Retomados os trabalhos: novas inscrições na Lista do Patrimônio Mundial, PH n. 207 e 208. 

Cessados os problemas mais emergentes com a crise política na Turquia, o Comitê do Patrimônio Mundial retomou os trabalhos, antes do que se supunha. Pampulha foi inscrita como Patrimônio da Humanidade. As Obras de Le Corbusier também, meus PH n. 207 e 208. A decepção ficou por conta das obras de F. L. Wright, que não foram inscritas neste ano, mas a tentativa pode ser reapresentada futuramente pelos Estados Unidos. 

Levo passaporte ou RG?

É uma pergunta recorrente de brasileiros que pretendem ir passear pela América do Sul. Dá para ir com os dois, mas a resposta merece um pouco mais de análise.

Alguém poderia perguntar, mas dá para sair do país (e entrar em outro) sem o passaporte? No caso da América do Sul, em razão de acordos diplomáticos assinados entre os países do Mercosul e demais países de língua espanhola da América do Sul, dá sim, levando um documento de identidade oficial – no caso do Brasil, o RG, emitidos pelos Estados.

Então, os países que podem ser visitados por brasileiros portando apenas o RG (ou Carteira de Identidade, como se chama em alguns estados) são: Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia e Venezuela. A regra não se aplica à República da Guiana, ao Suriname, à Guiana Francesa (onde, além do passaporte, é exigido visto) e às Ilhas Falklands (Malvinas).

Mas tenham cuidado: só vale o documento original, que deve estar em bom estado de conservação e, por cautela, não deve ser muito antigo – aquele RG que você tirou aos 12 anos de idade pode ser problemático caso hoje você tenha 40. Outros documentos com força de oficial pela lei brasileira, como carteiras de trabalho ou profissionais não servem, ordinariamente. Já houve muita confusão envolvendo brasileiros nas imigrações argentinas ou chilenas por causa da inobservância destas condições.

Portanto, há que se ter em mente que documento de viagem por excelência é o passaporte e em todos os lugares do mundo é assim. É muitíssimo improvável que alguma autoridade sulamericana questione um passaporte brasileiro, dentro do prazo de validade do documento. Com o RG, como vimos, problemas podem acontecer, embora, frise-se, não sejam frequentes.

Além disto, normalmente, nestes países o passageiro preenche um formulário de imigração (tarjeta de inmigración) com seus dados e que é carimbado na entrada, sendo necessária a devolução do canhoto na saída. Na hipótese de perda, o problema é bem maior quando se entrou apenas com o RG, porque no caso do passaporte, ao menos haverá o carimbo alusivo à data do ingresso no país.

Ou seja, se você tem o passaporte, leve-o mesmo na América do Sul. Não custa nada – o preço pela emissão do passaporte você já pagou – e você ainda terá o carimbo da imigração, que não deixa de ser um “souvenir”.  Mais do que isto: caso você busque conseguir um visto americano ou canadense, por exemplo, no futuro, a presença de carimbos de viagem pela América do Sul em seu passaporte aumentará sua chance de êxito.

Mas caso você não tenha passaporte e suas pretensões de viagem limitem-se à América do Sul, mande ver no RG (não outros) mas certifique-se de estar portando o documento original, em bom estado e não antigo demais.

Pinacoteca do Estado

Neste último fim-de-semana visitei a Pinacoteca do Estado de São Paulo, um dos lugares que mais gosto na capital. Houve uma reorganização do acervo permanente da Pinacoteca, então fui lá conferir.

Ficou muito bom e deram o título de “A Arte no Brasil”, com telas expostas em 11 salas temáticas e que seguem a cronologia da evolução da arte no Brasil.

Algumas telas da Pinacoteca são muito conhecidas dos brasileiros como O Mestiço, de Cândido Portinari e Proclamação da República, de Benedito Calixto:

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Também algumas menos conhecidas mas que eu gosto imensamente, como Leitura e Saudade, de Almeida Júnior, dentre muitas e muitas outras.

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A Pinacoteca é um destino turístico obrigatório em São Paulo. Vale pelo belo acervo permanente, pelas exposições temporárias – sempre há mais de uma e quase sempre são muito interessantes – pelo imponente visual do prédio todo em tijolinhos e por um ótima cafeteria com vista para o jardim ao lado com suas árvores centenárias.

A Pinacoteca fica bem em frente à Estação da Luz (uma estação na qual se cruzam várias linhas de trem e metrô) e basta atravessar a rua para visitar outro importante ponto turístico de São Paulo – o Museu da Língua Portuguesa.

Fica a dica. 

10 armadilhas mais comuns para turistas

Não caiam nestes golpes clássicos aplicados a turistas, mesmo nos países mais seguros:

1 – Falsos policiais. O golpista, na rua, com indumentária que pode confundir, chega com moral e pede o passaporte. Você entrega e logo ele diz que tem um problema, falta um carimbo ou algum detalhe quase sempre absurdo. Cria um imenso problema, mas oferece uma solução: uma graninha ali para não mais se falar naquilo. O antídoto é: ofereça-se para ir até à estação policial mais próxima, a pé, com ele. Ele se manda. Tenho notícia de que este golpe é comum na Bolívia;

2 – “Já fechou!” É assim: você, com uma indicação de hotel ou restaurante, pede informação sobre como lá chegar. O golpista não hesita: diz que este lugar já fechou e se oferece gentilmente para te encaminhar a algum outro, muito melhor. Quase sempre é uma roubada: o lugar tende a ser ruim e o cara ganha uma comissão do mau empresário, com quem se mancomunou. Na Sérvia, um taxista tentou me aplicar este golpe, dizendo que o ônibus que eu estava a esperar no ponto não mais passaria e que só de táxi poderia ir ao centro da cidade. Fiquei firme, mandei-o passar adiante e logo depois o ônibus apareceu.

3 – Taxistas. O exemplo acima reflete os mais prováveis golpistas que você enfrentará: inescrupulosos taxistas. Você desembarca no aeroporto, todo perdido, entra no táxi e diz o destino e aí você está nas mãos dele, que poderá dar uma bela “volta”, inflando o valor da corrida. Em alguns países é pior: simplesmente não há taxímetros, como no Peru, Bolívia, etc e muitos táxis são clandestinos. Pela segurança, vale a pena buscar empresas oficiais de táxi, especialmente dentro dos aeroportos e se informar, antes, sobre os valores justos, conversando com as pessoas e se informando na internet. Quando não houver taxímetro, sabendo o preço justo, diga-o desde logo ao taxista e não aceite negociar. Se ele não aceitar, não entre no táxi e se afaste. Quase com certeza, em seguida, o taxista aceitará a sua proposta: até porque é o preço justo e ele sabe disso.

4 – Esbarrões. Há várias possibilidades e é muito comum no transporte público: você está ali com suas malas e alguém começa a nelas esbarrar, o que atrai sua atenção para as malas, de forma que alguma outra pessoa, em conluio, aproveitando-se da sua situação subtrai sua carteira. Isto aconteceu comigo no metrô de Madrid. Mas os bandidos tiveram um resultado minguado: o grosso do meu dinheiro e o passaporte estavam no “porta-dólar”, e na carteira estavam apenas € 15… Antídoto: saber que o golpe funciona deste jeito e que há variáveis, mas sempre com a intenção de baixar sua guarda sobre seus pertences.

5 – Ouro, pratas, pedras preciosas… – Desistam. NUNCA os produtos destinados a turistas são produzidos com materiais preciosos. Se comprar, é gato-por-lebre na certa. Antídoto: compre estas coisas em joalherias de renome.

6 – Cédulas falsas. É difícil escapar, mas nos países onde este problema é mais frequente como na Argentina, o ideal é fazer câmbio nos bancos e usar com inteligência as notas, usando as de mais alto valor em estabelecimentos confiáveis e usar no comércio de rua e com taxistas as notas menores, pagando o valor com dinheiro exato e evitando troco.

7 – Troco errado. Você paga com uma nota de 100, o golpista pega, conversa alguma coisa, esconde com habilidade sua nota e a substitui e depois diz que você deu apenas 10, exibindo-a, e pedindo o resto e/ou recusando-se a dar o troco. As variáveis são o troco a menor (uma nota de 2 ao invés de uma de 20). Nos países onde as cédulas são parecidas ou com valores muito altos (quando eu fui na Turquia, havia moedas e cédulas de 50.000, de 500.000, de 5.000.000), o risco aumenta. O antídoto é redobrar a atenção e procurar pagar com o dinheiro exato.

8 – Em bares. Se alguma garota te convida, na rua, para ir tomar um drink com ela em um bar muito legal que só ela conhece, pode ter certeza absoluta: uma vez lá no bar, ela irá pedir uma bebida atrás da outra e a sua conta será astronômica. É claro que ela é contratada pelo dono do bar e não vai adiantar discutir isto lá no bar.

9 – Casas de câmbio em zonas muito turísticas: Aparentemente, o câmbio é melhor e eles anunciarão em letras e números grandes a cotação mais favorável. Tomem cuidado: às vezes eles cobram comissões ou a taxa mais favorável só se aplica a grande volumes, de modo que você entrega seus 100 dólares ou 100 euros e recebe bem menos do que esperava. Antídoto: fazer a pergunta sem rodeiros: “Se eu te dou 100 dólares, quanto de dinheiro local eu recebo?” e pedir por escrito o valor antes de entregar o seu dinheiro.

10 – Taxas ocultas em restaurantes. Em alguns países, o anúncio do preço dos restaurantes não revela a presença dos impostos (que podem ultrapassar os 20%), da gorjeta (de 10% acima) e outras coisas que os donos de restaurantes podem inventar para engordar a conta. Estas informações às vezes ficam bem escondidas nos menus, então é bom sempre lê-los com atenção.

Viaja-se, inclusive, para relaxar, descansar o corpo e a cabeça, etc. Muita gente confunde isto com abrir mão de cautelas que adotamos normalmente nas cidades onde moramos. É um erro. Até para se aproveitar bem a viagem, não se deve baixar a guarda. O turista tem menos informação que o morador de forma que é um alvo preferencial de golpistas e, ainda, no exterior, você tem bem menos condições de reclamar seus direitos. Então, olho vivo!