Mobilização em Rondônia pela inscrição da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré como Patrimônio da Humanidade

Circulam na internet vídeos e textos que informam sobre a intenção da sociedade civil e do Governo de Rondônia de inscrever seu principal patrimônio histórico na Lista da UNESCO.

A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi construída entre os anos de 1907 e 1912, no contexto da cessão do Acre para o Brasil, pelo Tratado de Petrópolis, pelo qual firmou-se que a contrapartida brasileira incluiria a construção de uma estrada-de-ferro ligando a cidade fronteiriça de Guajará-Mirim a Porto Velho, de forma a viabilizar a navegação, a partir dali, pelo Rio Madeira até o Amazonas. A ferrovia era necessária já que o Rio Madeira, no trecho a partir da fronteira até Porto Velho, apresenta muitas cachoeiras e a Bolívia após a derrota na Guerra do Pacífico, havia perdido sua saída para o mar para o Chile.

As dificuldades apresentadas na construção desta ferrovia foram subestimadas pelos empreendedores norte-americanos, em especial pelas doenças tropicais que dizimavam os trabalhadores da obra, mas ela acabou sendo feita. Pouco tempo após a conclusão da ferrovia – há cem anos, portanto –, a região amazônica começou a ser impactada pela crise da borracha, mas permaneceu em funcionamento até 1966, quando o Presidente Castelo Branco mandou encerrar as atividades, substituindo a estrada-de-ferro por rodovias.

Em 2005 a EFMM foi tombada pelo IPHAN (autarquia federal dedicada à proteção do patrimônio cultural) e, agora, há este movimento no sentido de declará-la PH. Rondônia é um dos estados mais alijados dos roteiros turísticos no Brasil, portanto, é acertada a intenção de valorizar um lugar com importância histórica como este etiquetando-o com o selo da UNESCO.

O próximo passo é fazer com o que o Governo Federal leve a tentativa oficialmente à UNESCO, inserindo em sua Lista de Tentativas para que, nos próximos anos, o Comitê do Patrimônio Cultural possa decidir a respeito.