Neue Galerie em Nova York e o filme “A Dama Dourada”

Uma das melhores coisas de se ir mais de uma vez a uma grande cidade é poder não mais se preocupar em visitar as mega-atrações turísticas, as “imperdíveis” e pode focar em lugares menos visitados e, não por isto, menos interessantes.

Um museu que se enquadra nesta ideia é a Neue Galerie (Nova Galeria) em Nova York, situada na elegante esquina da 5a Avenida com a 86th St., defronte ao Central Park. É a mais nova adição à Museum Mile (uma série de museus situados na 5a Avenida) e estabelecido em 2001.

A Neue Galerie é especializada em arte austríaca e alemã do início do séc. XX.

Todas as atenções ali se voltam para uma tela de Gustav Klimt: O Retrato de Adele Bloch-Bauer, também chamada de “A Dama Dourada”.

 

A “Dama Dourada” é chamada por muitos como a “Mona Lisa da Áustria” e esta belíssima tela tem uma história tão turbulenta quanto interessante, que é o roteiro do filme justamente chamado de “A Dama Dourada”, com estreia prevista para o dia 9 de julho de 2015 no Brasil.

Klimt, um dos maiores expoentes do Secessionismo de Viena, pintou o Retrato de Adele Bloch-Bauer na chamada “fase áurea” de sua vida artística  sob encomenda do marido de Adele, um rico industral austríaco de origem judia, Ferdinand Bloch-Bauer. Klimt demorou três anos para confeccionar esta tela, que tem 138 x 138 cm até terminá-la em 1907.

Quando a Áustria foi anexada pela Alemanha Nazista, todos os bens da família Bloch-Bauer foram confiscados e Ferdinand teve que fugir do país. Adele já era, então, falecida. A Galeria Austríaca de Belvedere (entidade estatal) adquiriu a tela em 1941.

De acordo com o testamento de Bloch-Bauer, todos os seus bens deveriam ficar com seus sobrinhos. Uma sobrinha, no ano de 2000, resolveu processar o Estado Austríaco perante as Cortes Americanas para obter de volta A Dama Dourada e após muitas idas-e-vindas, a decisão veio por arbitragem concedendo à herdeira Maria Altmann o direito de obter a tela.

Altmann vendeu A Dama Dourada por 135 milhões de dólares ao bilionário Ronald Lauder que a fez instalar, em 2006, na Neue Galeria, criada pelo próprio Lauder. Hoje A Dama Dourada pode ser visitada com o pagamento da taxa de 20 dólares que o museu cobra para a entrada. O ideal é sincronizar a visita com os horários em que guias fazem comentários sobre cada detalhe da tela e apontar algumas curiosidades.

Não vejo a hora de estrear este filme!

Pedalando

Uma das melhores coisas que há para fazer em São Paulo aos domingos é ir na ciclofaixa. Trata-se de uma pista que é constituída com o isolamento de uma das faixas de cada sentido das principais avenidas das zonas sul e oeste da cidade para uso exclusivo dos ciclistas.

O trajeto interliga vários parques da cidade como o Ibirapuera, Villa-Lobos e Parque do Povo, tem extensão de 45 km, e ocorre nos domingos e feriados nacionais, das 7h às 16h.

A Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo monta uma verdadeira operação de guerra para organizar a ciclofaixa. Tem que espalhar cones de trânsito por todo o trajeto, manter um batalhão de agentes para regular o fluxo das bicicletas sem prejudicar o trânsito dos carros.

A verdade precisa ser dita: São Paulo é uma cidade normalmente hostil aos ciclistas e tem pouca infraestrutura para eles. Eu não tenho coragem de andar de bicicleta em SP, exceto na ciclofaixa. Então, a cidade que sempre vê a bicicleta como um incômodo para o trânsito de seus 6 milhões de veículos, dá uma pequena brecha, uma vez por semana, para que os paulistanos aproveitem o prazer de peladar pelas avenidas da cidade.

Pedaladas do dia 10 de julho

Boa parte da ciclofaixa é plana ou quase plana por isto não se exige preparo físico avançado, embora seja um exercício pesado completar os 45 km.   

Eu já visitei um patrimônio da humanidade pedalando. Trata-se da Paisagem Cultural do Wachau, uma região da Áustria (Estado da Baixa Áustria ou Niederösterreich) pela qual passa o mais europeu dos rios: o Danúbio. Cheguei de trem a partir de Viena na cidade Melk onde está uma das igrejas mais importantes do país, a Abadia beneditina de Melk, de extraordinária beleza e importância histórica.

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Após a visita da Abadia, aluguei uma bicicleta e fui, margeando o Rio Danúbio, até a cidade de Spitz, passando no caminho por castelos, plantações de maçã e uva, sempre tendo o rio como referência.

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A chegada até a cidade de Spitz, que ficava a uns vinte e poucos quilômetros, era bastante esperada já que a região do Wachau, além de sua importância cultural e das belezas às margens do Danúbio, é uma das melhores áreas vinícolas da Áustria, especializada em brancos.

Após tantas pedaladas, nada era melhor no mundo do que sentar numa mesa embaixo de uma parreira de uvas e pedir uma degustação de três taças de vinho branco local, com algum prato típico austríaco.

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Aqui em São Paulo não dá pra fazer isto. Mas após 45 km de ciclofaixa, pelo menos uma água de coco tem que rolar…