Uma primeira impressão dos Lençóis Maranhenses

Eu fui para o Maranhão com pouco tempo e tendo por objetivo conhecer apenas o Centro Histórico de São Luís. Mas eu fiz um day-trip para a cidade de Barreirinhas, a leste da capital para ter uma primeira experiência nos já famosos Lençóis Maranhenses.

Normalmente, eu não faria isto. Os Lençóis merecem ser visitados com muito mais calma, mas dois fatores convergiram para me impelir a fazer esta jornada: o Centro Histórico de São Luís foi visitado em um único dia e, além disto, em razão da forte estiagem que atinge a região, a maior parte das lagoas está seca. Só há uma nos arredores de Barreirinhas que permaneceu com água: a do Peixe.

Agosto seria, normalmente, alta temporada para visitar os Lençóis porque as lagoas deveriam estar cheias após a estação de chuvas – lembrar que a água das lagoas é doce, da chuva. Mas, neste ano, as chuvas não foram suficientes.

Então, eu topei ir, embora em circunstâncias normais ao menos 3 dias fossem necessários para bem aproveitar a região. Valeu como uma introdução e também para ver, pelo caminho, as amplas áreas cobertas de palmeiras de babaçu e carnaúba, típicas do Maranhão e do Piauí. 

Não levei a máquina e as fotos foram tiradas por pessoas que foram comigo no “bate-volta”. Agradeço à Karine, que mora em São Luís, que me mandou os arquivos.

Fiquei bastante impressionado com as dunas, de areia branquíssima e em cujas depressões se formam os lençóis d’água.

 

A lagoa que restou nesta seca toda foi, como disse, a do Peixe, que nem é tão conhecida e cuja água não era clara como eu esperava que fosse:

O grupo que viajou foi este aí abaixo. Só gente boa.

Comenta-se muito de um roteiro combinado que engloba o passeio por três paraísos ecológicos do Brasil, um em cada Estado: os Lençóis Maranhenses, o Delta do Parnaíba, no Piauí e Jericoacoara, no Ceará. É um roteiro que pode começar em São Luís e terminar em Fortaleza ou vice-versa. 

Um prato e uma bebida maranhenses

Para mim, uma parte importante da viagem – de qualquer viagem – é provar a culinária (ou mesmo um prato típico) e/ou bebidas locais. No Maranhão não há propriamente uma cozinha característica – como na Bahia ou em Minas Gerais –, mas, ao menos, há um prato típico: o arroz-de-cuxá.

Eu gostei. É um arroz bem solto – nada a ver com risoto –, acrescido de uma erva chamada vinagreira e de camarão seco, além de outros ingredientes, dependendo da receita. Mas a base é esta mescla de arroz com vinagreira e camarão seco. O arroz-de-cuxá serve como acompanhamento, em geral com peixe.

E a bebida maranhense por excelência é o Guaraná Jesus, refrigerante batizado em homenagem a seu fundador, Jesus Norberto Gomes, farmacêutico, que o criou na década de 1920.

 

O Guaraná Jesus tem uma cor impressionantemente artificial e um gosto de tutti-frutti com um leve toque de canela. Não diria que é bom, mas é curioso provar.

A Coca-Cola adquiriu esta marca há algum tempo e restringe a distribuição do produto apenas ao Estado do Maranhão.

Centro Histórico de São Luís-MA–PH n.º 127

Mais uma promoção de milhas aéreas e mais um Patrimônio da Humanidade visitado no Brasil… Eu sempre planejei visitar São Luís (que fica a respeitáveis 3 horas e meia de vôo a partir de São Paulo) junto com os Lençóis Maranhenses. Mas com a promoção das milhas e com o pouco tempo que tinha topei visitar só a capital do Maranhão.

O Centro Histórico de São Luís do Maranhão foi inscrito como Patrimônio da Humanidade em 1997. Eu li todo o parecer do ICOMOS que recomendou a inscrição. Já na época havia preocupação quanto às medidas de preservação do local e houve efusivas recomendações para que o Poder Público planejasse e executasse ações neste sentido.

Eu noticiei neste blog que a UNESCO em mais de uma ocasião queixou-se do estado de conservação do PH e que paira sobre São Luís o risco de ser incluído na Lista de Patrimônios da Humanidade em perigo – um estágio anterior à exclusão da Lista dos PH.

Contrariando até mesmo as minhas expectativas, eu não achei ruim conhecer o Centro de São Luís. É notável que a região já de há muito deixou de ser a mais valorizada da cidade e isto se reflete no estado de conservação dos imóveis, no comércio e até na segurança. Nada muito diferente do que ocorre em São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, etc.

Há alguns pontos turísticos que merecem ser visitados.

Eu gostei do Palácio dos Leões – a sede do Governo Estadual – , que tem alguns ambientes ricamente decorados e uma deslumbrante vista a partir do pátio interno do Rio Anil. O passeio ao seu interior é feito com guias. O Palácio dos Leões situa-se no local onde os franceses fundaram o Fort de Saint-Louis em 1612 em homenagem ao Rei Luís IX (canonizado em 1297), na então chamada França Equinocial. São Luís, é bom lembrar, é a única cidade brasileira que foi fundada por franceses.

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São Luís foi retomada pelos portugueses logo depois, em 1615, mas não tardou até que o local fosse ocupado pelos holandeses, que lá ficaram entre 1641 a 1644. Após isto permaneceu em mãos portuguesas e a arquitetura do centro histórico reflete claramente esta influência.

Os prédios com fachadas azulejadas são, na minha opinião, o grande motivo para se visitar São Luís, embora, frise-se, o estado de conservação de alguns desaponte.

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Além da função decorativa, os azulejos ajudavam a amenizar a umidade e o calor, que, a pouco mais de 2 graus do Equador, é perene.

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À noite, o efeito da iluminação pública nestes imóveis os deixa mais bonitos.

Ainda merecem visita no Centro Histórico o Teatro Artur de Azevedo (foto abaixo, extraída da wikipedia), cujo início da construção é anterior à independência do Brasil e a Catedral, que é neoclássica.

Fui ao Museu Histórico e Artístico do Maranhão – mas o pomposo nome não faz jus ao seu acervo, que é pouco mais que um casarão com decoração típica do séc. XIX, sem singularidade.

Gostei mais da Casa do Nhozinho dedicada a um artista local que se dedicou a confeccionar artigos representativos da cultura maranhense, inclusive o bumba-meu-boi, que dá nome a uma das maiores festas do Maranhão – em julho se não me engano.

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Também lá há exemplares de artesato feito com palha das palmeiras desta região do Brasil – como o babaçu, a carnaúba e o buriti.

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Em um dia inteiro visita-se com sobra o Centro Histórico de São Luís, que encanta menos que Salvador ou Olinda, mas eu gostei de ver a adaptação da arquitetura tipicamente portuguesa – inclusive do azulejo – ao calor e umidade desta cidade que se situa pouco abaixo da Linha do Equador.

Aliás, esta “adaptação” foi um dos principais motivos para a inscrição de São Luís na Lista da UNESCO. Destaco um dos trechos do parecer do ICOMOS a respeito:

A “casa” maranhense é distinta do resto da arquitetura colonial no Brasil, tanto pela opulência dos materiais usados quanto por sua adaptação ao ambiente natural. A natureza única destas construções resultou em elegantes prédios azulejados, usados tanto para o isolamento térmico quanto para a decoração.

O Centro Histórico de São Luís foi o 16.º PH que visitei no Brasil.

Patrimônios da Humanidade no Brasil

O Brasil tem 19 lugares reconhecidos como PH, dos quais 12 são patrimônios culturais e 7 patrimônios naturais. A lista é a seguinte, com a ordem de inscrição feita pela UNESCO e a bandeira do Estado onde se localiza. Com a exceção do Parque Nacional do Pantanal, visitei todos os Patrimônios da Humanidade no Brasil.

CULTURAIS:

1 – Cidade Histórica de Ouro Preto – 1980 MG;

2 – Centro Histórico da Cidade de Olinda – 1982    PE;

3 – Missões Jesuíticas dos Guaranis – São Miguel das Missões – 1983 Flag of Rio Grande do Sul  RS (em conjunto com a Argentina);

4 – Centro Histórico de Salvador da Bahia – 1985  BA;

5 – Santuário de Bom Jesus de Matosinhos – Congonhas– 1985 MG;

6 – Brasília – 1987 –Bandeira do Distrito Federal (Brasil).svg DF;

7 – Parque Nacional da Serra da Capivara – 1991 – PI;

8 – Centro Histórico de São Luís – 1997 – MA;

9 – Centro Histórico da Cidade de Diamantina – 1999 – MG;

10 – Centro Histórico da Cidade de Goiás – 2001 – – GO;

11- Praça de São Francisco – São Cristóvão – 2010 – – SE;

12 – Rio de Janeiro: paisagem carioca entre a montanha e o mar – 2012 –  – RJ.

NATURAIS

1 – Parque Nacional do Iguaçu – Foz do Iguaçu – 1986 –  PR;

2 – Reservas da Mata Atlântica do Sudeste – 1999 – SP e  PR;

3 – Reservas da Mata Atlântica da Costa do Descobrimento – 1999 – BA e  22px-Bandeira_do_Esp%C3%ADrito_Santo_svg ES

4 – Área de Conservação do Pantanal – 2000 – MT e  MS;

5 – Complexo de conservação da Amazônia Central – 2000 – AM;

6 – Ilhas Atlânticas Brasileiras – Fernando de Noronha e Atol das Rocas – 2001 – PE;

7 – Áreas Protegidas do Cerrado – Parques Nacionais da Chapada dos Veadeiros e das Emas – 2001 – GO.