Ilha de São Martinho–2

A parte francesa da Ilha de São Martinho (Saint-Martin) tem um pouco mais de “identidade” comparada com a parte holandesa. Ali é possível perceber que, efetivamente, está-se em um território francês:  a língua francesa é a corrente (embora todos falem inglês também), os pagamentos são em euro – tomado quase sempre em paridade com o dólar americano e há vestígios de arquitetura colonial caribenha na capital Marigot. Para reforçar esta impressão, por coincidência, desembarquei em Marigot na volta do passeio a Anguilla no dia 14 de julho, quando estavam acontecendo os festejos do feriado nacional francês – o Dia da Bastilha. Ao fundo, o Fort Louis.

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Há também excelentes praias no lado francês, a começar pelas praias de Friar’s Bay e Happy Bay. Esta última é alcançada a partir de uma pequena trilha no lado norte de Friar’s Bay.

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Outra praia muito famosa é a Orient Beach, que também é praia para nudistas: usar roupa ali é opcional.

O lado francês é, ainda, definitivamente, o melhor lugar para se jantar em São Martinho, especialmente na vila de Grand Case.

São Martinho (Saint-Martin), República Francesa – 2015

Pela bandeira poderia imaginar-se que Saint-Martin (a forma francesa de São Martinho) é um pedaço de França no Caribe. De fato é, mas isto não é tão simples. A organização político-territorial da França é deveras complexa, mas basicamente é composta da parte europeia (França continental e Córsega, conhecidas como França Metropolitana) e de muitos territórios espalhados pelos cinco continentes. A França teve um grande apego por suas colônias e manteve mais que qualquer outro país europeu, consideráveis porções de terras e habitantes de ultramar.

Estes territórios podem ser as régions d’outre mer (enquadram-se aqui a Guiana Francesa, a Martinica e Guadalupe no Caribe e Reunião e Mayotte no Oceano Índico, próximo à costa africana). Ser uma região de ultramar significa ter, do ponto de vista jurídico, o mesmo status da França Metropolitana. Ou seja, Caiena na Guiana Francesa é, para o direito francês, “tão França” quanto Paris. Sua integração à União Europeia é plena, a ponto de seus mapas constarem nos bilhetes de euro.

Há outros territórios com laços menos fortes, como as collectivités d’outre mer e nesta categoria estão a Polinésia Francesa e Wallis e Futuna (no Pacífico Sul), São Martinho e São Bartolomeu, no Caribe e Saint Pierre et Miquelon próximo do Canadá. As comunidades ou coletividades de ultramar têm maior grau de autonomia. Há ainda uma collectivité special que é a Nova Caledônia, na Oceania, que goza de um grau extremo de autonomia e pode vir a se tornar independente no futuro.

Pois bem, São Martinho ou Saint-Martin pertence à França, mas de um modo diferente da Martinica, uma ilha que fica um pouco abaixo.

Como já comentei quando discorri sobre Sint Maarten, divide com este país constituinte do Reino dos Países Baixos a pequena ilha, situando-se na parte norte. Tem 53 km² e 37 mil habitantes. Sua capital é a cidade de Marigot. Do mesmo jeito que a porção holandesa, seu grande trunfo turístico são suas praias.