O novo Whitney Museum

A principal novidade de 2015 no universo dos museus de Nova York foi a reinaguração do Whitney Museum of American Art que saiu da Museum Mile na 5a Avenida para novas instalações na parte sul de Manhattan (West Village/Meatpacking District, 99 Gansevoort St.).

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O museu é especializado em arte dos Estados Unidos dos séculos XX e XXI e foi fundado em 1930 pela escultora Gertrude Vanderbilt Whitney, já que o Museu Metropolitan recusava-se a exibir obras de artistas vivos.

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As novas instalações são modernas e contrastam com esta região de Nova York, uma das mais antigas da cidade e repleta daqueles prédios de tijolinhos. Embora seja um edifício notável, jamais será o mais marcante da cidade. Fica bem ao lado de um dos trechos do High Line – um parque linear de mais de 2km de extensão construído sobre os trilhos elevados de um antiga linha férrea abandonada (genial!).

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O acervo do Whitney Museum percorre a evolução da arte norte-americana nos últimos 100 anos e inclusive alguns quadros ícones da Pop Art e de artistas como Andy Warhol, Edward Hopper e O’Keeffe.  

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Como é tendência na cidade, o Museu também tem um rooftop restaurant e é possível ter boas vistas da Lower Manhattan ali.

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Um castelo medieval em Nova York

Ao norte da ilha de Manhattan é possível ter uma experiência (quase) autêntica de uma construção medieval europeia: The Cloisters (Os Claustros).

Os Cloisters fazem parte do Museu Metropolitan (o tíquete adquirido em um dos museus serve para o outro se o visitante tiver fôlego de ir aos dois no mesmo dia) e foram construídos na década de 1930 com restos de diversos mosteiros, abadias, claustros, capelas e salões medievais de diversas partes da Europa, normalmente abandonados ou em ruínas. Este notável empreendimento foi financiado pelo milionário John Rockfeller Jr., que também doou o terreno onde se situa.

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Eu fui até os Cloisters de bicicleta, passando pela ciclovia às margens do Rio Hudson (é um belo trajeto), avistando as pontes que ligam Manhattan ao Estado de Nova Jersey, inclusive a proeminente Ponte George Washington.

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O acervo e a estrutura dos Cloisters são ecléticos e ao visitá-lo pode-se entrar em contato com a arquitetura e a arte tanto do período românico (séculos XI e XII) quanto do período gótico (séculos XII a XIV) e mesmo não estando em seu habitat original, este conjunto de objetos e construções medievais consegue remeter o visitante a este período no qual o Novo Mundo (a América) não integrava ainda o mundo conhecido dos europeus.

Não falta nada: há vitrais, afrescos, tapeçarias, objetos religiosos dos mais variados, capelas, efígies, imagens medievais e diversos claustros, inclusive com jardins. É bastante impressionante e não há nada parecido com isto no resto do continente americano.

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Ponte do Brooklyn, Nova York, EUA

A cidade de Nova York, no Estado homônimo, é a maior cidade dos Estados Unidos com 8,5 milhões de habitantes (considerada a região metropolitana, o número sobe para quase 24 milhões alastrando-se inclusive pelos Estados de Nova Jersey, Connecticut e Pensilvânia). Nova York não é, porém, a capital do Estado de NY, mas sim Albany, com menos de 100 mil habitantes, mais ao norte.

A cidade de Nova York é dividida em 5 boroughs (termo de difícil tradução, poderia ser “zonas”) que não se confundem com bairros (são aglomerados de bairros). Estes cinco boroughs são: Manhattan (1), Brooklyn (2), Bronx (4), Queens (3) e Staten Island (5), no mapa abaixo. É curioso destacar que estes boroughs foram no passado cidades separadas, posteriormente unindo-se para se tornar a cidade de Nova York. 

Como símbolo tangente deste processo, tem-se ainda hoje de pé a primeira via de acesso de Manhattan para o Brooklyn, concluída em 1883 (após 16 anos de obras): a Ponte do Brooklyn. A seu tempo, representou uma façanha da engenharia, sendo a maior ponte suspensa do mundo e a primeira de aço. Hoje, é um dos principais símbolos da cidade.

Um dia de sol é ideal para fazer um passeio pelo Brooklyn e ver, de perto, a Ponte do Brooklyn (ou mesmo cruzá-la a pé), tendo-se a majestosa vista dos arranha-céus de Manhattan do outro lado do Rio East, inclusive a torre que subiu no lugar do antigo World Trade Center, a Liberty Tower (a maior de todas).

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Bem ao fundo, dali também é possível ver a Estátua da Liberdade (Patrimônio da Humanidade).

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Visita ao edifício (Secretariado) das Nações Unidas em Nova York, EUA

ONU

A ONU é a mais importante das organizações internacionais e congrega a esmagadora maioria dos Estados Soberanos do mundo (193 no total). Foi fundada em 1945 sobre os escombros da II Guerra Mundial em substituição à Liga das Nações, organização que falhou em prevenir o conflito. A ideia propulsora da criação da ONU foi a de, justamente, impedir o advento de um novo conflito mundial.

Embora a ONU sofra contundentes críticas por sua atuação (muitas delas merecidas), fato é que, nestes 70 anos de sua existência, tem agido no monitoramento dos conflitos, prevenindo alguns, intermediando outros e colaborando para a solução de outros, de forma que, na minha avaliação pessoal, ruim com a ONU, pior sem ela. É, e tem sido, o principal foro de discussão entre os temas que afetam de forma direta ou indireta os interesses das nações.

Com o tempo, a ONU foi alargando suas atribuições, não mais se limitando estritamente à questão da prevenção e intermediação de conflitos: foram criadas muitas agências e órgãos especializados nos mais diferentes temas como a cultura e educação (UNESCO, com sede em Paris), a segurança alimentar (FAO, com sede em Roma), saúde (OMS, com sede em Genebra) e o Tribunal Internacional de Justiça, com sede em Haia, na Holanda.

Mas a sede da ONU é mesmo em Nova York, no leste da ilha de Manhattan (Primeira Avenida entre as ruas 42 e 47). É um pequeno pedaço dos Estados Unidos que não está (ao menos completamente) sujeito à jurisdição norte-americana, mas foi cedido à organização. Um dos marcos deste lugar são as bandeiras dos 193 países integrantes perfiladas ao longo da avenida, mas nesta última visita em 2015, não sei o motivo, não estavam lá as bandeiras.

O projeto deste edifício foi assinado inclusive por Oscar Niemeyer e por Le Corbusier e o prédio foi entregue em 1952.

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As visitas ao prédio da ONU são possíveis e ocorrem tours em diversos horários ao longo do dia, em várias línguas. Pela segunda vez eu tomei um destes tours (a primeira foi em 2007) e passeei pelos vários salões do edifício, onde se reúnem diversos órgãos da ONU, com destaque para a Assembleia-Geral e o salão do Conselho de Segurança.

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Vários quadros e objetos, doados pelos países-membros e expostos dentro da ONU, fazem alusão ao congraçamento dos povos, ao flagelo das guerras e ao convite à paz. Há impressionantes objetos que foram coletados em Nagasaki e Hiroshima e que sofreram os efeitos das bombas atômicas que foram despejadas sobre estas cidades japonesas em 1945.

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Não se pode esquecer, claro, dos dois gigantes painéis Guerra e Paz, pintados por Cândido Portinari e que passaram por uma recente restauração no Brasil (foram expostos no Memorial da América Latina em São Paulo em 2012 e embora já tenham sido devolvidos à ONU ainda não foram novamente postos em exposição, ao menos até abril/15).

Do lado de fora, há uma série de obras de arte, algumas muito conhecidas, como a escultura da Não Violência, do sueco Carl Fredrik Reuterswärd.

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Os passeios guiados pelo prédio do Secretariado das Nações Unidas em Nova York custam US$ 18 e podem ser reservados pela internet: http://visit.un.org/.

Frick Collection, Nova York, EUA

Outro lugar que eu gostei muito de ter visitado nesta última ida a Nova York é um museu constituído a partir da coleção particular do magnata do aço Henry Clay Frick (1849-1919). O prédio do museu é exatamente na mansão onde morou, na Quinta Avenida com a Rua 70.

Passear pela Frick Collection é entrar em contato com a vida que os ricaços americanos levaram no efervescente final do séc. XIX até 1929, quando os Estados Unidos passaram a se impor como potência econômica mundial, substituindo paulatinamente o papel que historicamete coube à Europa.

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Tratando-se de uma coleção privada, é natural que haja variedade de telas, tapeçaria e móveis, tudo arranjado com o máximo do bom-gosto. Os milhões que o Sr. Frick tinha no bolso felizmente se encontraram com uma pessoa com olhar afiado para artes.

Abaixo, o agradabilíssimo pátio da Frick Collection.

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Os quadros que eu mais curti ver foram Thomas More (tela de 1527), de Hans Holbein, o Novo, de um lado da lareira, olhando fixamente para aquele que seria um de seus rivais nos turbulentos tempos de implantação da Igreja Anglicana na Grã-Bretenha: Thoman Cromwell (tela de 1531), também de Holbein, o Novo, do outro lado da lareira. Ambos os personagens foram importantes ministros da Realeza, mas More recusou-se a reconhecer que Henrique VIII passaria a ser o Chefe da Igreja (em substituição ao Papa) e foi executado. Isto favoreceu a Cromwell, que passou a exercer influência política na Corte. Posteriormente, por outros motivos, Cromwell também foi executado. Thomas More foi canonizado pela Igreja Católica como mártir em 1935.

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Há quadros de vários e conhecidos pintores de arte europeia anterior ao séc. XX e os vários ambientes da Frick Collection são um agrado de se percorrer e muito privilegiados foram aqueles que puderam morar nesta mansão, repleta de obras de arte de primeira linha.

O museu apresenta um vídeo contando a história de Frick, da mansão e da coleção. A entrada custa US$ 20.