Carriacou, Granada

Carriacou é a segunda ilha que compõe o país Granada (para lembrar: Granada = Granada + Carriacou + Petite Martinique). Ferries conectam as três ilhas ao menos uma vez por dia e a viagem entre St. George’s e Hillsborough (capital de Carriacou) leva uma hora e meia mais ou menos. Durante a viagem é possível ver toda a costa oeste da ilha de Granada.

Sair de Granada e ir para Carriacou significa deixar o Caribe dos cruzeiros, dos resorts, dos restaurantes de comida internacional e desbravar o Caribe como ele era há algumas décadas: sem cruzeiros (isto é, poucos e aventureiros turistas), sem resorts (isto é, acomodações simples ou muito simples) e comida caribenha. O que não falta em Carriacou, porém, são as vans (que eles chamam de “ônibus”) que levam os habitantes locais para todos os lados em velocidade suicida e onde sempre cabe mais um. Surpreendentemente, Carriacou não é mais barata que Granada, porém.

Carriacou tem 9 mil habitantes, é mais seca que Granada e tem praias praticamente desertas. Algo imperdível a se fazer em Carriacou é ir fazer a trilha de 45 minutos até a praia (esta é deserta mesmo!) de Anse La Roche, de onde já se avista a Ilha de União no país vizinho de São Vicente e Granadinas. Lembrou-me um pouco Fernando de Noronha, é tão paradisíaco quanto.

DSC02644

DSC02661

Bem mais conhecida é a Paradise Beach onde há bares de praia e algum morador local aproveitando a praia no domingo.

IMG_3360

Hillsborough é a base para tudo isto (os deslocamentos aos quatro cantos da ilha não levam mais que alguns minutos). É uma cidade esquecida no tempo, sossegada demais até para quem gosta de sossego.  Dali eu parti para a Ilha da União, em São Vicente e Granadinas, numa travessia internacional que durou menos de 1 hora mas que envolveu vários contratempos.

IMG_3348

Por fim, cabe ressaltar que Carriacou e Petite Martinique são a porção das Granadinas que ficaram para Granada (o resto foi para São Vicente e Granadinas). Os dois países apresentaram à UNESCO estas ilhas como tentativa conjunta de inscrição na Lista da UNESCO.

Parque Nacional Grand Étang e Gouyave, Granada

Não que alguém sinta falta de nada estando em Grand Anse. Mas é que o interior de Granada também oferece prazeres ao turista. Eu gostei de ter ido tomar banho em algumas cachoeiras no interior do país, que é acidentado (Granada é uma ilha de origem vulcânica) com altitude que ultrapassa os 500 metros em pouco tempo, mudando-se o clima de quente para fresco.

A cachoeira mais próxima (e mais visitada, em especial pelos turistas de cruzeiros) é a de Annandale (pagam-se alguns dólares do Caribe do Leste para acessá-la), mas é dentro do Parque Nacional Grand Étang que estão as ótimas Seven Sisters Falls, com poço delicioso para banho. É necessário fazer uma trilha fácil de uns 40 minutos para chegar lá e não é imprescindível ter guia (eu fui sem, já que o meu livro-guia da Bradt me era suficiente). No caminho, fiquei contente quando localizei árvores de noz-moscada, cujo fruto é símbolo de Granada (vide a bandeira do país)!

DSC02582

DSC02581

DSC02572

Nas sextas-feiras há na cidade litorânea de Gouyave (uns 30 km acima de St. George’s por uma estrada assustadoramente sinuosa) o Fish Friday. Não é nada demais: umas barracas que vendem todo tipo de peixe e mariscos fritos ou preparados segundo a culinária caribenha em uma rua obscura de Gouyave. Não fosse a lagosta que eu comi (e que não foi barata!) talvez eu tivesse me arrependido de ir. Mas tudo é uma questão de proporção: em um país de 110 mil almas, aquelas barraquinhas ali são um grande evento e o Fish Friday foi instituído justamente para angariar recursos para reparar as casas destruídas pelo Furação Ivan. 

IMG_3297

IMG_3294

Granada é uma ilha que oferece muito ao visitante. Eu curti muito meus cinco dias lá e teria apreciado ficar muito mais.

Praias de Granada

A mais famosa praia de Granada é a espetacular Grand Anse. Passei dias maravilhosos em um hotel de frente para o mar em Grand Anse e achei tudo aquilo tão perfeito que nem tive vontade de conhecer outras praias de Granada. Grand Anse me bastava. Como eu me conheço, porém, e sei que depois me arrependeria de não ver outras praias da ilha, fiz uma trilha até a vizinha Praia de Morne Rouge (também conhecida como BBC Beach), também muito boa e um pouco mais selvagem, mas voltei correndo para Grand Anse. Abaixo, a vista do quarto onde me hospedei.

 DSC02557

As castanheiras servem de guarda-sol:

DSC02626

Grand Anse em toda a sua extensão na foto abaixo. É a maior praia da ilha, a mais frequentada e onde estão a maioria dos hotéis. Há nas redondenzas shopping centers, supermercados e restaurantes. Mas ela nunca me pareceu, nos dias que fiquei lá, nem remotamente, cheia de gente.

DSC02627

Perfeita!

IMG_3237

Distrito Histórico e Sistema de Fortificações de St. George’s–Granada

Granada foi um destino encantador para mim nesta viagem ao Caribe em abr/2016. Pareceu-me o meio-termo ideal entre o desenvolvimento de Barbados e a rusticidade de São Vicente e Granadinas, com ótimas praias, uma bela capital (St. George’s) e opções de ecoturismo (Parque Nacional Grand’ Étang). Eu sempre quis ir a Granada e o país não me decepcionou, pelo contrário!

Granada não possui Patrimônios da Humanidade, mas apresentou à UNESCO três Tentativas e eu as visitei todas. Aqui trato de 2: o Distrito Histórico de St. George’s e o Sistema de Fortificações de St. George’s. A terceira tentativa é compartilhada com São Vicente e Granadinas: o próprio arquipélago das Granadinas.

DISTRITO HISTÓRICO DE SAINT GEORGE’S

DSC02591

Saint George’s é tida como uma das mais bonitas capitais caribenhas em especial porque cresceu ao redor de uma pequena baía (Carenage) onde estão muitos prédios históricos (inconfundível estilo inglês georgiano), restaurantes, além claro do porto.

DSC02643

Também ali se podem ver as consequências do devastador furacão Ivan, que em 2004 arrasou Granada, dizimando as plantações de noz-moscada e condenando boa parte dos imóveis da capital. Doze anos depois, St. George’s ainda não se recuperou totalmente e as igrejas são prova disto: a Igreja Presbiteriana de Saint Andrew está em ruínas (foto 1 abaixo), a Igreja Anglicana de São Jorge ainda está em reformas (foto 2 abaixo) e apenas a Catedral Católica da Imaculada Conceição foi inteiramente recuperada (foto 4 abaixo). O antigo parlamento (foto 3 abaixo) do país aparentemente está abandonado e me disseram que hoje os congressistas reúnem-se na região de Grand Anse.

DSC02610

DSC02614

DSC02619

DSC02639

Perambular pelo Carenage é agradável, mas desbravar St. George’s envolve íngremes subidas e descidas. A cidade é bem pitoresca e, no geral, embora mais bonita que a média, tem a mesma atmosfera relaxada das capitais de micropaíses.

SISTEMA DE FORTIFICAÇÕES DE ST. GEORGE’S

Na foto logo abaixo, no alto, vê-se o Forte George, construído pelos franceses em 1705 e utilizado pelos ingleses para a defesa da cidade posteriormente. Eu não subi ao Forte George (na verdade, com o passar dos anos, o passeio a fortificações me interessa cada vez menos, exceto quando há uma vista incrível a partir deles). É o caso do Forte Frederik (nas duas fotos abaixo), que é o mais bem preservado da ilha e a partir de onde vê-se toda a capital St. George e até mesmo a praia de Grand Anse.

DSC02640

DSC02589

DSC02606

Granada–2016

Resultado de imagem para grenada

Se Barbados é até conhecidazinha dos brasileiros – ainda que pelo fato de a cantora Rihanna ser nascida lá –, o mesmo não ocorre com Granada. Em inglês, aliás, o nome do país é Grenada (pron. grinêida) mas o país foi batizado pelos espanhóis em homenagem à fabulosa cidade de Granada, na Andaluzia, de modo que na língua portuguesa retém-se a forma original.

Granada é um país caribenho composto por três ilhas principais, a própria ilha de Granada, além de Carriacou e a Petite Martinique além de várias outras ilhotas. Com exceção da ilha maior, as demais já são consideradas Grenadines, um colar de ilhas que liga Granada à ilha de São Vicente e são algumas das mais bonitas ilhas de todo o Caribe, preferidas por velejadores. As Granadinas, assim, são divididas entre dois países independentes: Granada e São Vicente e Granadinas.

Granada tem por volta de 100.000 habitantes, é de língua inglesa, mas durante sua colonização trocou de mãos entre a Inglaterra e a França por diversas vezes, de modo que além da herança britânica, há inequívocos traços de cultura francesa no país, ao contrário de Barbados, como nomes de lugares e a predominância da religião católica.

Granada também é um Commonwealth Realm.

Após comprar o bilhete para Barbados fiquei em dúvida sobre qual(is) ilha(s ) do Caribe “combinar” para esta viagem. Granada, além de estar próxima de Barbados, tem diversas características que fizeram como que eu a escolhesse: tem uma história interessante por ter sido escolhida nos tempos coloniais para plantação de especiarias (além da cana-de-açúcar,naturalmente), destacando-se a noz-moscada.

Este produto – que eu gosto de usar na cozinha – embora originário da Indonésia, foi largamente produzido em Granada, que chegou a ser o maior produtor mundial. Tão importante foi e é para o país que uma noz moscada está estampada na bandeira granadina.

Granada tem uma história bastante agitada, tendo sofrido vários furacões devastadores (devastaram inclusive as plantações de noz moscada). O último deles, o Furacão Ivan, em 2004, atingiu duramente Granada, causando prejuízo de 1 bilhão de dólares (imaginem o impacto disto para um país de 100 mil habitantes)… Até hoje Granada guarda cicatrizes deste evento.

Além disto, Granada foi invadida, em 1983, por tropas norte-americanas que interviram nos assuntos políticos internos do país no contexto da Guerra Fria. Ao contrário de Barbados, país estável política e institucionalmente, Granada desde sua independência em 1974, passou por revoluções, golpes de Estado e assassinato de primeiros-ministros (a Chefe de Estado é a Rainha Elizabeth II).

Granada aderiu ao sistema monetário do Caribe do Leste: sua moeda é o dólar do Caribe do Leste (também utilizada em 5 outros países independentes e 2 territórios de ultramar britânico). A cotação desta moeda é fixada (pegged) em função do dólar americano. 1 dólar americano = 2,7 dólares do Caribe do Leste. O Banco Central que comanda esta moeda comum fica em Basseterre, em São Cristóvão e Névis, eu lembro de ter visto o seu edifício quando lá estive em jul/2015.

Granada é dividida em 6 paróquias (além das ilhas de Carriacou e Petite Martinique) seguindo o padrão de divisão do país comum a quase todos os outro de língua inglesa no Caribe:

A capital é Saint George’s, considerada uma das mais bonitas capital do Caribe por se situar em uma baía formosa. Granada é uma ilha verdejante e possui diversos atrativos naturais além de suas praias padrão Caribe. A parte mais desenvolvida do país é o seu sudoeste onde estão prais bastante famosas como a Grande Anse. É lá que vou ficar.