Basseterre, São Cristóvão e Névis

A capital da Federação de São Cristóvão e Névis (SCN) é a cidade de Basseterre, situada na Ilha de São Cristóvão, com 15 mil habitantes (1/3 da população do país). Basseterre foi fundada em 1627 por franceses (daí o nome “terra baixa” em francês) e sempre foi o principal porto da ilha.

Basseterre é uma típica capital caribenha: há um atracadouro para os navios de cruzeiros, ao redor do qual estão dezenas de lojas de souvernirs e ou outros produtos visados por turistas, algumas igrejas centenárias que remontam à época da colonização e os prédios da administração pública – apenas eles fazem lembrar que, a despeito de parecer uma cidadezinha, está-se na capital de uma nação. O Centro Histórico de Basseterre consta da Lista de Tentativas de SCN para futura (e improvável) inscrição como Patrimônio da Humanidade.

O ponto de referência principal é o Circus, que é uma rotatória na qual ficam parados os táxis. O monumento verde em seu centro foi inspirado, dizem, no Piccadilly Circus de Londres. Próximo do Circus está um importante prédio histórico de Basseterre, hoje ocupado pelo Museu Nacional, com acervo sobre a história de SCN – ao fundo, na foto.

DSC01143

Outra referência de Basseterre é a Praça da Independência, que, pelo que posso deduzir, é o principal ponto de encontro da cidade e local das celebrações cívicas já que é a principal área pública da cidade. Na Independence Square está a Co-Catedral Católica da Imaculada Conceição, outro notável ponto de Basseterre, também construída, assim como o museu, com pedras vulcânicas:

DSC01092

Tem-se aqui um raro exemplo de uma co-catedral, isto é, uma catedral que “reparte” um bispo com outra catedral, no caso, com a cidade de St. John’s, capital de Antígua e Barbuda. Achei graça quando estava passeando pela praça, onde também está o Fórum de Basseterre, ao ver que as pessoas que irão participar de audiências ficam na praça, debaixo da sombra das árvores aguardando serem convocadas, aos berros, por um funcionário público na porta do Fórum. Há muitos edifícios coloniais nos lados desta praça.

DSC01095

O centro do poder político de SCN está no Parlamento. SCN é uma monarquia constitucional parlamentarista e federativa e, embora haja um Governador-Geral que representa o monarca, o poder de fato é exercido pelo Primeiro-Ministro. O Parlamento é composto de 11 representantes eleitos e 3 (ou 4) senadores indicados pelo PM. Há aqui um raríssimo caso de um Parlamento Unicameral com deputados e senadores. Dos deputados eleitos, 8 representam São Cristóvão e 3 provêm de Névis. Ainda para continuar no campo das curiosidades, SCN é um dos dois únicos casos de uma Federação com apenas 2 membros (o outro é a Bósnia e Herzegovina). Abaixo, o rosado Parlamento de SCN:

DSC01146

Outra igreja digna de menção em Basseterre é a catedral anglicana de São Jorge.

DSC01149

Bastam algumas horas para se conhecer o que Basseterre tem a oferecer ao visitante. O calor, claro, logo propulsionará o turista a buscar uma praia e, neste aspecto, SCN não tem como competir com alguns de seus vizinhos, pois tratando-se de uma ilha vulcânica suas praias tendem a não ser tão bonitas como, digamos, as de Anguilla ou de Antígua e Barbuda.

Ainda assim, é melhor buscar um lugar para se refrescar no mar. Embora a praia mais comentada de São Cristóvão seja Frigate Bay, fiquei feliz por ter escolhido passar umas horas na praia de South Friar’s Bay. A tranquilidade desta praia no dia em que fui se deu a um golpe de sorte: nenhum navio de cruzeiros atracou em Basseterre no dia em que lá estive. A cidade, de fato, estava praticamente sem visitantes e isto foi ótimo para visitar os lugares com sossego e poder negociar com os taxistas em bases mais favoráveis.

DSC01152

Dali, de volta para o Aeroporto para tomar o aviãozinho da Winair de volta a St. Maarten – o vôo faz uma escala no Aeroporto de Newcastle em Névis e o trajeto entre o Aeroporto de Basseterre e o de Newcastle dura seis! minutos. O avião da Winair é bem definido como uma van aérea: cabem 19 passageiros apertados e o “ar condicionado” é um abanador deixado no bolso da poltrona…

Valeu muito a pena o air-daytrip feito a São Cristóvão e Névis, algo tão inusual mas que deu certo.

São Cristóvão e Névis foi o país n.º 71 que visitei (pelos meus critérios) e n.º 59 se considerados apenas os 193 países integrantes das Nações Unidas.

Parque Nacional da Fortaleza de Brimstone Hill–PH n.º 193

São Cristóvão (St. Kitts) foi a mais antiga colônia britânica no Caribe. Embora tenha sido descoberta por Cristóvão Colombo em 1493, não despertou maiores interesses por parte da Coroa Espanhola e a colonização inglesa começou em 1623. A Espanha, “latifundiária” que era na América, não costumava perder tempo com ilhas pequenas – que acabavam “sobrando” para a Grã-Bretanha e para a França ou Holanda. Grosseiramente falando, este é o motivo de, no Caribe, os grandes países falarem espanhol – Cuba, República Dominicana e Porto Rico. A menor ilha espanhola – Porto Rico – é apenas ligeiramente menor que a maior ilha britânica – a Jamaica.

Se a Espanha não ligava para São Cristóvão, a França fez de tudo para tirá-la das mãos dos britânicos. Durante um século e meio, a ilha oscilou entre as duas potências coloniais e houve períodos até em que chegou a ser dividida entre elas (algo similar ao que ocorreu, de forma permanente, na Ilha de São Martinho).

É neste contexto turbulento que nasce a mais formidável fortaleza de todo o Caribe Britânico – Brimstone Hill –, erigida no topo de um vulcão que, muito próximo à praia, eleva-se subitamente 250 metros. Para a UNESCO, a Fortaleza de Brimstone Hill é o melhor e mais bem preservado exemplo da arquitetura militar inglesa dos séculos XVII e XVIII no Caribe – motivo de sua inscrição como Patrimônio da Humanidade em 1999. A partir do mar, esta é a visão que se tem de Brimstone Hill (foto extraída da wikipedia):

A posição estratégica de Brimstone Hill dava à fortificação um papel significativo na defesa inglesa de São Cristóvão quando das tentativas francesas de ocupação. A fortaleza era tão impressionante que São Cristóvão chegou a ser conhecida como “a Gibraltar das Índias Ocidentais” – aludindo-se a outro bastião britânico, também situado em uma íngreme colina no Sul da Espanha (hoje Gibraltar é um Território Britânico de Ultramar, reclamado pela Espanha).

DSC01105

DSC01115

DSC01128

Em 1782, porém, após brava resistência, mil soldados britânicos viram-se cercados por 8 mil soldados franceses que acabaram conquistando Brimstone Hill. Um ano depois, em razão do Tratado de Paris, a fortaleza foi devolvida definitivamente aos ingleses. Ante a falta de ameaças externas, o lugar foi sendo progressivamente abandonado durante o século XIX e chegou a ser desmontado parcialmente para que as pedras fossem usadas na reconstrução da capital Basseterre, varrida por um incêndio em 1867.

Um século depois, começaram os trabalhos de reconstrução e restauração da Fortaleza de Brimstone Hill – que é o grande símbolo da identidade desta que é a menor nação independente das Américas. Dois anos depois da independência (isto é, em 1985), a Rainha Elizabeth II (que se manteve como Chefe de Estado de São Cristóvão e Névis) reinaugurou o forte e desde então este é um dos melhores passeios culturais que se pode fazer em todo o Caribe.

DSC01113

A melhor forma de se chegar a Brimstone Hill – situado na extremidade norte da Paróquia de St. Thomas –, nos arredores da segunda cidade do país, Sandy Point, é com um táxi que leve até a fortaleza, no cume do vulcão extinto. Digo exceto se o visitante queira fazer um bom exercício físico subindo a montanha – o que também é possível.

Uma vez lá em cima, as vistas são extraordinárias e dão a exata noção da importância estratégica da Fortaleza – a partir dali é possível visualizar boa parte do litoral ocidental da ilha de São Cristóvão e mesmo avistar a Ilha de Santo Eustáquio (St. Eustatius), hoje pertencente à Holanda.

Dentro da citadela – a parte mais protegida da forteleza – há exposições sobre o lugar e sobre a própria história de São Cristóvão e Névis, que, por ter sido a primeira colônia britânica nas Caraíbas (ou Índias Ocidentais ou Caribe), é apelidada de “The Mother Colony of the West Indies”.

DSC01135

O passeio leva por volta de duas horas e meia – uma hora é o tempo mínimo para se ter uma boa compreensão de Brimstone Hill e o resto é gasto com a ida e a volta a partir de Basseterre, a capital do país.

DSC01109

Federação de São Cristóvão e Névis – 2015

20150625-022820-8900661.jpg
Em abr/2015 estive no maior país das Américas, o Canadá, e também no mais populoso, os Estados Unidos. Alguns meses depois, o inverso: passarei um dia no menor (261 km2) e menos populoso (55.000 hab.) país soberano do continente: São Cristóvão e Névis (inglês Saint Christopher and Nevis). Pouca gente chama o país assim, porém, sendo mais conhecido como Saint Kitts and Nevis. Kitts seria o “apelido” para Christopher e as duas grafias são oficiais. São Cristóvão foi batizada por ninguém menos que Cristóvão Colombo, que a avistou em 1493, dando-lhe o nome do santo homônimo. Névis deriva da palavra nieves, já que os espanhóis, ao avistarem o nublado pico do vulcão que domina a paisagem da ilha menor, acharam que pudesse estar nevada…
Névis tem apenas 10 mil habitantes. O país está abaixo de St. Maarten (Países Baixos), à esquerda de Antígua e Barbuda (outra nação soberana), à direita de St. Eustatius (Países Baixos) e acima de Montserrat (Reino Unido).
Foi uma das primeiras ilhas a serem habitadas pelos britânicos no Mar do Caribe e passaram das mãos inglesas para mãos francesas um punhado de vezes, até que se consolidou o domínio britânico. Mas dos tempos franceses ficou, por exemplo, o nome da capital, Basseterre.
Atingiu a independência em 1983 (além de menor e menos populoso, é o mais novo país do continente americano), mas permaneceu como um Commonwealth Realm, isto é, embora totalmente independente, mantém o monarca britânico como Chefe de Estado (e representado por um Governador-Geral). O mesmo, na América, ocorre com o Canadá, Belize, Jamaica, Barbados, Bahamas, Granada, Antígua e Barbuda, São Vicente e Granadinas e Santa Lúcia.
São Cristóvão e Névis é uma federação composta pelas duas ilhas e divide-se em 14 paróquias (ing. parishes). É estarrecedor saber que há um movimento pró-independência de Névis (repito: 10 mil habitantes) e houve um plebiscito em 1998 para resolver a questão, tendo o país sido mantido unido por pequena margem. As duas ilhas “estranham-se” com frequência, queixando-se Névis quanto à sua baixa representatividade na Assembleia Nacional de SCN (que tem 15 cadeiras). Também Anguilla chegou a estar ligada a SCN, mas rebelou-se contra os kittians ainda na década de 1960 e manteve-se ligada ao Reino Unido, ao passo que SCN rumou para a independência.
O país hoje vive do turismo, mas antes produzia cana-de-açúcar e até há uma linha de trem que antes escoava o produto agrícola – hoje serve para divertir turistas. SCN compartilha o Dólar do Leste do Caribe com mais cinco outros países soberanos do Caribe, além de Montserrat e Anguilla.
90% da população tem origem africana.
SCN mantém um programa de concessão de nacionalidade a quem invista lá dinheiro (acima de US$ 250.000 para comprar propriedade, etc). Não é necessário sequer ir a SCN. Mandou o dinheiro, recebe o passaporte, que é isento de visto para 132 países, inclusive o Brasil.
Eu me interessei por SCN (na verdade, todos os países me interessam…), também porque ali está o mais importante forte inglês construído no Caribe: o Forte de Brimstone Hill, Patrimônio da Humanidade desde 1999 (é um dos raros PH culturais da região) e a capital – que SCN busca inscrever na Lista da UNESCO – tem importantes construções históricas.
No mundo, SCN é o oitavo país soberano menos populoso e o nono menor. Normalmente me divirto nestes micropaíses, vamos ver como será. Terei apenas 1 dia em SCN, que é o que a maioria dos visitantes a bordo de cruzeiros também têm. Ao contrário deles, porém, vou num voo de manhã cedo saindo de Sint Maarten e regresso à noite.

20150628-182911-66551975.jpg