano passado faltou muito pouco – alguns metros – para eu pôr o pé no Líbano, já que fui até a fronteira com Israel, num lugar chamado Rosh HaNikra – ראש הנקרה –. Lá há belas formações em rocha calcária e até um teleférico. Hosh HaNikra fica justamente na fronteira.

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Mas a fronteira, como vocês podem ver na foto, é fechada e guardada por soldados armados até os dentes dos dois lados. Beirute estava a apenas 120 km dali, mas o acesso não é possível por esta via.

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O Líbano tem apenas 10.000 km² (menos de 1/4 do tamanho do Estado do Espírito Santo ou 4% do Estado de São Paulo), mas lá estão 5 patrimônios da humanidade: as cidades de Tiro, Biblos, Baalbek e Anjar e a Floresta dos Cedros (árvore que está na Bandeira Libanesa). 

Bandeira do Líbano

Nem precisa dizer a vontade que tenho de ir, embora advirta-se que ninguém entra no Líbano se tiver carimbo de Israel no passaporte. Hoje em dia a melhor forma de chegar a Beirute saindo de São Paulo é pela Qatar Airways, que às vezes tem passagens a bons preços. O vôo, naturalmente, faz conexão no Catar.

A exposição é bem pequena e simples, mas serve ao propósito de mostrar como D. Pedro II amava viajar pelo mundo – ainda que com um séquito de 200 pessoas. Foi duas vezes ao Oriente Médio (em 1871 e 1876), visitando o Egito, a Palestina, a Síria e o Líbano.

Fazia anotações em seu diário e não se importava com algumas dificuldades, como dormir em tendas. Procurava comportar-se como um viajante e não como um Chefe de Estado, além de estudar minuciosamente os destinos antes de ir vê-los. Para ir ao Oriente Médio, D. Pedro II chegou a aprender árabe.

As fotos expostas no SESC Vila Mariana, em especial de Baalbeck, estavam bem bonitas.

Gostei muito desta foto de um cedro do Líbano: