Parque Nacional de Göreme e Sítios Rupestres da Capadócia–ago/2005

A região da Capadócia fica no centro da Península Turca:

As cidades base para visitar o Parque Nacional de Göreme e o Museu a céu aberto das formações rochosas peculiares que trazem fama ao lugar são Nevşehir e Ürgüp.

Este Patrimônio da Humanidade ingressou na categoria “Misto”, isto é, merece reconhecimento mundial tanto por seus atributos naturais quanto pelos culturais.

As formações rochosas da Capadócia, são, de fato, muito curiosas e bonitas, ao que se acrescenta o fato de que as cavernas que se formaram com a erosão foram e são habitadas.

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Em um ponto do Parque Nacional há as famosas “chaminés”, das quais não tenho fotos (já estava no final da tarde, com pouca luz, quando nosso grupo chegou até este lugar. As abaixo, coletadas da internet).

<br />Fairy chimneys in Cappadocia

Os turistas se interessam muito em sobrevoar esta região com balões para poder ter uma visão aérea e completa das formações rochosas da Capadócia. Na época, eu titubeei e não fui. Mas hoje eu não deixaria de fazer este passeio.

Sob o prisma cultural, a Capadócia guarda cavernas cobertas de pinturas de temática cristã. A Turquia foi uma das primeiras áreas para onde se expandiu o Cristianismo. Lá é a terra natal de S. Paulo e boa parte do Livro dos Atos dos Apóstolos descreve a atividade missionária em terras (hoje) turcas, sem contar o fato de que muitas Cartas do Novo Testemento foram dirigidas a comunidades de cristãos em cidades como Corinto e Éfeso.

As paredes intenas destas cavernas que serviram como igrejas e como morada para monges e eremitas são cobertas de pinturas (algumas restauradas) com temática religiosa.

A atividade monástica na Capadócia remonta ao séc. IV e floresceu até o séc. IX. Com a progressiva expansão muçulmana, entrou em declínio e progressivamente desapareceu – assim como praticamente desapareceu o Cristianismo da Turquia.

Em 2005, eu considerei que a ida até a Capadócia, de ônibus, consumiu muito tempo e teria preferido ficar a semana inteira em Istambul, mas o padrão das excursões é sempre o de tentar incluir o máximo de lugares num mínimo de tempo. Mas hoje vejo que foi melhor ter ido, já que do contrário, teria perdido um dos PH mistos mais fascinantes que há na Lista da UNESCO.

Áreas Históricas de Istambul–ago/2005

Fui à Turquia no verão europeu de 2005 após terminar um curso na Organização Iberoamericana de Seguridade Social, em Madrid, que me fez ficar na Europa por maravilhosos quatro meses.

Na época, as viagens de excursão saindo da Espanha para uma semana na Turquia eram frequentes e baratas. O roteiro era bem “enlatado” e incluía Istambul; alguns dias na Capadócia, na região central do país; além de um pit stop na capital turca, Ancara.

Uma semana é o que eu tinha antes de retornar ao Brasil, então fui com um grupo grande de espanhóis, com garantia de boas risadas porque o jeito-espanhol-de-ser normalmente causa muita graça. Arrumando meus arquivos neste fim-de-semana, vi as fotos da Turquia e me dispus escrever a respeito.

Istambul foi uma cidade que eu quis muito conhecer. É clichê dizer isto, mas é verdade: a cidade é a ponte cultural e geográfica entre a Europa e a Ásia. Alguns bairros de Istambul ficam no continente asiático, mas os lugares mais conhecidos e históricos ficam na pequena parte da Turquia situada no continente europeu.

Eu poderia ter ficado tranquilamente 1 semana em Istambul, mas tive apenas 3 dias e meio. Tive que apertar o passo para conhecer ao menos os pontos principais da antiga capital do Império Otomano, que também foi a capital do Império Bizantino (i.e Império Romano do Oriente), época em que chamada de Constantinopla.

A queda de Constantinopla em mãos otomanas em 1453 foi um fato tão importante que, para muitos historiadores, representou o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna. O principal símbolo da conquista otomana é a Hagia Sophia (em grego: Ναός τῆς Ἁγίας τοῦ Θεοῦ Σοφίας ou Igreja da Santa Sabedoria de Deus), construída entre os anos de 532 e 537. Foi o maior templo cristão do mundo por quase mil anos, até que a Catedral de Sevilha (Espanha) fosse construída em 1520.

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Quando passou para os otomanos, logo depois, a Hagia Sophia foi convertida em mesquita, acrescentando-se os quatro minaretes que lá estão até hoje.

Dentro do antigo templo, estão os vestígios muçulmanos (nos dois painés estão escritos, em árabe, nomes de califas), mas também cristãos, que foram revelados após a restauração do imóvel, retirando-se a cobertura dos mosaicos colocada pelos muçulmanos.

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Na foto abaixo, o mihrab (que é o nicho existente em qualquer mesquita que aponta a exata direção de Meca):

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Extraí esta foto abaixo da wikipedia em inglês, que dá uma boa noção da Hagia Sophia e da adaptação islâmica a uma catedral cristã. Eu tentei fazer esta foto, mas na época eu ainda usava máquina de fotos com filme e a foto ficou um desastre:

Com a implantação da República da Turquia, fundada por Kemal Atatürk, a então mesquita foi desativada e a Hagia Sophia reabriu em 1935 como um museu, o que é até hoje.

A mesquita mais bonita de Istambul, porém, é a Mesquita Azul, construída entre 1609 e 1616. Seu verdadeiro nome é Mesquita do Sultão Ahmed, mas o apelido se deve a seu interior, majestosamente coberto de azulejos com predominância desta cor. Por fora, também é belíssima:

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No interior, minhas fotos também ficaram bem ruins, então a que posto aqui abaixo tive que extrair da internet:

Interior of Blue Mosque Istanbul Turkey

Pela foto que fiz, parece que a mesquita tem 4 minaretes, mas ela tem 6 (!). Por outro ângulo é possível ver:

O palácio dos sultões otomanos é outro ponto turístico obrigatório. Trata-se do Palácio de Topkapı. Eu me lembro de andar por cômodos e cômodos, cada qual mais extravagante que o outro. Lá está o harém que servia ao sultão, além dos vários aposentos que serviam às várias esposas. Também tenho lembrança de espaços arborizados dentro do lugar, que é enorme.

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Eu andei bastante à pé em Istambul e também de metrô. Um lugar para onde eu fui mais de uma vez foi à praça Taksim, a partir da qual desce uma rua de pedestres, chamada Beyoğlu, com muitas opções de restaurantes, lojas, vida noturna, etc. Ali Istambul parece-se muito com a Europa, mas volta e meia passava uma mulher coberta dos pés à cabeça e o chamado islâmico à oração também era claramente ouvido.

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Na descida da Rua Beyoğlu passa-se pela Torre Gálata, que é outro marco da cidade. Dá para vê-la, à distância, a partir do Palácio de Topkapı:

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Fui a muitos outros lugares em Istambul , saía cedinho e só voltava bem tarde para aproveitar o máximo. Mas já se passaram 7 anos e muita coisa já se apagou da minha memória. Então vou deixar este post como está, apenas citando os pontos mais relevantes.

Atualmente há um voo direto São Paulo – Istambul pela Turkish Airlines, companhia muito bem conceituada, com boa conexões  para muitos pontos da Ásia, Oriente Médio e África.

As Áreas Históricas de Istambul são Patrimônio da Humanidade desde 1985.

Anunciada a descoberta do túmulo de São Filipe

Filipe foi um dos 12 Apóstolos de Cristo. De acordo com o Evangelho de João 1, 43-44, Filipe nasceu em Betsaida, na região da Galiléia e foi chamado pelo próprio Cristo para segui-lo. Sabe-se muito pouco sobre ele e talvez isto seja a causa de sua pouca popularidade no âmbito da Cristandade. Eu nunca tomei conhecimento de uma igreja dedicada ao Apóstolo São Filipe.

Os Evangelhos ainda falam sobre ele como sendo quem, durante a Última Ceia, pediu a Cristo para ver a Deus-Pai, o que deu a oportunidade para que Cristo expusesse o dogma da unidade do Pai e do Filho (João 14, 8-11).

Tudo mais que se sabe sobre Filipe provém da tradição cristã, pela qual ele pregou no que hoje são Grécia, Turquia e Síria e foi martirizado na cidade greco-romana de Hierápolis, crucificado de cabeça-para-baixo por volta do ano 80 dC.

Há poucos dias o pesquisador italiano Francesco d’Andria anunciou que descobriu o túmulo de São Filipe nas ruínas de Hierápolis, Turquia, onde equipes arqueológicas italianas trabalham há décadas, próximo ao lugar onde a tradição aponta ter ocorrido o martírio do apóstolo. É bom que se saiba que raramente se tem 100% de certeza sobre a localização exata de locais com importância religiosa, mas, de qualquer forma, não vejo motivo, ao menos por enquanto, para se duvidar do trabalho dos italianos.

Apostlestombblog

É possível que o lugar no futuro seja incluído no roteiro de pontos de interesse cristão na Turquia como Éfeso (onde está o que seria a casa da Virgem Maria) e outros. Onde hoje é a Turquia foi, no início do cristianismo, um dos principais campos de expansão da nova fé, basta dizer que é lá que ficavam comunidades cristãs às quais São Paulo redigiu cartas que compõem o Novo Testamento, como os gálatas, colossenses e os próprios efésios.

A Turquia, porém, foi completamente islamizada no séc. VII e até hoje mais de 99% de sua população é muçulmana. O Corão chega a mencionar a respeito dos discípulos do Profeta Isa (Jesus), e, embora não diga quais são seus nomes, também para o Islã a notícia pode ser de algum interesse.  

Onde está o anunciado túmulo de São Filipe – Hierápolis-Pamukkale – é um importante patrimônio da humanidade misto que eu não consegui visitar quando estava na Turquia em ago/2005, infelizmente. Ali, além das ruínas greco-romanas, estão magníficas piscinas de águas termais naturalmente esculpidas nas rochas calcárias. Que cenário!

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Fonte: http://news.discovery.com/history/tomb-of-jesus-apostle-110801.html