PNCV – 2.ª parte

O segundo dia visitando o PNCV foi também muito legal. Começamos de novo a trilha com o simpático guia Seu Zé, desta vez para o passeio dos Saltos do Rio Preto. São 2 os saltos, um de 120 metros formando um profundo poço onde os banhos são proibidos e outro de 80 metros com possibilidade de banho no poço. Esta segunda trilha permitiu algumas fotos bonitas da chapada, que nesta época, embora já seja a estação seca, ainda está bastante verde.

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O salto dos 120 metros é realmente espetacular:

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Após a visita aos saltos, fomos a um lugar chamado “corredeiras do Rio Preto”, paradisíaco. Várias pequenas quedas d’água que permitem deliciosas hidromassagens naturais e de graça, além de haver vários pontos para banho, alguns bem profundos e muitas pedras para se deitar tomando sol, ouvindo o barulhinho das águas e esquecer da vida.

Abaixo fotos dos valentes expedicionários ao PNCV.

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A volta foi bem mais difícil que a de ontem porque a trilha dos Saltos do Rio Preto tem significativo declive (com aclive na volta), mas foi mais um maravilhoso dia de cansaço físico e descanso mental.

Terminamos comendo “matula”, um prato típico da CV com carne seca, farinha de mandioca, abóbora e mandioca frita. É bem “forte”, digamos. O lugar onde comemos isto foi no “restaurante” do Sr. Waldomiro e as aspas são porque o local é um barracão de palha, com chão de terra batida e os pratos são “feitos”, com muitas opções de cachaça.

A Chapada dos Veadeiros é uma opção muito boa para quem quer desligar do mundo e descansar a cabeça com muitas caminhadas, banhos em cachoeiras com água limpíssima e comer comidas típicas do cerrado. Valeu muito a pena. Amanhã, domingo, é hora de voltar. 

Áreas Protegidas do Cerrado – Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – PH n.º 89 – 1.ª parte

Cheguei ao meu 10.º PH visitado no Brasil que, como é sabido, tem 18 no total. As Áreas Protegidas do Cerrado (= PN da Chapada dos Veadeiros + PN das Emas) foram inscritas pela UNESCO em 2001. Interessa desta vez apenas o PN da Chapada dos Veadeiros (PNCV).

Esta é uma região alta do chamado Planalto Brasileiro, que ocupa uma parte importante do país. As altitudes variam de 600 a 1600 metros, por isto a temperatura média é mais baixa do que se esperaria na latitude 14º Sul.

Aqui estão algumas das mais antigas formações rochosas do mundo, com seus cânions e cachoeiras, atrativos turísticos típicos de terrenos com formação geológica antiga – como as Blue Mountains ou o Springbrook NP na Austrália, visitados há pouco.

É curioso o fato de que o Brasil mesmo ocupando a metade do continente sulamericano tenha ficado apenas com planícies (amazônica, costeira, do Pantanal, dos Pampas, etc.) e planaltos desgastados, tendo seu ponto culminante com modestos 3 mil metros aproximadamente. Os demais países da América do Sul (com exceção das Guianas, do Uruguai e do Paraguai) dividem a majestosa e extensa Cordilheira dos Andes, com vários picos acima dos 6 mil metros. Lembro-me de que falei a altura do ponto culminante do Brasil quando estava no Equador, no Peru ou na Argentina, as pessoas destes lugares se surpreenderam quando lhes disse que o imenso Brasil não tinha nenhuma montanha sequer com neves eternas.

Voltando ao PNCV, na fauna, destacam-se: cervo do pantanal, veado campeiro (cuja caça deu nome ao parque), lobo guará, ema, tatu canastra, seriema, capivara, anta, tucano e urubu-rei. Vamos ver se dou sorte de ver alguma coisa. Hoje vi só gralhas azuis. Na flora, são endêmicos: pau d’arco roxo, copaíba, aroeira, tamanqueira, jerivá, buriti e babaçu. Gostei de ver o pequizeiro, a árvore do pequi, uma fruta que acompanha o famoso arroz-de-pequi, prato típico goiano. 

Outra marca do PNCV são os cristais que, além de incrementarem a atividade econômica, motivaram a vinda para cá de esotéricos e pessoas ligadas em terapias alternativas. Estou hospedado em São Jorge, a alguns quilômetros de Alto Paraíso, e bem próximo do Parque Nacional.

O primeiro dia do feriado foi assim:  cheguei a Brasília no primeiro vôo saindo de Congonhas junto com o grupo de 7 amigos (comigo incluído) e, após alugarmos o carro seguimos direto para a CV. Visitamos o Vale da Lua, um lugar com formações rochosas que foram cavadas pelo córrego que passa ali e, depois, fomos para o “santuário” Raizama, com uma trilha, cachoeiras e uma impressionante cachoeira de 40 metros. Foi uma introdução à Chapada.

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Mas o mais legal mesmo foi hoje, já dentro do PNCV, com a trilha dos cânions. Após contratarmos o guia – exigência da administração do parque –, demos início à trilha entrando no coração do cerrado, totalmente preservado, com suas árvores retorcidas e sofridas, com suas folhas minguadas e flores. Não há sombras no cerrado, o que torna a caminhada mais dura pois, ao contrário do que eu imaginava, fez calor durante o dia, mesmo nesta época do ano – mas esfria bem à noite. Após uma hora mais ou menos, chegamos ao cânion 2, com bela foto do rio passando pelas duras paredes de rochas, formadas por sua força durante milênios.

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Abaixo uma delícia de poço para banho. A água é escura – o nome é Rio Preto –, mas muito limpa, fria o suficiente para afastar o calor. Uma delícia mesmo. É uma lavada no corpo e na alma.

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Depois, continuamos a trilha até um outro lugar com cachoeiras e outros dois poços para banho. Os banhos de cachoeira foram ótimos e o lugar é perfeito para ficar “lagarteando” e caindo na água sempre que se começa a sentir calor.

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Patrimônios da Humanidade no Brasil

O Brasil tem 19 lugares reconhecidos como PH, dos quais 12 são patrimônios culturais e 7 patrimônios naturais. A lista é a seguinte, com a ordem de inscrição feita pela UNESCO e a bandeira do Estado onde se localiza. Com a exceção do Parque Nacional do Pantanal, visitei todos os Patrimônios da Humanidade no Brasil.

CULTURAIS:

1 – Cidade Histórica de Ouro Preto – 1980 MG;

2 – Centro Histórico da Cidade de Olinda – 1982    PE;

3 – Missões Jesuíticas dos Guaranis – São Miguel das Missões – 1983 Flag of Rio Grande do Sul  RS (em conjunto com a Argentina);

4 – Centro Histórico de Salvador da Bahia – 1985  BA;

5 – Santuário de Bom Jesus de Matosinhos – Congonhas– 1985 MG;

6 – Brasília – 1987 –Bandeira do Distrito Federal (Brasil).svg DF;

7 – Parque Nacional da Serra da Capivara – 1991 – PI;

8 – Centro Histórico de São Luís – 1997 – MA;

9 – Centro Histórico da Cidade de Diamantina – 1999 – MG;

10 – Centro Histórico da Cidade de Goiás – 2001 – – GO;

11- Praça de São Francisco – São Cristóvão – 2010 – – SE;

12 – Rio de Janeiro: paisagem carioca entre a montanha e o mar – 2012 –  – RJ.

NATURAIS

1 – Parque Nacional do Iguaçu – Foz do Iguaçu – 1986 –  PR;

2 – Reservas da Mata Atlântica do Sudeste – 1999 – SP e  PR;

3 – Reservas da Mata Atlântica da Costa do Descobrimento – 1999 – BA e  22px-Bandeira_do_Esp%C3%ADrito_Santo_svg ES

4 – Área de Conservação do Pantanal – 2000 – MT e  MS;

5 – Complexo de conservação da Amazônia Central – 2000 – AM;

6 – Ilhas Atlânticas Brasileiras – Fernando de Noronha e Atol das Rocas – 2001 – PE;

7 – Áreas Protegidas do Cerrado – Parques Nacionais da Chapada dos Veadeiros e das Emas – 2001 – GO.

 

Cidade de Goiás – PH n.° 73

Bom, mãos-à-obra…

Vou relatar a visita que fiz nos dia 5 e 6 de fevereiro/11 à cidade de Goiás, também conhecida como Goiás Velho. Foi o meu PH n. 73.

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Goiás foi acrescentada à Lista da UNESCO em 2001 como Patrimônio Cultural. Ela representa o processo de povoamento do interior do Brasil no contexto dos bandeirantes paulistas que ali descobriram ouro no século XVIII. A cidade foi fundada por Bartolomeu Bueno da Silva, filho do famoso Anhangüera no local onde viviam os índios Goiá, daí o nome.  O nome original foi Vila Boa de Goiás. O ouro se exauriu rapidamente e antes do fim do século XVIII Goiás já teria entrado em decadência que, de certa forma, ajudou a preservar o casario colonial e que motivou o reconhecimento pela UNESCO. Na década de 1930 Goiás perdeu a condição de capital do Estado, transferida para a planejada cidade de Goiânia. Elas ficam a uma distância de 130 km.

Um dos principais pontos turísticos da cidade é a Casa de Cora Coralina que fica bem na ponte madeira sobre o Rio Vermelho, que divide a cidade. O Museu é muito bem preservado e os guias são bons. Aliás, fiquei impressionado com o profissionalismo dos guias turísticos de Goiás, algo notável no contexto do Brasil onde esta atividade normalmente é mal executada.

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As fotos internas são proibidas, mas é uma casa típica de meados do século XX  e muitas coisas como os caixotões de madeira, o fogão de lenha e o quintal me fizeram lembrar da minha bisavó, a Nonna.

Nas paredes da casa estão os versos de Cora Coralina, todos refletindo a alma simples daquela senhora que começou a publicar seus livros aos 75 anos de idade. Ela faleceu aos 95 anos, em 1985. Eu me lembro quando ela morreu. Quando o museu está aberto, colocam uma boneca lá lembrando como Cora Coralina ficava assistindo o burburinho de sua cidade a partir da janela de sua casa.

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Outra coisa que gostei foi a culinária goiana, que, para mim, era completamente desconhecida.

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Este aí é o empadão goiano, uma espécie de “empanada” como há no Chile e Argentina, com frango, linguiça, guariroba, queijo, azeitona.. ufa…

Também adorei o arroz-de-pequi, uma combinação fantástica. Há que se ter o máximo cuidado, porém, com os frutos do pequi que são colocados no prato porque dentro há espinhos pequenos e terríveis que grudam na língua e causam muita dor. Eu, apesar do máximo cuidado em apenas deslizar os dentes levemente sobre os frutos, acabei ficando com uns espinhozinhos na língua…

O casario colonial é, como já disse, muito bem preservado e há uns museus que merecem visita.

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Fiquei em um hotel razoável mas, talvez como poucos no mundo, tem uma varanda deliciosa com vista frontal para a principal atração da cidade.

Goiás é uma cidade simples. Não tem a opulência de Ouro Preto (que também é PH), mas passar um fim-de-semana lá é muito agradável, especialmente para relaxar, porque tranquilidade é o que não falta.

Ainda há, nas redondezas da cidade, várias cachoeiras e praias de rio, perfeitas para um domingo de sol e calor. Foi o que fiz.