Brasília–jul/2013–2.ª parte

Gostamos muito em Brasília de termos visitado o Palácio do Itamaraty, a sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Ali também há passeios guiados e o nosso foi conduzido de forma adequada, inclusive com informações sobre as muitas obras de arte que decoram o lugar, assim como sua arquitetura, mais uma obra-prima de Niemeyer. Percebam a escada sem corrimão:

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Do Itamaraty tem-se uma vista frontal do Ministério da Justiça – o outro Palácio que “arremata” a Esplanada dos Ministérios antes do Congresso Nacional. E também se vê, dali, a Alameda dos Estados, com a bandeira das unidades federativas que compõem o Brasil. É interessante perceber como tudo foi meticulosamente idealizado e concretizado por Niemeyer. Por exemplo, da sala onde são assinados os tratados internacionais do Brasil há a vista para o Ministério da Justiça, a indicar que o Itamaraty, na condução da política externa do país, deve atuar em harmonia com a política interna e com as leis do país.

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Por iniciativa do meu irmão, fomos a um jogo de futebol no novo Estádio Nacional de Brasília, que foi sede de jogos na Copa das Confederações e também será sede na Copa do Mundo. Houve um público acima da média pelo que soube, o espetáculo é bonito, mas o estádio está em funcionamento mesmo sem a sua completa conclusão, pois faltam acabamentos e outras obras de adequação. Impressionante a tolerância com o improviso e a impontualidade…

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Fizemos um passeio pelo setor das embaixadas e visitamos outros lugares, inclusive no Estado de Goiás.

Tivemos excelentes experiências em restaurantes de Brasília, o trânsito lá é tranquilo, dirigir na cidade planejada é fácil. Foi muito legal o nosso passeio, superou as minhas expectativas e fica a minha recomendação, inclusive para quem vem do exterior, de dar um pulo na capital do Brasil, um lugar que tem seu posto merecido na Lista da UNESCO por seu caráter verdadeiramente único.

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Brasília–jul/2013–1.ª parte

Para comemorar o aniversário do meu pai, eu e minha família resolvemos visitar Brasília, cidade que ele não conhecia. Eu já fui muitas vezes à capital do Brasil, mas posso considerar que esta foi a primeira vez que fui para lá apenas com fins turísticos.

Para a UNESCO, a criação de Brasília é um marco na história do urbanismo mundial, tratando-se da aplicação em larga e impressionante escala, dos princípios do urbanismo (traçados pelo urbanista suíço-francês Le Corbusier ainda na década de 1940), a cargo de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. 

Brasília é Patrimônio da Humanidade desde 1987. Diz-se que muitas foram as profecias a respeito da construção de uma grande cidade no interior do Brasil – até o séc. XX muito pouco ocupado ainda. A própria Constituição Federal de 1946 dispunha, no art. 4.º do Ato das Disposições Constituicionais Transitórias que: “A Capital da União será transferida para o planalto central do Pais”. A ideia, como se sabe, era “integrar” o Brasil deslocando o eixo político do país do litoral para o centro. Coube ao Presidente Juscelino Kubitschek a iniciativa de tirar isto do papel.

Em 1956, Kubitschek nomeou uma comissão para escolher a localização exata da futura capital do país e a dupla Niemeyer – Costa (que já tinha mostrado seu potencial na construção de prédios ícones como o Ministério da Educação e Cultura no Rio de Janeiro) venceu a competição para a condução dos trabalhos.

Le Corbusier foi consultado com relação aos projetos apresentados. Para ele, um dos mais importantes urbanistas e arquitetos do séc. XX, a cidade ideal era o contrário das ruelas estreitas da Europa e deveria ser estabelecida em amplos espaços, com largas avenidas e com a separação dos variados setores da cidade (como setores comerciais, bancários, de entretenimento, etc). Tudo isto foi levado à risca em Brasília, mas de forma adaptada à realidade brasileira conforme os rabiscos de Niemeyer.

Os pontos turísticos em Brasília são vários. Começamos pelo Memorial JK inaugurado em 1981 e local onde está enterrado o Presidente fundador da cidade. Foram recriados lá alguns ambientes familiares a JK como a sua biblioteca e há muitos objetos pessoais e ligados ao período de sua presidência.

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O lugar que eu ainda não conhecia em Brasília e que mais me surpreendeu foi o Santuário Dom Bosco, com vitrais azuis do chão ao teto em todas as faces da igreja (com 12 tonalidades de azul) e com um único pendente em seu interior (a única fonte de luz) majestoso com 7.400 peças em vidro de Murano e 3 toneladas de peso. O Santuário Dom Bosco é absolutamente arrebatador e concorre com a própria Catedral de Brasília em beleza.

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Esta foi feita à noite:

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Do alto da Torre de TV é possível ter uma espetacular vista do Eixo Monumental e da Esplanada dos Ministérios, tendo o Congresso Nacional ao fundo:

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O Congresso Nacional, aliás, é muito interessante também por dentro e há frequentes passeios guiados que permitem ver os plenários da Câmara e do Senado (azul), além das muitas obras de arte lá expostas:

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Na Praça dos Três Poderes (que fica “atrás” do Congresso Nacional para quem olha a partir da Esplanada dos Ministérios) estão as sedes dos outros dois poderes: o Palácio do Planalto e o prédio do Supremo Tribunal Federal. Está lá, ainda um memorial ao Presidente Tancredo Neves.

Há muitos horários de passeios guiados pelo STF (embora não tenhamos apreciado o nosso, porque a guia era terrivelmente despreparada), mas o acesso ao Palácio do Planalto é mais restrito. Pelo que consta, apenas em um dia da semana as visitas são permitidas. Abaixo, o Plenário do STF:

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Patrimônios da Humanidade ligados a Oscar Niemeyer

Oscar Niemeyer (1907-2012) foi um arquiteto modernista de primeira grandeza e é reverenciado em todo o mundo por seu legado e sua contribuição à arquitetura mundial no séc. XX (que ele presenciou praticamente inteiro).

Obviamente, a primeira referência que se tem de Niemeyer é Brasília, projetada por ele e por Lúcio Costa, no megaempreendimento obstinadamente perseguido por Jucelino Kubitschek, então presidente do país.

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A marca de Niemeyer se fez sentir também em Diamantina (MG), em especial no Hotel Tijuco (foto abaixo) e uma escola pública. Niemeyer, que já era conhecido de Kubitschek, foi por ele convidado a realizar obras em sua cidade natal.

Na França, foi inscrita (em 2005) a cidade litorânea de Le Havre, sob o título Le Havre, cidade reconstruída por Auguste Perret. Le Havre foi devastada durante a II Guerra Mundial, mas já em 1945 começaram os trabalhos de reconstrução e a cidade foi remodelada por arquitetos modernistas, em especial por Auguste Perret, mas Niemeyer deu sua contribuição, projetando o centro cultural chamado Le Volcan:

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Na Costa Amalfitana (PH situado na Campania, Itália e inscrito em 1997 como Costiera Amalfitana) também há obra de Niemeyer, o Auditorium Ravello, que, no entanto, não é unanimidade, muita gente o considera grotesco e despropositado para este famoso trecho do litoral italiano.

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Deve haver outros PH com obras de Oscar Niemeyer, mas os que eu consegui identificar são estes. De qualquer forma, a marca de Niemeyer no Brasil (e mesmo em muitas cidades mundo afora) é profunda e indelével.

Como imaginar São Paulo sem o Memorial da América Latina, sem os prédios projetados por Niemeyer no Parque do Ibirapuera ou sem o Edifício Copan (foto)?

Como imaginar Belo  Horizonte sem o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, Curitiba sem o apelidado “Museu do Olho” ou Niterói (foto) sem o Museu de Arte Moderna? O Brasil sem sua capital?

Niemeyer, falecido na invejável idade de 104 anos (quase 105), está entre os mais notáveis, profícuos e influentes brasileiros de todos os tempos.

Brasília – ago/93, 2000, 2002 e 2004

O Plano Piloto de Brasília é patrimônio cultural da humanidade desde 1987. Segundo o que a UNESCO diz em seu site “é um marco na história do planejamento urbano” e excepcional exemplo de emprego dos princípios arquitetônicos do século XX  – expressados por Le Corbusier – em escala de capital de um país. A UNESCO cita como o outro exemplo a cidade planejada para ser capital estadual Chandigarh, na Índia.

Esta idéia de construir do nada uma capital – tema que o Brasil discutiu à exaustão – também ocorreu em outros países como a Austrália, que construiu Canberra como solução salomônica para a disputa entre Sydney e Melbourne; a Costa do Marfim, que também levou sua capital para o interior, passando de Abidjan para Yamassoukro (onde foi construída uma réplica perfeita da Basílica de São Pedro, algo realmente notável).

Eu nunca fui a Brasília como turista. Engraçado constatar isso, mas é verdade. Na primeira vez, em agosto de 1993, fui para encontrar-me com os demais integrantes da delegação brasileira da Ruta Quetzal e propriamente não visitamos nada, apenas fizemos um necessário percurso no Setor de Embaixadas para colher vistos da Guatemala, Honduras, México, etc. Daquela época guardo lembrança de um coquetel que foi oferecido na Embaixada da Espanha, país que, afinal de contas, estava assumindo a responsabilidade de levar todos aqueles adolescentes para a fantástica expedição.

A segunda vez foi em 2000. Eu havia acabado de passar no concurso para Procurador Autárquico do INSS e a segunda fase do concurso era lá. Foram 15 dias em janeiro, de muito estudo e apreensão porque ainda era candidato. Ao final, tudo deu certo e acabei passando no concurso em cujo cargo fiquei por um bom tempo.

Em 2002,voltei quando estava cursando o Mestrado e precisava colher material de pesquisa nos Ministérios da Previdência Social, das Relações Exteriores e na excelente biblioteca do Senado, para escrever minha dissertação de mestrado cujo título é “Acordos Internacionais em Matéria de Seguridade Social”. Eu morava em Ribeirão Preto e fui de ônibus já que as duas cidades não ficam tão longe assim.

A última vez, em 2004, foi em uma caravana saída de Vitória composta da comissão de greve da AGU – estávamos em greve e fomos em um ônibus fretado pressionar o governo federal para atender nossas reivindicações. Lá nos encontramos com caravanas do Brasil todo e fizemos uma marcha pela Esplanada dos Ministérios, indo também à Câmara dos Deputados e ao STF.

Enfim, minha história com Brasília é divertida. Entre um compromisso e outro aproveitei para visitar os pontos turísticos que a tornam um PH, como a Catedral e sua singular arquitetura, a Esplanada dos Ministérios, a Praça dos Três Poderes – Palácio do Planalto, Congresso e STF. O prédio do Itamaraty também vi por fora.

Claro, Brasília merece ser visitada novamente. Desta vez com espírito turístico, tanto para rever, sob esta ótica, os lugares já visitados quanto para visitar os vários outros pontos que, nestas correrias, ficaram para trás.

Patrimônios da Humanidade no Brasil

O Brasil tem 19 lugares reconhecidos como PH, dos quais 12 são patrimônios culturais e 7 patrimônios naturais. A lista é a seguinte, com a ordem de inscrição feita pela UNESCO e a bandeira do Estado onde se localiza. Com a exceção do Parque Nacional do Pantanal, visitei todos os Patrimônios da Humanidade no Brasil.

CULTURAIS:

1 – Cidade Histórica de Ouro Preto – 1980 MG;

2 – Centro Histórico da Cidade de Olinda – 1982    PE;

3 – Missões Jesuíticas dos Guaranis – São Miguel das Missões – 1983 Flag of Rio Grande do Sul  RS (em conjunto com a Argentina);

4 – Centro Histórico de Salvador da Bahia – 1985  BA;

5 – Santuário de Bom Jesus de Matosinhos – Congonhas– 1985 MG;

6 – Brasília – 1987 –Bandeira do Distrito Federal (Brasil).svg DF;

7 – Parque Nacional da Serra da Capivara – 1991 – PI;

8 – Centro Histórico de São Luís – 1997 – MA;

9 – Centro Histórico da Cidade de Diamantina – 1999 – MG;

10 – Centro Histórico da Cidade de Goiás – 2001 – – GO;

11- Praça de São Francisco – São Cristóvão – 2010 – – SE;

12 – Rio de Janeiro: paisagem carioca entre a montanha e o mar – 2012 –  – RJ.

NATURAIS

1 – Parque Nacional do Iguaçu – Foz do Iguaçu – 1986 –  PR;

2 – Reservas da Mata Atlântica do Sudeste – 1999 – SP e  PR;

3 – Reservas da Mata Atlântica da Costa do Descobrimento – 1999 – BA e  22px-Bandeira_do_Esp%C3%ADrito_Santo_svg ES

4 – Área de Conservação do Pantanal – 2000 – MT e  MS;

5 – Complexo de conservação da Amazônia Central – 2000 – AM;

6 – Ilhas Atlânticas Brasileiras – Fernando de Noronha e Atol das Rocas – 2001 – PE;

7 – Áreas Protegidas do Cerrado – Parques Nacionais da Chapada dos Veadeiros e das Emas – 2001 – GO.